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Análises Shadow of the Beast

Shadow of the Beast

Um clássico reinventado, que mistura elementos novos e antigos.
GR Staff 24 Maio 2016

Se são jogadores de tenra idade, é provável que não conheçam o Shadow of the Beast original lançado em 1989. O jogo misturava plataformas, exploração através de níveis labirínticos, e um sistema de combate contra inimigos que pareciam saídos de um pesadelo. Tudo embrulhado num estilo visual e uma banda sonora peculiares para a época.

Ao longo das décadas que se seguiram, falou-se muito da influência de Shadow of the Beast na indústria de videojogos, sobretudo porque marcou uma geração de jogadores. É por isso surpreendente que a ressurreição do jogo tenha demorado tanto tempo, mas a Heavy Spectrum conseguiu fazê-lo com a ajuda da Sony (daí ser um exclusivo PS4). A grande questão que se terá colocado à produtora terá sido: como adaptar o conceito de Shadow of the Beast a um conceito moderno?

O elemento mais óbvio, o grafismo, ficou a cargo do Unreal Engine. O motor gráfico da Epic permitiu recriar o estilo peculiar de Shadow of the Beast mantendo uma framerate estável de 60 frames por segundo. Já a jogabilidade, tem algumas das bases do original, mas é mais inspirada por jogos de ação laterais (2D) da última década. O derradeiro ingrediente é a reunião de uma equipa de produtores que percebam as raízes da série. O resultado é um esforço honroso que mistura elementos modernos com conceitos clássicos.

À semelhança do original, Shadow of the Beast combina elementos de plataformas e combate, com claras influências modernas. A câmara automática é claramente inspirada em God of War, sempre ansiosa para mostrar ângulos que permitam vislumbrar vistas impressionantes. O sistema de combate é levemente inspirado na série Arkham, embora numa versão 2D e mais brutal. Os jogadores de Dark Souls também podem encontrar algumas funções 'roubadas' à série da From Software.

Como podem ter percebido, Shadow of the Beast é uma espécie de Frankenstein dos videojogos, reunindo um conjunto de mecânicas inspiradas por vários títulos. Como é óbvio, o jogo também tenta respeitar os elementos mais importantes do clássico. O Shadow of the Beast original destacou-se pela qualidade dos seus cenários, uma componente que a nova versão tenta repetir, injetando grande escala e profundidade a um jogo que na verdade decorre num plano 2D. O combate no original exigia precisão, paciência, e uma leitura correta dos arredores do jogador, e tudo isso são elementos também necessários no novo jogo.

O grosso da experiência pode ser dividido de duas formas. De um lado, a exploração, as plataformas e os puzzles simples. Do outro, uma combinação de golpes violentos que vos permitirão morder, cortar e desfazer inúmeros inimigos. Aarbron não é um ser adorável como Yoshi ou Kirby, é uma verdadeira "besta", com golpes exagerados e um peso credível. Ao início pode parecer um pouco pesado demais, mas eventualmente vão domar a besta.

Na realidade, Aarbron é uma espécie de monstro sedento de sangue, e o jogo não tem medo de representar isso com violência. Embora o combate possa reunir elementos de alguns jogos, tem uma característica muito própria - os inimigos morrem num só golpe. Isto significa que o combate não envolve a memorização de combinações complicadas, mas antes a memorização do posicionamento dos inimigos e as suas fraquezas. É um sistema desafiante e visceral, sobretudo para quem quiser somar pontos para fazer boa figura na classificação.

Com dois elementos de jogo tão distintos, a jogabilidade de Shadow of the Beast acaba por ser isso mesmo, um misto de duas entidades separadas, e não um todo coeso. Outra falha do jogo é a curta longevidade, porque Shadow of the Beast é uma aventura francamente pequena. Pelo menos existem alguns incentivos decentes para motivar o jogador a repetir a aventura, entre níveis de dificuldade, pontuações e classificações online. Adorámos sobretudo os desbloqueáveis, onde se incluem bosses extra, fins alternativos, legendados para os grunhidos incompreensíveis dos inimigos, e até uma versão do jogo original.

Todo somado, Shadow of the Beast acaba por ser um jogo que nos proporcionou boa diversão durante quatro a cinco horas. É uma combinação interessante de elementos antigos e um contexto moderno, embora mostre alguma fraqueza ao nível da escassez de níveis, jogabilidade fragmentada e tempo de loadings exagerados. Não falta o que jogar de momento na PlayStation 4, mas se procuram um jogo "à antiga" com um preço razoável e uma pintura moderna, Shadow of the Beast merece alguma consideração.

7
Bom em 10 · Gamereactor Portugal
Prós Visual de qualidade e experiência optimizada. Bom sistema de combate e design de níveis. Muita jogabilidade.
Contras É bastante curto. Loadings demorados.
Nota da rede Média de 6 edições da Gamereactor
7,0
Gamereactor 7
Gamereactor Norge 7
Gamereactor Deutschland 7
Gamereactor España 7
Gamereactor Italia 7
Gamereactor Portugal 7
Editorial Team Articles published under the Gamereactor byline are the work of the site's editorial team, covering news, releases and the wider industry across Gamereactor's European editions.
Perfil completo Autor da Gamereactor desde 1998 · 662 artigos publicados
7
Bom Nota da rede em 6 edições
Dados do jogo
Produtora Heavy Spectrum
Editora Sony
Data de lançamento 16 Maio 2016
Género Action
Plataformas
PS4
Porquê confiar na Gamereactor
23 Edições Cada uma com a sua redação e as suas notas.
1998 A publicar desde De propriedade independente desde o início.
100% Jogado por nós Escrito a partir do tempo passado com o jogo, nunca de material de imprensa.
1–10 Nota da rede A nota de cada edição, com média feita e à vista.