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Logan - The Wolverine

Vão ver este filme assim que puderem, mas deixem as crianças em casa.
Ricardo C. Esteves Editor-in-Chief Portugal 7 Março 2017

Dizem os especialistas que Logan - The Wolverine é um dos melhores filmes de super-heróis de sempre, mas não concordamos exatamente com essa afirmação. Na nossa opinião é um filme estupendo, mas não é um filme de super-heróis. É um drama, envolto em emoções reais e grande violência, mas o facto de algumas personagens serem "super" é apenas um detalhe no filme.

O tom de Logan, os tópicos, a cinematografia, e claro a classificação etária, não são de um filme de super-heróis como os X-Men, os Vingadores, ou a Liga da Justiça. É um filme para adultos, que utiliza essa classificação para grande efeito. O Wolverine é uma das personagens mais violentas dos super-heróis, e isso é muito evidente neste filme. Estamos a falar de um tipo com problemas de controlo de raiva que tem seis garras nas mãos, garras cobertas por um metal indestrutível. O que acontece a que está do outro lado dessas garras não é suposto ser bonito, e neste filme não o é. Vão ver cabeças a voar, braços cortados, corpos esburacados, e muita violência com um detalhe impressionante.

Por outras palavras, não levem os miúdos para ver este filme.

E não apenas devido à violência extrema ou aos palavrões constantes, mas também porque não é filme desenhado para também acomodar um público mais novo. O ritmo, os temas, o aspeto... são tudo elementos atípicos que lembram mais um filme de cowboys do que os X-Men anteriores. Sabemos que essas foram algumas das referências na produção deste filme, mas não ficaríamos surpreendidos se The Last of Us tivesse tido alguma influência. Se jogaram o titulo da Naughty Dog, será difícil não pensar em Joel e Ellie ao verem Logan e a jovem rapariga que o acompanha.

Não vamos revelar quem é esta jovem (brilhantemente interpretada por Dafne Keen), mas se conhecem minimamente a banda desenhada e viram os trailers, é bastante fácil adivinhar quem é. O filme decorre em 2029, numa era em que os mutantes estão praticamente extintos. Logan é agora um condutor de limousine que tenta arrecadar algum dinheiro para poder cuidar de Charles Xavier. Eventualmente a rapariga acaba por se juntar ao trio, que passa a ser perseguido por uma cooperação militar. O resto é melhor mesmo descobrir no cinema do que ao ler este texto.

O guião de Logan é estupendo, e evita muitos dos clichés habituais dos filmes com super-heróis. Isto é não uma estória sobre salvar o mundo, não existem grandes discursos motivadores, e sobretudo, não existem papas na língua. Embora sério, intenso, e por vezes cruel, o guião tem ainda algumas piadas que ajudam a suavizar um pouco o tom, mas são piadas perfeitamente contextualizadas.

É também necessário realçar os desempenhos notáveis de Hugh Jackman enquanto Logan e Patrick Stewart no papel de Charles Xavier. Pela boca dos próprios, esta foi a última vez que assumiram estas personagens, mas despedem-se com desempenhos sentidos e reais. Ao longo do filme fizeram-nos rir, engolir a seco, e até chorar. A nossa acompanhante, que aprecia filmes de heróis mas não da mesma forma que nós, saiu do cinema lavada em lágrimas, e não é para menos. A última cena do filme é de um brilhantismo que vai certamente tocar bem fundo nos fãs dos X-Men, um pormenor que é a cereja no topo de um bolo agridoce.

Uma palavra ainda para Boyd Holbrook, ator que interpreta o vilão Pierce de forma impecável (já tinha deixado excelente impressão na série Narcos). Embora Pierce seja um vilão fantástico, não podemos dizer o mesmo de um outro vilão. A decisão de incluir este antagonista pode dividir os fãs, e a nossa opinião era desnecessária. Um pequeno ponto fraco no que é de resto um filme notável.

Não queremos que os filmes de super-heróis sejam todos assim, mas para Logan funcionar só podia ser desta forma. Este é o filme que Wolverine, Professor Xavier, os respetivos atores, e os fãs dos X-Men, há muito mereciam. Uma obra máxima do género, e um filme que não merece ser esquecido por academias e organizações dedicadas ao cinema.

Editor-in-Chief Portugal Ricardo C. Esteves was editor-in-chief of Gamereactor Portugal, writing for the site from 2013. He covered video games across news, previews and reviews, and also wrote on film and television.
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