Se o arranque da PlayStation 3 foi atribulado, lentamente corrigindo-se para um final de geração positivo, a PS4 arrancou a todo o gás, quebrando vários recordes de vendas. O facto da Wii U não gozar de popularidade entre as grandes massas e da Xbox One não ter acompanhado o lançamento em vários países, inclusive Portugal, deixaram as portas da nova geração escancaradas para a Sony. Mais importante ainda, a PS4 é uma excelente máquina de videojogos, mas ainda existe muito a melhorar.
Ao contrário da Xbox One, a PlayStation 4 inclui uma interface de navegação fácil, embora minimalista. É uma evolução do Cross Media Bar (XMB) da PlayStation 3, disponibilizando o conteúdo em listas de fácil acesso. De qualquer forma, estamos curiosos para saber como a área principal vai funcionar com o aumento da biblioteca de jogos, vídeos e aplicações. Seria importante que fosse incluída uma opção de agrupamento de conteúdo, entre outras funções. Como está, é cru demais.
Em termos de opções multimédia, a PlayStation 4 continua a ser um dispositivo muito limitado. A consola não suporta CDs de áudio ou até ficheiros MP3 e o mesmo se aplica a formatos de vídeo, como MP4, que poderiam ver através de uma PEN USB na PS3, por exemplo. A PlayStation 4 também não permite passar ou visionar imagens em dispositivos exteriores, seja através de USB ou de DVD, por exemplo. É essencial que a Sony aumente as capacidades multimédia da consola.
O DualShock 4 é um comando fantástico e uma evolução considerável desde o antecessor, de tal forma que começa a ser cada vez mais doloroso regressar ao DualShock 3. Mas existem alguns problemas. O mais preocupante é a velocidade com que a borracha dos comandos se degrada, um problema que o próprio Gamereactor já experienciou.
Outra falha do DualShock 4 reside na duração limitada da bateria, que se desgasta a um ritmo consideravelmente mais acelerado que o antecessor. Se decidirmos passar uma tarde a jogar, dificilmente chegamos ao fim da sessão sem termos de recarregar o comando. Não é tão mau como o GamePad da Wii U, mas é ainda assim um elemento incómodo que a Sony tem de resolver.
O botão de partilha foi uma das características mais badaladas da PlayStation 4 e do novo comando. Contudo, gostaríamos de ter mais soluções e controlo sobre o material que partilhamos. Se tudo o que querem fazer é uma transmissão no Twitch ou no Ustream, então conseguem-no muito facilmente, mas deviam existir mais opções. Por exemplo, a única forma de partilhar um vídeo é através de Facebook. Esperamos que a Sony possa expandir e melhorar as funções de partilha, porque o seu potencial é tremendo.

Outra área que tem de melhorar é a PlayStation Store. A interface é muito semelhante ao que já existia na PlayStation 3, mas se neste momento já é limitada, daqui a um ano, com um aumento significativo de conteúdo, será ainda pior. A Sony tem de facilitar a navegação na loja e as opções de busca. Tem de ser mais fácil identificar as demonstrações jogáveis e os jogos free-to-play, por exemplo. A localização portuguesa é boa e para já, chega, mas a PS Store ainda está longe de ser uma plataforma digital de "nova geração." Outra questão prende-se com o preço dos jogos, que nos parecem excessivamente caros.
Estamos, contudo, muito curiosos para ver e experimentar o novo serviço PlayStation Now (que não é exclusivo da PS4). As opiniões oriundas do CES 2014, evento onde a Sony anunciou o serviço, têm sido maioritariamente positivas, embora também se deva notar que as demonstrações decorreram em ambientes controlados. O seu potencial é tremendo, mas ainda existem muitas dúvidas por responder.
A experiência online da PlayStation 4, para já, não nos tem impressionado, sobretudo porque a Sony continua por introduzir funções que já deveriam estar presentes de raiz na consola. Não nos importamos de pagar para jogar online, até porque o Plus oferece várias vantagens, mas com isso vêm outras exigências que a Sony tem de cumprir. De qualquer forma, o Plus continua a presentear os jogadores com várias promoções assinaláveis, não só na PlayStation 4, mas também na PS3 e na PS Vita

A borracha que cobre os analógicos é um dos pontos negativos do DualShock4.
Por falar na Vita, é preciso realçar a qualidade da função Remote Play, que permite aceder e jogar - via streaming - jogos da PlayStation 4 na portátil. A experiência tem, obviamente, problemas. Existe algum lag ocasional, perde-se alguma qualidade gráfica no processo e o facto da portátil só ter dois gatilhos atrapalha em alguns jogos. Mas no geral, é uma função interessante com muito potencial, sobretudo se as produtoras começarem a ter consciência desta função e incluírem esquemas de controlo próprios.
O teor do texto é um pouco negativo, mas apenas porque é fácil identificar as falhas da consola. A verdade é que, mesmo com estes problemas, a PlayStation 4 é tão superior à PS3 que começa a ser difícil voltar para consola anterior. A Sony ainda tem muito que resolver, ajustar e incorporar, mas sabemos que o potencial está lá e que a consola foi desenhada para evoluir com o tempo e está preparada para se ajustar às exigências dos jogadores. Já é uma fantástica máquina de videojogos. Agora só lhe falta crescer, expandir e evoluir.