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Gamereactor Séries Star Wars: The Bad Batch
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Star Wars: O Lote Estragado - Temporada 1

Começou bem, mas acaba por ter o mesmo problema que outras propriedades Disney - arrisca pouco.
Magnus Groth-Andersen 14 Agosto 2021

O criador Dave Filoni de Lote Estragado (ou Bad Batch no original), acumulou muitos seguidores ao longo dos anos entre a comunidade global de Star Wars. Enquanto filmes, programas de TV, e tudo mais em torno de Star Wars, era razoável na melhor das hipóteses e extremamente dececionante na pior das hipóteses, Star Wars: A Guerra dos Clones e Star Wars: Rebeldes, ambos de Dave Filoni, apresentaram consistentemente um drama sólido de animação e ação.

Mas, apesar das boas impressões do primeiro episódio, também Lote Estragado acaba por ser algo dececionante, seguindo o caminho de tantas outras propriedades Disney (Marvel incluída), e apostando demasiado numa abordagem segura. Ficam satisfeitos por seguirem caminhos previamente trilhados, e isso impede Lote Estragado de se tornar especial.

Star Wars: Lote Estragado pouco ou nada acrescenta ao universo global de Star Wars. Aliás, acontece pouco de extraordinário ou relevante com estas personagens durante os 16 episódios que formam a primeira temporada. Na verdade, a maioria dos episódios são autônomos, servindo apenas para promover um pouco o desenvolvimento da relação entre o clone infantil Omega e o grupo de soldados mercenários que dá o nome à série. Uma queda num planeta sombrio com monstros perigosos, um trabalho mercenário que parece simples mas que se torna complicado, e um resgate ousado de um senador, são exemplos do que acontece na série - episódios que fluem bem, mas que também não deixam grandes memórias ou interesse.

É dececionante, sobretudo se considerarmos que todo o potencial em torno da exploração da era da Ordem 66, em que se passa a série, é rapidamente ignorado pelos argumentistas.

Claro que também existem pontos positivos, como a introdução de algumas personagens de outras séries de animação, como Filoni, o que sugere um universo ligado que pode ser mais relevante no futuro. Além disso, é uma série divertida, alegre, e dotada de boa animação. Mas se procurava algo de qualidade acima da média, algo que contribuísse de forma significativa com o universo de Star Wars, não irá encontrar isso aqui.

Ainda assim, continuando com as ligações que existem, de A Guerra dos Clones - e agora como parte de Mandalorian -, temos também Ahsoka. Fãs de Rebeldes vão também encontrar várias caras conhecidas, incluindo o regresso de um certo vilão favorito. Ainda assim, o grande destaque é o grupo de mercenários que dá nome à série, e embora não sejam desinteressantes, pouco evoluem ao longo dos episódios. A exceção talvez seja Hunter, que se apega cada vez mais a Omega como uma figura paterna.

De resto há que elogiar a qualidade da animação e o trabalho dos atores. Lote Estragado tem bom aspeto, som acima da média, e algumas oportunidades narrativas que podem vir a ser exploradas mais tarde, como o foco no governo de Camino durante a formação do Império Galáctico, a maneira como os próprios clones processam e dão sentido à infame Ordem 66. Ou seja, tá aqui uma boa base, mas não foi bem aproveitada.

É esse o grande problema com The Bad Batch. Tal como outras propriedade da Disney, como é disso exemplo Viúva Negra mais recentemente, joga demasiado pelo seguro, sempre segurando-se num espaço confortável, e isso não dá nenhum espaço de manobra para surpreender ou chocar. Tudo o que a série faz é existir, é contar histórias dentro de cubículo narrativo que sabe a pouco. Isso não é necessariamente mau, e se o que procuram é comida de conforto, é isso que vão encontrar, mas pela parte que nos toca, esta abordagem da Disney começa a tornar-se cada vez mais dececionante.

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