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análise

Gran Turismo 6

O "monstro" automóvel da Polyphony Digital marca um salto em frente para a série, mas não deixa de dar alguns passos em falso pelo caminho...

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Gran Turismo 6 é um jogo tremendo. A quantidade e qualidade do conteúdo que a Polyphony Digital incluiu num "singelo" disco Blu-ray é assinalável (e isto sem levar em conta o conteúdo adicional que a produtora tenciona lançar - já lá chegaremos) e o sinal máximo de uma visão ambiciosa para aquilo que deve ser um simulador de condução automóvel por parte de Kazunori Yamauchi e a sua equipa.

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Mas Gran Turismo 6 também é um jogo ultrapassado em muitas vertentes, que ignora por completo vários dos avanços nos campos da tecnologia e da jogabilidade efetuados ao longo da passada geração de consolas. Por outro lado, é um jogo que permite aos seus utilizadores conduzirem um veículo na lua e que simula por completo o ciclo dia/noite das 24 Horas de Le Mans, incluindo o posicionamento das estrelas... É algures nesta dicotomia entre o mais inovador e exclusivo e o mais retrógrado e ultrapassado que reside o "verdadeiro" Gran Turismo 6.

Seja qual for o ponto de vista, é impossível ignorar os principais melhoramentos efetuados no jogo da Polyphony, e que começam a fazer-se notar logo no menu principal. A interface, uma das "bestas negras" de Gran Turismo 5, foi completamente remodelada como efeito secundário de um modo de carreira que se apresenta agora melhor estruturado do que anteriormente.

Num sistema de progressão por estrelas, estas servem como as chaves que vão desbloqueando mais competições, num crescente nível de dificuldade e exigência não só para o jogador, mas também para os bólides que se encontram em pista. Agora é praticamente impossível encontrar aqueles "becos sem saída" com que muitos jogadores de GT5 se depararam durante o modo de carreira, em que encontravam uma ou duas provas a travar a sua progressão sem forma de as contornar.

Esta progressão mais suave é garantida por um maior leque de atividades e eventos secundários que vão gravitando em torno das provas principais, como os contrarrelógios todo-o-terreno do Goodwood Festival of Speed, as já citadas competições na Lua com o veículo de exploração lunar utilizado na missão Apollo 15, as Missões (corridas com objetivos específicos para cumprir) ou os Desafios Coffee Break, compostos por minijogos que nos podem pedir para chegar o mais longe possível com apenas um litro de combustível no depósito ou derrubar vários cones numa arena ou circuito com um limite de tempo estrito - e ao mesmo tempo nos dão acesso temporário a veículos mais potentes, em jeito de aperitivo para uma fase mais avançada da carreira.

As próprias licenças de condução surgem agora mais diluídas ao longo da carreira e, pela nossa experiência, apresentam-se mais acessíveis, deixando de se posicionar como obstáculos aborrecidos para a progressão.

Gran Turismo 6Gran Turismo 6

Tudo isto compõe um pacote assombroso, como foi referido no início, sendo que rapidamente encontramos dezenas de provas abertas à competição. A Polyphony até abriu uma zona nos concessionários com automóveis recomendados para cada uma das séries de campeonatos, facilitando desta forma a escolha de um veículo para arrancar com uma nova fase da carreira.

Em linha com o restante jogo, a condução não sofreu grandes modificações, com a Polyphony a optar antes por um apuramento do trabalho que já tinha sido feito em GT5. A grande diferença que se nota é ao nível do trabalho da suspensão e da física dos automóveis, em especial durante as curvas e viragens; sentir a transferência de peso do carro a incliná-lo ou levando-o a fugir - e a forma como o faz depende de inúmero fatores, desde a potência à transmissão, passando pelo próprio peso da carroçaria - adiciona uma dose de realismo muito bem-vinda, em especial com um bom volante em mãos (já agora, GT6 oferece suporte para as principais marcas e modelos). Mas mesmo através do DualShock o controlo é exemplar, pedindo um uso rápido e judicioso dos gatilhos para alcançar os melhores resultados (uma pena que não dê para jogar com o DualShock 4).

Ainda assim, existem elementos de jogos anteriores que continuam a assombrar a experiência de forma incompreensível. É quase impossível conceber como uma produtora tão talentosa e atenta aos detalhes como a Polyphony continue a ignorar elementos como a fraca inteligência artificial dos pilotos adversários ou a ausência de danos nos veículos. Os nossos rivais têm um comportamento demasiado mecânico e permissivo, e assistimos a alguns exemplos constrangedores de "rubber-banding" (os pilotos controlados pelo CPU abrandam quando seguem demasiado à frente, para dar a sensação de uma corrida mais competitiva), o que prejudica bastante a imersão no jogo.

Para piorar esta situação, os danos continuam a apresentar-se muito primários. Têm um impacto visual muito básico e na carreira a sua vertente mecânica é completamente inexistente. Como tal, abalroar os adversários para maximizar a velocidade nas curvas pode ser demasiado tentador, visto que praticamente não existem contrapartidas negativas para este jogo sujo. No entanto, na vertente multijogador as colisões entre veículos são marcadas tanto ao nível da prestação mecânica do carro como da penalização no desempenho pela tática menos leal, o que torna toda a situação ainda mais estonteante. Ainda assim, seja em jogo individual ou em grupo é impossível franzir o sobrolho sempre que duas potentes máquinas embatem com todo o espetáculo e espalhafato de dois pequenos carrinhos de choque...

