Lee Cronin's The Mummy
Lee Cronin nos trouxe Evil Dead Rise, um reboot cru e sangrento de uma franquia clássica. Agora ele está nos trazendo um filme de terror de múmias sem Imhotep ou Brendan Fraser. Vai funcionar?
Vamos começar dizendo o óbvio logo de cara: Não, isso não é uma aventura de ação no estilo de A Múmia de 1999 (que, aliás, é uma das minhas experiências cinematográficas favoritas de quando eu era jovem. Caramba, eu adorei esse filme). Isso é, como o título sugere, Lee Cronin's The Mummy. Mas, claro, há elementos familiares da franquia. Múmias (óbvio!), escaravelhos, sarcófagos, gosma preta jorrando da boca e várias outras coisas nojentas. Mas é aí que as semelhanças terminam.
O filme em resumo: A jovem filha de um jornalista de TV é sequestrada. Oito anos depois, a família dividida fica chocada quando ela é devolvida a eles, enquanto o que deveria ser uma reunião alegre se transforma em um pesadelo vivo. Tem muito o que gostar aqui. É atmosférico e estiloso, o prólogo é perturbador e bem feito, e um detalhe que eu realmente gosto é que os personagens podem falar seus próprios idiomas em vez de serem americanizados. Estamos no Egito, então os personagens falam... Você entendeu o recado.
Uma das fraquezas do filme é a atuação. May Calamawy, como a policial egípcia Dalia, está soberba, e Natalie Grace como Katie também, pois está absolutamente excepcional. Mas o resto deixa um pouco a desejar. Principalmente Jack Reynor, que interpreta o pai no drama. Não vou dizer que é realmente ruim, mas às vezes as atuações parecem um pouco saídas de Dias de Nossas Vidas, como o veterano dos Vikings Travis Fimmel (ainda bem que ele não está aqui), que aprendeu apenas uma expressão facial, independentemente de estar nervoso, bravo, feliz ou excitado.
De qualquer forma, começamos no Egito, onde a família está morando temporariamente por causa do trabalho do pai como repórter de TV. A mãe está grávida, a filha é aliciada e desaparece, e oito anos depois, nos encontramos no Novo México. A família está tentando lidar com o trauma de a filha não ter sido encontrada junto com a outra filha, Maud, que tem a mesma idade que Katie tinha quando desapareceu, e de repente a ligação chega... Katie foi encontrada. Ela está viva, mas não é ela mesma. Para dizer o mínimo.
A Múmia é um filme estiloso e a maquiagem é impecável. Isso se chama horror corporal por um bom motivo. Antes que as coisas fiquem realmente nojentas, porém, somos presenteados com uma sensação crescente de inquietação que é habilmente construída. Sabemos que vai desandar, mas não quando nem exatamente como. Há muitas cenas realmente eficazes, mas também várias lacunas lógicas que são um pouco desconcertantes. Tudo é mantido em segredo e a família não busca ajuda de psicólogos de trauma e não entra em contato com ninguém fora de suas fileiras quando a filha começa a se comportar... estranhamente. Eu acredito nisso como conceito de filme de terror – é eficaz – mas a lógica ainda me incomoda.
A Múmia foi considerada muito assustadora. E li uma resenha em que alguém escreveu que vai demorar muito até que eles comam "ovos recheados" de novo. Sim, A Múmia é, como mencionado antes, muito estilosa. É nojento, mesmo estando tão dessensibilizado que não reajo nem encontro nada particularmente marcante, mesmo quando a pele se descasca do osso. Mas assustador? É desconcertante, e claro, até te incomoda um pouco, mas não. Não acho que o desconforto se torne muito evidente. Talvez isso também seja um sinal de que estou dessensibilizado.
De qualquer forma, é um filme empolgante, nervoso e divertido. Críticos americanos chamaram isso de "maldoso", e eu entendo o porquê e até concordo. Ao mesmo tempo, adoro que Hollywood ouse se comprometer totalmente com esse tipo de filme. É esperançoso, é bem longo, cerca de 135 minutos, mas o tempo de duração voa e nunca sinto que ele se arrasta ou perde o ritmo. Depois de termos tido alguns clichês demais de "casa fechada", temos uma pequena pausa adorável com a investigação no Egito, sem nenhum momento entediante ou tempo de tela desperdiçado.
Mesmo assim, isso te deixa querendo mais. Quero mais Cronin, e não totalmente fora do assunto, estou ansioso para ver Brendan Fraser e Rachel Weisz retornando à empolgante e boba franquia da Múmia. Mais do que eu esperava. Lee Cronin mostra que é um diretor de filmes de terror a ser respeitado, já que A Múmia é brilhante, apesar de suas falhas.





