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Spilled!

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O escritor convidado Rasmus limpou seus jardins da sujeira e da bagunça.

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Às vezes é fácil ficar cínico em relação ao mundo dos jogos. Jogos AAA que custam demais, lançamentos cheios de bugs e relançamentos intermináveis. Infelizmente, jogos indie não são poupados. Quantos jogos promissores nunca saíram do Acesso Antecipado na Steam? Quantos lançaram trailers com jogabilidade profunda que acabaram sendo tão finos quanto papel? E quantos são realmente cópias exatas uns dos outros?

Às vezes você encontra exceções. Jogos em que os desenvolvedores trabalharam em uma ideia por muito tempo, permitiram que o conceito amadurecesse e ousaram mudar de ideia ao longo do caminho. Stardew Valley é um exemplo brilhante disso, Spilled é outro, embora em menor escala.

Spilled é um projeto solo da desenvolvedora holandesa Lente. O projeto foi tanto uma experiência de aprendizado em design de jogos quanto uma interpretação da própria vida e situação de vida dela. Em um artigo na Polygon, ela fala sobre sua própria criação em uma casa-barco ancorada no interior holandês, como um conflito com a prefeitura local forçou sua família a deixar o barco para um apartamento e, já adulta, ela escolheu deixar a vida na cidade para trás em favor de seu próprio pequeno barco no canal com painéis solares.

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Há uma honestidade em Spilled que é difícil de resistir. Pode-se ser irônico ao pensar que tudo no mundo dos pequenos jogos é alimentado por células eólicas ou solares, e pode-se achar que a acumulação de óleo e lixo é um pouco ingênua demais na rapidez com que a natureza se recupera. Ao mesmo tempo, o jogo é a personificação da própria desenvolvedora e do mundo que ela moldou ao seu redor. Há uma grande parte do Lente em Spilled, algo que se pode dizer de muito poucos jogos e desenvolvedores hoje em dia.

Então, como é o jogo em si? De muitas maneiras, ele segue um conceito já comprovado dentro dos jogos indie. Jogabilidade simples, gráficos pixelizados e progressão simplificada. Você anda em um pequeno barco, coletando óleo, garrafas plásticas e outras poluições ambientais. O barco se move devagar, mas isso combina bem com o tema. Você não deve ter pressa ou tentar aproveitar ao máximo a experiência. Claro, as garrafas plásticas nem sempre seguem as leis da física, mas você sempre pode voltar e pegar as que deixou cair.

Também vale mencionar como Spilled consegue comunicar sua mensagem sem ser moralista. Não há lições morais, nem placas de texto dizendo como viver sua vida ou quais escolhas são corretas. Em vez disso, você simplesmente pode fazer isso. Limpe. Veja as consequências. Deixe o mundo ir ficando um pouco melhor, pixel por pixel. É uma abordagem que parece incomumente madura em uma era em que muitos jogos gostam de gritar sua mensagem bem na cara do jogador.

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A música é discreta e discreta, quase como ruído de fundo, mas contribui para a sensação de estar em uma espécie de espaço digital para respirar. Um espaço onde o tempo não funciona exatamente como de costume, onde o progresso não é medido em níveis ou conquistas, mas em pequenas mudanças visuais. Uma superfície de água mais limpa aqui, um pássaro voltando ali. Essas não são grandes vitórias, mas são suficientes para parecer significativas.

À medida que você limpa uma área, a água fica mais clara, a vida selvagem retorna e novas áreas se abrem. Em intervalos regulares, novos elementos de jogabilidade são introduzidos, como a habilidade de pulverizar água, melhorar o barco e levantar objetos do fundo do mar. Acaba em uma hora, mas é uma hora para a alma. Uma pausa em um mundo agitado de jogos.

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08 Gamereactor Portugal
8 / 10
+
Pinguins harmoniosos, relaxantes (!)
-
Uma hora de jogo pelo preço é um pouco mesquinho.
overall score
Esta é a média do GR para este jogo. Qual é a tua nota? A média é obtida através de todas as pontuações diferentes (repetidas não contam) da rede Gamereactor

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