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Vampyr: Sangue, Vida e Morte nas ruas de Londres

Mergulhámos no mundo vampírico criado pelo estúdio de Life is Strange.
Ricardo C. Esteves Editor-in-Chief Portugal 15 Fevereiro 2018

O Gamereactor deu um pulo até Paris para visitar a Dontnod, estúdio que nos trouxe Life is Strange e Remember Me. O seu projeto atual (além do já anunciado Life is Strange 2) é Vampyr, um RPG baseado em vampiros que se passa em Londres antiga. Infelizmente não tivemos a oportunidade de jogarmos, mas assistimos a uma demonstração em tempo real jogada pelos produtores.

Philippe Moreau, o diretor do jogo, apresentou-nos ao distrito de Whitechapel, zona onde o protagonista Jonathan E. Reid trabalha como médico do povo depois da guerra. Reid é também um vampiro 'fresco'. A estória vai passar-se em Londres, no ano de 1918, e mostra uma versão muito sombria e macabra da cidade. Logo nos primeiros segundos da demonstração reparámos em dois vultos num intenso nevoeiro, e logo de seguida um matou o outro com um disparo à queima-roupa. Imediatamente a Dontnod define o tom que pretende apresentar ao jogador.

Considerando que estamos a jogar com um vampiro, Vampyr passa-se sobretudo durante a noite (diz que o sol não faz muito bem à pele de um vampiro), e isso também implica que as ruas não são tão movimentadas como durante o dia. Como Vampyr não é um jogo densamente povoado, a Dontnod teve a liberdade para trabalhar mais nas personagens e nas suas particularidades. Em vez de algo como GTA ou Assassin's Creed, onde o grosso da população é formado por personagens aleatórias, Vampyr está mais próximo de algo como Witcher ou Skyrim, onde cada personagem é alguém específico. A maioria das personagens terá comportamentos próprios, segredos, e estórias, e podem afetar outras personagens.

Enquanto vampiros podem escolher entre poupar ou matar essas personagens, e se optarem por eliminá-las, vão interromper as suas estórias. Como exemplo, disseram-nos que, se matarem um homem casado, a sua mulher vai entrar em depressão, e isso pode ter outras repercussões - por vezes positivas. A questão é que, enquanto vampiros, têm de se alimentar do sangue destas personagens, e embora seja possível poupar a vítima, deixado-lhe sangue suficiente para sobreviver, isso irá limitar os poderes de Reid. Embora seja mais trabalhoso e difícil, a Dontnod garante que será possível acabar Vampyr sem matar um único cidadão.

Com o avançar do jogo, Reid terá acesso a um grande número de habilidades. Podem teletransportar-se - em forma de fumo - alguns metros, usar um sexto sentido vampírico, e até controlar a mente de outras personagens. Conforme jogam vão ganhando pontos de experiência, mas para os gastarem terão de descansar - o que significa que não podem evoluir a personagem assim que ganham pontos, ao contrário de outros jogos. E para que precisam dessas habilidades? Bem, além de outros vampiros e caçadores de vampiros, o jogador terá de lidar com uma força misteriosa que está a ressuscitar mortos como criaturas monstruosas.

Na missão que vimos jogada em Paris, o objetivo do Doutor Reid passava por descobrir informações acerca de uma personagem que lhe bloqueou passagem para um edifício. De forma a conseguir persuadir essa personagem, Reid decidiu fazer alguma investigação, interrompida durante o percurso por algumas criaturas. Uma boa oportunidade para o estúdio mostrar o sistema de combate, que complementa as habilidades sobrenaturais do doutor com várias armas mais tradicionais.

Como já referimos, vão encontrar vários seres sobrenaturais durante a aventura, e a maioria não será amigável para Reid. Contudo, os humanos serão um dos maiores inimigos do jogo, em particular da fação de caçadores de vampiros. Estes humanos, embora fisicamente mais fracos e sem habilidades sobrenaturais, estão treinados para combaterem vampiros, e têm à mão o equipamento necessário para liquidar Reid. O jogador terá de fazer uma boa gestão da barra de energia, que mesmo sem ser tão exigente como a de Dark Souls, é essencial para a execução de habilidades. Em momentos de maior dificuldade, Reid pode ainda libertar toda a sua raiva, num ataque especial que é tão devastador quanto espetacular.

Uma grande porção do jogo envolve diálogos e escolhas, e algumas serão difíceis, como nos foi mostrado durante a apresentação. Depois de conseguir entrar no edifício, Reid encontra uma doutora a operar um paciente, um paciente que está claramente em dificuldades. Reid oferece a sua experiência para ajudar, mas enquanto vampiro, não é fácil lidar com tanto sangue a ser exibido. Na apresentação que vimos, o paciente morreu, apesar do esforço de ambos. Existem várias decisões a tomar nesta sequência, mas depois de algumas palavras entre os dois doutores (que não iremos revelar), serão presenteados com a escolha de matar a doutora ou deixá-la viva. Se a matarem, todo o distrito vai perder acesso a cuidados médicos, e as doenças serão transmitidas com maior facilidade. Se a deixaram viva... isso pode ter outras consequências, que também não iremos partilhar aqui. O ponto que convém reter é que terão de tomar algumas decisões difíceis durante a aventura.

Antes de terminada a sessão, a Dontnod mostrou-nos uma versão de Londres que parecia algo saído de Bloodborne. As ruas estão cobertas de sangue, caos, e monstros, e aparentemente isso é o que pode acontecer caso sigam um percurso mais negro. Tudo está ligado - os habitantes, as suas estórias, as suas vidas, a doença, a experiência do jogos, as habilidades, e os monstros - tudo está ligado entre si, e tudo é afetado pelas ações e decisões do jogador. O destino de Londres está ligado ao destino do Doutor Reid, e mesmo que não tenha sido possível jogar desta vez, estamos com grande curiosidade para ver o que acontece a seguir.

Editor-in-Chief Portugal Ricardo C. Esteves was editor-in-chief of Gamereactor Portugal, writing for the site from 2013. He covered video games across news, previews and reviews, and also wrote on film and television.
Perfil completo Autor da Gamereactor desde 2013 · 7.617 artigos publicados
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