Ex-primeiro-ministro da Coreia do Sul condenado a 23 anos por participação em tentativa de lei marcial
Han Duck-so condenado em decisão histórica sobre a fracassada insurreição de 2024 sob o ex-presidente Yoon Suk Yeol.
O ex-primeiro-ministro sul-coreano Han Duck-so foi condenado a 23 anos de prisão nesta quarta-feira por seu envolvimento no decreto de lei marcial falhado emitido pelo ex-presidente Yoon Suk Yeol em dezembro de 2024. A decisão marca a primeira determinação judicial de que a tentativa de tomada de poder constituiu uma insurreição, e Han foi imediatamente detido. Ele mantém o direito de recorrer.
O juiz Lee Jin-kwan citou o papel ativo de Han na legitimação do decreto inconstitucional, incluindo a realização de uma reunião do gabinete para aprovar o plano de lei marcial e a conspiração para destruir provas. Imagens de CCTV mostraram Han assentindo enquanto Yoon detalhava o decreto horas antes do anúncio público. O tribunal destacou que Han, como primeiro-ministro, tinha o dever constitucional de bloquear o plano, mas "escolheu aderir" a ele.
Os promotores solicitaram uma sentença de 15 anos, argumentando que Han tinha responsabilidade única como o único oficial posicionado para suspender o decreto. O juiz, referindo-se a precedentes de insurreição de 1997, impôs uma pena mais severa, chamando o incidente de "autogolpe" por parte de poderes eleitos que representava graves perigos à democracia. O tribunal também condenou Han por falsificação de documentos, destruição de registros presidenciais e perjúrio durante processos de impeachment.
Han, 76 anos, diplomata de carreira que serviu sob cinco presidentes, afirmou durante todo o julgamento que se opôs em particular à lei marcial e ficou em choque durante os eventos. "Eu nunca apoiei ou tentei ajudar", disse ele ao tribunal em novembro passado. Apesar de sua defesa, a decisão enfatizou a ausência de remorso, citando a contínua ocultação de provas e depoimentos enganosos.
O veredito segue um tribunal separado que condena Yoon Suk Yeol a cinco anos de prisão por obstruir sua própria prisão. O julgamento de Yoon pela própria insurreição está marcado para 19 de fevereiro, com promotores buscando a pena de morte. As decisões ressaltam o confronto contínuo da Coreia do Sul com um dos maiores desafios às suas instituições democráticas nas últimas décadas.