Gran Turismo 6Gran Turismo 6Gran Turismo 6

Já que falamos do multijogador, falta dizer que este apenas se torna disponível mediante o download do patch disponível desde o dia de lançamento do jogo e que "pesa" cerca de 1.2 GB... É possível criar salas de jogo com suporte para 16 jogadores e inúmeras opções: corrida amigável ou competitiva, tipo de veículo, pista, condição atmosférica, hora do dia e muito, muito mais. Por estranho que pareça, este mesmo patch faz desaparecer do menu principal a opção de Corrida Rápida - talvez regresse no futuro.

A seleção de automóveis de Gran Turismo 6 é espantosa e o símbolo maior do amor pelo desporto automóvel que a Polyphony faz transparecer na sua série. São 1200 veículos, sendo que muitos deles são, obviamente, recuperados de títulos anteriores da série (existem cerca de 120 inéditos). Ao contrário de GT5, GT6 não faz a distinção entre carros Premium e Standard, mas ainda assim é possível detetar a herança PS2 destes últimos graças ao nível de detalhe mais reduzido que apresentam e pela ausência da recriação dos habitáculos.

Esta constante divisão entre duas gerações de consolas sente-se ainda a nível visual. Também aqui GT6 é um jogo de extremos: captado à luz certa, não seria necessário muito para nos convencer que estaríamos perante um jogo de PS4, mas também existem ocasiões decepcionantes, em especial naquelas pistas e carros mais antigos, que não receberam o mesmo tratamento visual do conteúdo mais recente.

Já no campo dos rugidos dos motores, não há grandes dúvidas: Gran Turismo 6 deixa mesmo muito a desejar. Este é outro dos pontos fracos da série que a Polyphony teima em não endereçar; os roncos destas máquinas são demasiado fracos, por vezes apresentando até falhas e ausências temporárias de áudio. A produtora já prometeu colmatar este problema com um patch futuro, mas por enquanto fica a ressalva: há muito trabalho a fazer aqui.

Na semana que antecedeu o lançamento de Gran Turismo 6 estalou uma polémica relativa à presença de microtransações no jogo. Basicamente, isto implica que os jogadores podem trocar dinheiro real por créditos utilizados no jogo para comprar novos veículos, facilitando assim o acesso aos bólides mais potentes e exóticos (e, logo, mais dispendiosos). Mas felizmente, isto é apenas um acessório do jogo; a loja utilizada para estas transações está colocada de forma discreta no menu principal e o jogo nunca faz referência à utilização deste método de progresso: se não conhecermos a sua existência de antemão, as microtransações facilmente passam despercebidas. Seja como for, de pouco adianta comprar os automóveis mais apetecidos do jogo se não tivermos onde os utilizar, visto que é impossível "comprar" a progressão na carreira: aqui, continua a ser a perícia ao volante que conta exclusivamente.

Gran Turismo 6Gran Turismo 6Gran Turismo 6

Ainda fica muito por dizer acerca de Gran Turismo 6: o regresso do modo Fotografia, que permite tirar retratos aos nossos veículos de eleição em zonas exóticas do planeta; a localização em português, a que a série já nos habituou; as fabulosas corridas noturnas; a estreia de pistas como o mítico traçado de Silverstone ou o circuito espanhol de Ascari; o programa Vision Gran Turismo, que vai apresentar ao longo de um ano, através de conteúdo adicional, protótipos de grandes marcas do mundo automóvel criados em exclusivo para GT6...

A sensação que fica é a de um jogo incompleto. Não porque lhe falte conteúdo; já estabelecemos que esse será o último problema do jogo. Mas a visão de Kazunori Yamauchi e da Polyphony é de tal forma ambiciosa (ou megalómana, dirão alguns) que se irá estender ao longo de um ano inteiro em que estão prometidos novos conteúdos em forma de carros, pistas, eventos sazonais e outros extras - recorde-se, por exemplo, a parceria entre a Sony e o Instituto Ayrton Senna. Isto significa que daqui a um ano GT6 poderá ser um jogo radicalmente diferente daquele que vemos agora a correr na PS3.

Hoje, é um jogo em que podemos conduzir na Lua, mas em que o adversário na pista à nossa frente se comporta como um mentecapto. É um jogo com 1200 carros, mas que não consegue apresentar uma amolgadela decente em nenhum deles. É algures entre estas contradições enlouquecedoras que se encontra a magia e a insanidade da série Gran Turismo; cabe a cada jogador encontrá-la ao seu próprio ritmo.

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07 Gamereactor Portugal
7 / 10
+
Excelente modelo de condução. Enorme leque de conteúdo. Modo de carreira bem construído. O conjunto de veículos e pistas mais completo de qualquer simulador.
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Ausência de danos mecânicos e visuais. Fraca prestação sonora dos motores. IA adversária muito pobre.
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