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Análises Diablo III: Reaper of Souls

Diablo III: Reaper of Souls

A Blizzard fez "mea-culpa" e levou em conta as queixas dos fãs para a expansão de Diablo III. Bravo por isso... mas será suficiente?
José Manuel Bringas Testado em Multi 25 Março 2014

Na nossa opinião, Reaper of Souls é o melhor que podia ter acontecido a Diablo III. Não só foram feitas muitas retificações importantes, como o toque frio e macabro da Morte (vilão da expansão) é algo que se ajusta como uma luva ao legado da série. Talvez não fosse esta a visão original da Blizzard quando lançou Diablo III originalmente, mas a verdade é que o seu RPG de ação depressa tornou-se numa espécie de mercado de itens e dinheiro real, em vez de ser sobre o que deveria ter sido o foco desde início - matar hordas de inimigos enquanto recolhem espólios preciosos. Na verdade, para recolherem os itens que procuravam, teriam de repetir o mesmo conteúdo vezes sem conta, à espera que um "drop" sortudo deixasse o equipamento necessário. Isso ou gastavam alguns euros no leilão. Isto não é a essência de Diablo.

Com esta primeira expansão (e dizemos primeira porque é praticamente certo que eventualmente existirá uma segunda...), a Blizzard conseguiu retificar muito do que estava mal com Diablo III, a começar com o leilão, eliminando-o de vez. Mais que isso, a expansão esforça-se por - e consegue - tornar o jogo mais divertido. Continuam a existir alguns pormenores que não são perfeitos, como as mudanças que pretendem eliminar o dilema na hora de criar uma personagem, mas a verdade é que a experiência de evoluir uma personagem é bem mais satisfatória. Até se calhar mais importante para muitos, será o facto de que quando atingirem o nível máximo do herói e a dificuldade mais alta, vão sentir uma genuína sensação de progresso.

Reaper of Souls faz de Diablo III um jogo muito mais adaptável para o jogador. Não só existe maior flexibilidade em termos de habilidades, como também podem modificar algumas características da personagem, de forma a moldar a sua performance. Reaper of Souls disponibiliza ferramentas que incentivam à experimentação e a contemplar outras formas de abordar a personagem. De certa forma isto significa que também se perdeu algum encanto de se procurar uma especialização e mantê-la, mas também é certo que é para isso que serve o equipamento.

Como sempre, além dos números inerentes à própria personagem, o equipamento continua a ser o grande suporte dos heróis de Diablo. Uma arma superior será provavelmente mais importante para o Barbarian que o seu atributo de força, tal como uma armadura imponente será capaz de o proteger melhor. Uma realidade que deve ser, ela sim, o verdadeiro motor de Diablo - a procura de melhor equipamento - e que atinge o exponente máximo quando encontrarem um set completo de peças e as equiparem. Como já não existe uma casa de leilões onde os jogadores possam "comprar" esse privilégio, terão de o procurar eles próprios, conquistá-lo por direito. Nota também para o sistema mais ajustado que determina as características do equipamento, agora mais apropriado para a personagem. Já não vão precisar de passear com um machado gigante com pontos de inteligência que não servem de nada ao vosso Barbarian.

Assim sendo, a novidade mais importante de Reaper of Souls não é a nova classe Crusader (que é fantástica), o novo ato (Ato V que tem um ambiente bem mais opressivo e uma banda sonora sombria), o regresso de Diablo às suas origens góticas, o aumento do nível máximo, ou os novos poderes para as personagens. Nem tão pouco será o novo modo de jogo e a dificuldade aumentada, que será um desafio apelativo para os jogadores mais dedicados. Não, a principal novidade de Reaper of Souls, na nossa opinião, é o facto de ter recolocado Diablo no caminho certo, moldando-o para o jogo que deveria ter sido logo de início.

O que também nos leva à única desilusão que encontrámos no jogo. A Blizzard terá concentrado tanta energia na resolução dos problemas, que a introdução de conteúdo genuinamente novo terá sido relegado para segundo plano. Na realidade, comprem ou não a expansão, as principais alterações estão disponíveis para todos os jogadores de Diablo III, graças à última atualização do jogo. Pelo preço, sobretudo, gostaríamos de ter visto mais conteúdo. A nova classe, o Crusader é uma excelente personagem, mas existia espaço para pelo menos mais uma classe nova. O quinto Ato é excelente, mas podia ser mais comprido, e o aumento de nível (e respetivas habilidades) também podiam ter sido maiores. De certa forma, faz lembrar Cataclysm, uma das expansões de World of Warcraft, onde a principal novidade foi a remodelação do conteúdo original - introduzida gratuitamente via atualização - e não o conteúdo novo em si.

Não nos interpretem mal. O conteúdo original de Reaper of Souls é fantástico e vão divertir-se imenso a explorar todas as novidades. Contudo, a proeza mais importante da expansão (que acaba por não ser exclusiva da expansão) é o facto de tornar Diablo III num jogo genuinamente divertido e apelativo a médio e longo prazo. Este é o Diablo III que a Blizzard devia ter lançado de início.

9
Excecional em 10 · Gamereactor Portugal
Prós Finalmente, respeita a essência de Diablo. A nova classe, Crusader, é fantástica. Ato V é fascinante.
Contras Não lhe ficavam mal mais algumas novidades.
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8,5 amplitude 8–9
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9
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Dados do jogo
Produtora Blizzard Entertainment
Editora Blizzard Entertainment
Data de lançamento 24 Março 2014
Testado em Multi
Género RPG
Plataformas
PC Mac
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