O ministro dos esportes da França chama a decisão do COI sobre o teste genético de um "passo atrás"
A medida "mira especificamente as mulheres ao introduzir uma distinção que mina o princípio da igualdade".
A Ministra dos Esportes da França, Marina Ferrari, classificou a decisão do COI de proibir atletas transgêneros de esportes femininos, reintroduzindo testes gênicos para permitir apenas a competição de mulheres biológicas, de "retrocesso", observando que esse tipo de teste foi introduzido em 1967, mas descontinuado em 1999 "devido a fortes reservas dentro da comunidade científica quanto à sua relevância" (via Reuters).
Em comunicado, a Ferrari expressou suas profundas preocupações em nome do governo francês porque "ele especificamente mira as mulheres ao introduzir uma distinção que mina o princípio da igualdade", e assegura que tal medida não será tomada na França, comprometida em proteger a privacidade dos atletas.
"Nos opomos a uma generalização dos testes genéticos que levanta inúmeras questões éticas, legais e médicas, especialmente à luz da legislação francesa de bioética", acrescentou Ferrari, explicando as limitações da medida: "Ela define o sexo feminino sem levar em conta as especificidades biológicas dos indivíduos intersexo, cujas características sexuais apresentam variações naturais, levando a uma abordagem redutora e potencialmente estigmatizante".
A Ferrari também anuncia a criação de um observatório nacional reunindo órgãos esportivos, cientistas, especialistas jurídicos e representantes dos atletas, com o objetivo de garantir que o esporte seja "justo, inclusivo e respeitador dos direitos humanos".
