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Thor: Ragnarok

Um dos filmes mais divertidos do ano, ainda que tenha sacrificado impacto dramático
Ricardo C. Esteves Editor-in-Chief Portugal 28 Outubro 2017

Ragnarok significa o fim do mundo na mitologia nórdica, o fim de Asgard no contexto do filme, mas aplica-se também à personagem de Thor como o conhecemos até aqui. O Deus do Trovão convencido, sério, e dramático que surgiu nos dois primeiros filmes, foi completamente descartado para este terceiro capítulo, dando lugar a uma personagem muito mais leve e cómica. E é esse o tom de Thor: Ragnarok. É uma comédia, que quase nunca se leva a sério, e que não tem medo de deixar o drama ficar de lado para proporcionar boa diversão ao espetador.

Isso talvez não caia bem com todos os fãs da personagem, já que Thor não é exatamente um herói cómico na banda desenhada. O facto do filme também nunca se levar a sério, implica que nunca existe uma real sensação de urgência ou perigo para os heróis. É o filme da Marvel que mais se aproxima do tom definido por Guardiões da Galáxia, e se por um lado falta-lhe o impacto dramático que outros filmes tiveram, é inegável que nos divertimos imenso ao longo de todo o filme, com momentos de genuínas gargalhadas.

Thor: Ragnarok foca o fim de Asgard, associado ao regresso de Hela, a Deusa da Morte. Como já devem ter visto no trailer, Hela consegue destruir o martelo de Thor, e expulsa-o de Asgard, o que divide o filme em dois ritmos muito distintos. De um lado, Hela, e os seus esforços para submeter o povo de Asgard sob o seu domínio. Do outro, Thor, que acaba por 'aterrar' num estranho planeta dominado pelo Grandmaster, interpretado por Jeff Goldblum. Esta personagem assume em parte o papel de vilão secundário, ainda que não seja necessariamente maléfico. É antes excêntrico e despreocupado, uma personalidade que encaixa como uma luva no ritmo que a Marvel pretendeu para o filme.

Como os trailers também já mostraram, Thor vai reencontrar Hulk neste planeta, que estava desaparecido desde os eventos de Os Vingadores 2: A Era de Ultron. É uma versão do Hulk que nunca tínhamos visto até aqui, já que tem sido a besta verde a manter o controlo do corpo durante os últimos dois anos, deixando Bruce Banner completamente esquecido. Isto significa que Hulk evoluiu durante este tempo, sendo capaz de conversar, e de ter mais emoções do que a simples vontade de esmagar tudo. Embora tenha evoluído, Hulk é um pouco como uma criança presa num dos corpos mais poderosos do universo, o que naturalmente cria alguns momentos de comédia.

A química entre Thor e Hulk é uma delícia, e quando ambos estão no ecrã, é difícil desviar o olhar. O mesmo acontece com Bruce Banner (sim, eventualmente Hulk acaba por dar lugar ao seu alter-ego), que por ter estado preso dentro de Hulk não faz ideia de onde está ou o que se passa, o que também cria algumas situações engraçadas. A esta mistura juntam-se ainda Loki e Valquíria, duas personagens que encaixam na perfeição no tom do filme, cada uma com os seus momentos de brilho.

Embora divertido, Thor: Ragnarok não seria um filme de super-heróis sem boa ação. Existem vários momentos de grande espetáculo no filme, embora as capacidades sobre-humanas de quase todos os envolvidos acabe por retirar urgência ao filme. Só existe uma cena em que algo sério acontece, mas devido a tudo o resto que se passou no filme, é um evento que acaba por chocar com tudo o que vimos até aí.

Thor: Ragnarok tem também algumas surpresas pelo meio, com aparições de personagens e atores que não esperávamos ver. Não vamos naturalmente estragar estes "cameos", já que basta dizer que existem muitas referências no filme. Algumas serão facilmente identificadas, outras vão obrigar a maior atenção, mas existe detalhe para apreciar em Thor: Ragnarok.

Embora seja um filme de espírito leve, Thor Ragnarok tem tremendas implicações para o universo da personagem, e até para o resto do universo cinemático da Marvel. Será curioso perceber como irá Thor evoluir nos próximos filmes, em particular em Os Vingadores: A Guerra do Infinito (não se sabe se este foi o último Thor individual, ou se mais serão lançados). Gostámos da direção que a Marvel deu à personagem, e um filme é diversão do princípio ao fim, mas esperamos que seja algo contido ao herói.

Algo como Pantera Negra e Guerra do Infinito terá de ter obrigatoriamente um tom diferente, e de se levar muito mais a sério do que este Thor: Ragnarok. A comédia voltará certamente com Homem-Formiga 2, mas até lá, desejamos ver algo com maior impacto dramático nos filmes que referimos em cima. Voltando a Thor: Ragnarok, é o filme perfeito para ver acompanhado de um balde gigante de pipocas, para encarar com boa disposição e um sorriso na cara. Se assim for, é quase garantido que vão sair do cinema com um sorriso maior.

Editor-in-Chief Portugal Ricardo C. Esteves was editor-in-chief of Gamereactor Portugal, writing for the site from 2013. He covered video games across news, previews and reviews, and also wrote on film and television.
Perfil completo Autor da Gamereactor desde 2013 · 7.617 artigos publicados
Dados do jogo Thor: Ragnarok
Data de lançamento 26 Outubro 2017
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