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Hyper Scape

Hyper Scape

A Ubisoft atirou-se ao género Battle Royale com esta abordagem futurista, mas será suficiente?

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Já todos conhecemos a história de PUBG, Fortnite, e os inúmeros Battle Royales que se seguiram, mas faltava a Ubisoft tentar a sua sorte no género. Tardou, mas Hyper Scape é a resposta da empresa francesa a esse tipo de jogo tão popular, introduzindo algumas ideias próprias a uma fórmula já saturada. A base, contudo, será familiar a todos que conhecem o género Battle Royale - será atirado para uma arena, juntamente com outros jogadores, e depois terá de procurar equipamento enquanto a área de jogo vai encolhendo e aproximando os sobreviventes. Cada jogador tem uma vida, e no fim, ganha quem restar.

Embora seja jogado na primeira pessoa, Hyper Scape distingue-se pela verticalidade dos mapas, a mobilidade das personagens, e o próprio contexto. A ação passa-se no ano 2054, e como resultado de anos a destruir o ambiente, a humanidade está destinada a viver sobretudo através de simuladores, como Hyper Scape, que inclui uma cidade virtual chamada Neo Arcadia. É basicamente Ready Player One, para quem leu o livro ou viu o filme.

O mais interessante de Hyper Space é o facto de ser claro que a Ubisoft tem planos para este espaço social que vão além do jogo Battle Royale. Olhando para o que Fortnite tem feito em termos sociais, com a promoção de filmes, concertos, e eventos em tempo real, é fácil imaginar por onde a Ubisoft pode ter interesse em expandir Hyper Scape.

Por muitos planos que tenham, esse espaço social só poderá crescer se a Hyper Scape tiver o sucesso desejado, e pelo que vimos neste momento, tem claramente de melhorar para atingir níveis de popularidade relevantes. A cidade de Neo Arcadia em si é impressionante, e apresenta um cenário urbano com traços futuristas que é diferente de tudo o que já vimos noutros Battle Royale. A estrutura, contudo, é semelhante, já que terá de explorar o cenário à procura de formas de evoluir o seu equipamento e habilidades, e depois de algum tempo, a cidade começa a mostrar sinais de repetição.

Hyper Scape

É que apenas uma percentagem pequena de edifícios podem ser explorados, e mesmo esses são básicos e sem inspiração, limitando-se a salas praticamente vazias. Precisa de procurar pelos edifícios com portas ou janelas laranja, indicando que existe loot lá dentro É bastante aborrecido entrar em salas vazias só para apanhar loot, e todo o processo torna-se cansativo em pouco tempo. Para estar como está, mas valia a Ubisoft despejar o loot todo na rua.

A maioria dos conflitos passa-se nos exteriores, particularmente nos telhados, e em termos de jogabilidade, Hyper Scape pode ser bastante divertido e entusiasmante. Isso deve-se acima de tudo ao ritmo do jogo, que é bem mais elevado do que a maioria dos jogos do género. A verticalidade do mapa e a presença de mecânicas como salto duplo, permitem trepar facilmente as estruturas, utilizando varandas, parapeitos, e outras saliências. Infelizmente, nem tudo funciona bem em termos de controlos, já a precisão do movimento não está bem afinada. A física leve das personagens é outro fator que afeta negativamente a jogabilidade.

O mesmo tem de ser dito em relação às armas. Embora Hyper Space apresente um arsenal considerável, e cada arma tenha a sua utilidade dependendo do contexto, o seu peso e impacto não é tão positivo quanto seria esperado. Um jogo de ação na primeira pessoa vive muito da satisfação de disparar as armas e do seu impacto nos inimigos, e Hyper Space não é particularmente satisfatório nesse aspeto.

Também não gostámos do sistema de evolução das armas. Em vez de existirem acessórios para personalizar ou melhorar as armas, em Hyper Scape tem de encontrar a mesma arma que já tem para a melhorar. Isto acrescenta nova funções e melhorar os seus atributos, e se encontrar a mesma arma várias vezes, terá uma grande vantagem em relação aos outros jogadores. Não nos parece o melhor sistema, já que depois de encontrar a mesma arma duas vezes, já não existe qualquer motivo para trocar de arma. O facto das armas serem parecidas quando estão suspensas no ar, para os jogadores as apanharem, também não é muito positivo.

O que temos de reconhecer em relação a Hyper Scape, é o facto de tentar ser genuinamente inovador em relação a outros Battle Royale. Para começar, existe o sistema Echo, que é uma ideia genial. Quando morre em Hyper Scape, tem a oportunidade para se mover pelo mapa como uma espécie de eco, e isto permite-lhe marcar os inimigos para outros membros da sua equipa. Se um desses oponentes for eliminado, irá aparecer um ponto de reentrada para que possa voltar ao jogo. A forma como o jogo vai limitando o espaço dos jogadores ao longo das partidas também é distinto, já que em vez de um círculo que encolhe, diferentes secções do mapa vão ficando indisponíveis, e isso é feito através de animações e efeitos bastante porreiros.

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Por fim temos os Hacks, que são as habilidades das personagens. Em vez de selecionar uma classe antes das partidas, irá apanhar Hack espalhados pelo mapa, como as armas. Cada Hack garante uma habilidade, e pode ter duas equipadas de cada vez. À semelhança do que acontece com as armas, se apanhar o mesmo Hack que já tem, ficará com uma versão superior. Existem alguns Hacks interessantes e divertidos, com o que transforma o jogador numa bola saltitante, e o que permite puxar inimigos, e outros menos criativos, mas o verdadeiro problema é que estes Hacks estão desequilibrados. Por exemplo, existe um Hack que torna o jogador invisível, e sem qualquer tipo de penalidade de velocidade, além de ter um tempo de espera entre utilizações bastante curto. A Ubisoft tem de afinar estes Hacks, mas contribuem imenso para a criação de uma jogabilidade distintas. Quando duas equipas que dominam os Hacks se encontram, o jogo parece mais um duelo de uma versão futurista de Harry Potter do que algo à base de tiroteio.

Estes Hacks, o movimento das personagens, e o design dos níveis, incentiva a um estilo de jogo rápido e agressivo, mas esse elemento é contraído pelo facto de existir regeneração de saúde, o que leva os jogadores a fugirem para recuperarem. Isto atrapalha o ritmo do jogo, e em conjunto com outras habilidades, pode tornar alguns confrontos demasiado longos.

Hyper Scape tem vários problemas que o impedem de chegar ao nível de outros jogos do género, mas a compensação é que a maioria das falhas podem ser resolvidas facilmente via atualizações. O facto de ser free-to-play significa que não perde nada em experimentá-lo, e se fã do género, aconselhamos-lo a experimentar. Da parte que nos toca, contudo, vamos regressar a Apex Legends.

Hyper Scape
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06 Gamereactor Portugal
6 / 10
+
Arquitetura impressionante. Boa atmosfera. Narrativa entusiasmante.Impressões iniciais são muito positivas.
-
Equilíbrio precisa de ser afinado. Sistema de loot aborrecido. Crown Rush encoraja 'camping'.
overall score
Esta é a média do GR para este jogo. Qual é a tua nota? A média é obtida através de todas as pontuações diferentes (repetidas não contam) da rede Gamereactor

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