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análises de filmes

Ghost in the Shell

Visualmente é fantástico, e Scarlett Johansson está bem no filme, mas é problemático.

Sempre que há uma adaptação de livros, jogos ou animação japonesa para o cinema, existe sempre um limite difícil de estabelecer sobre até onde um novo diretor deve tomar liberdade criativa de um projeto que não originalmente seu. Se alterarem demasiado, podem mudar a interpretação do produto original, o que é particularmente difícil de fazer quando a base é um clássico de culto como Ghost in the Shell. Por outro lado, uma cópia exata também pode levantar questões por isso mesmo, pelo facto de ser uma mera cópia, logo é uma situação complicada de estabelecer.

Neste caso específico, de Ghost in the Shell, dirigido por Rupert Sanders, é ainda mais difícil e complexo. O filme é inspirado pela manga criada por Masamune Shirow, que entretanto resultou em séries de animação e um filme de animação bastante conhecido. O filme de animação de Ghost in the Shell foi lançado em 1995, na altura adaptado por Mamoru Oshii, e é considerado por muitos como um dos melhores filmes de animação japonesa de todos os tempos. Quanto a Rupert Sanders, abordou esta adaptação ao cinema de Ghost in the Shell depois de ter trabalhado em Branca de Neve e o Caçador, e o resultado é um misto de um tributo visual ao original, com várias mudanças viradas para o público ocidental, a começar pelo elenco.

Enquanto o filme original de 1995 era uma espécie de mistura entre as duas culturas, um misto difícil de identificar em termos de culturas e filosofias, quando foi anunciada esta adaptação de Hollywood - e em particular o elenco, muitos fãs deixaram claro o seu receio de uma ocidentação exagerada. O facto do papel principal de Major ser interpretado por Scarlet Johansson, quando se esperaria uma atriz japonesa, foi de imediato um sinal de alarme para os fãs (independentemente da qualidade da atriz, que não está obviamente em causa).

Agora que assistimos ao filme, sim, podem dizer que houve alguma ocidentalização, e algumas das surpresas que o filme tem preparadas podem deixar ainda mais furiosos quem já acusava o novo Ghost in the Shell de uma "lavagem branca" (dar primazia a atores caucasianos em detrimento de outras raças). Estes são temas relevantes, mas que devem ser discutidos à parte do próprio filme. Quanto a Scarlet Johansson, volta a mostrar a sua qualidade enquanto atriz, e depois do visual impressionante, será um dos melhores elementos do filme. A atriz consegue passar bem a ideia de conflito interno que a personagem enfrenta, a de não saber ao certo qual era o seu passado antes do seu cérebro ter sido colocado numa máquina de combate. O corpo inteiro (Shell) de Major foi construído como uma fantástica arma, mas o seu cérebro, a sua "alma" (Ghost) deseja saber mais, ser mais.

O conflito entre humano e máquina do filme original é também uma fundação importante para esta versão, e Scarlet Johansson transmite bem as emoções necessária, mas o resto do filme acaba por tratar estes tópicos de forma muito crua. Em parte isso deve-se a uma ambição desmedida do estúdio, que tentou introduzir demasiadas ideias e personagens num só filme, sem o seu devido desenvolvimento. O tom da estória acaba por ser esmagado pelo visual vibrante deste universo cyberpunk, e o ritmo do filme é também a espaços demasiado lento. Supomos que esta lentidão fosse uma tentativa de deixar que o espetador conseguisse assimilar as ideias, mas o que realmente acontece é são paragens bruscas no filme. No fim temos um filme visualmente estupendo, que mostra muito bem este perigoso e comprometido futuro, mas onde a estória e os temas acabam por ser diluídos entre tudo o resto.

Se visualmente estamos a falar de um filme irrepreensível (se há filme para ver em Imax 3D, é este), que transporta um fantástico mundo cyberpunk para o grande ecrã do cinema, o resto desapontou-nos. É como ter a melhor caixa de presentes de sempre, para depois a abrir e não encontrar nada lá dentro. Nem mesmo a boa performance de Scarlett Johansson (polémicas à parte) é suficiente para elevar o filme para um estatuto mais elevado. Como produto isolado, é um filme de ação e ficção científica razoável, embora com uma estória confusa e sem a profundidade que merecia. Quando comparado com a obra original de 1995, então aí sim, perde bastante. Como tal, só o podemos recomendar se estiverem realmente interessados no espetáculo visual que proporciona.

Ghost in the ShellGhost in the Shell
Ghost in the ShellGhost in the Shell
06 Gamereactor Portugal
6 / 10
overall score
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