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A Era de Jogos Exclusivos no PC

Está a gerar-se um conflito entre Steam e Epic Store, que pode mudar o panorama dos videojogos no PC para sempre.

Durante muitos anos o Steam imperou incontestado no reino do PC, uma plataforma digital de venda de videojogos para todos reunir e governar, até agora. Sejamos bem claros - o Steam não vai a lado nenhum, e tem tudo para continuar a dominar a venda digital de videojogos no PC, mas nunca foi contestado como o está a ser agora, de tal forma que a Valve pode ter de repensar algumas medidas e práticas.

Estamos naturalmente a falar da Epic Store, a loja digital da Epic Games. Existem outras plataformas digitais no mercado, como as gerais GoG, Discord, e Green Man Gaming, além das lojas individuais de Ubisoft (Uplay), Electronic Arts (Origin), Blizzard (Blizzard.net), e Microsoft (Microsoft Store), mas nenhuma fez frente à Valve, não verdadeiramente. A Epic Store é um caso diferente.

Com o apoio do dinheiro que entra por parte de Fornite, a Epic tem condições para realmente investir na Epic Store, e está a fazê-lo de forma muito agressiva. Se, numa primeira fase, garantiu a exclusividade de alguns títulos menores e indie, o facto de ter agarrado The Division 2, e Metro Exodus, veio elevar a Epic Store para um patamar diferente. Não estamos a falar de jogos que serão lançados no Steam e na Epic Store, mas exclusivos que, a nível do PC, só serão vendidos na Epic Store.

Mas o que está a atrair estas editoras e produtoras para a Epic Store? Dois fatores: uma divisão menos exigente das receitas, e no caso dos grandes exclusivos, um apoio ao nível do marketing no PC. No caso da taxa sobre as receitas, o Steam exige 30% por venda, enquanto que a Epic Store só pede 12%. É uma diferença considerável, que está a ser muito elogiada por vários estúdios e editoras, o que é também uma forma destes mesmos estúdios e editoras pressionarem a Valve para baixar a sua taxa.

Se esta situação está a ter um impacto positivo ao nível de produtoras e editoras, a situação torna-se menos amigável para os jogadores, sobretudo os que apenas dependem do Steam. Existem vários jogadores que querem ter todos os seus jogos reunidos na biblioteca do Steam, mas o facto da Epic Store estar a garantir exclusivos, pode obrigar esses jogadores a uma adaptação. Como é natural, está a existir uma resistência forte a isso mesmo.

Olhemos para o caso de Metro Exodus, por exemplo. Os dois Metros anteriores, mais as respetivas versões Redux, estão à venda no Steam, e muitos jogadores terão lá comprado ambos. Agora, contudo, com a exclusividade de Metro Exodus na Epic Store, esses jogadores já não vão conseguir ter a coleção completa no Steam, ou pelo menos, não durante um ano. O acordo de exclusividade de Metro Exodus com a Epic Store é de apenas um ano, mas não existe garantia de que o jogo seja lançado no Steam depois disso.

A situação é mais problemática porque Metro Exodus esteve em pré-reserva no Steam, e só agora, a duas semanas do lançamento, foi retirado da loja. A Valve respondeu à situação, assegurando que quem fez as reservas vai receber o jogo à mesma, mas apelidou a decisão da 4A Games (o estúdio de Metro) como "injusta para os jogadores". Bem, parece que esse jogadores concordaram, porque nos dias seguintes bombardearam as páginas de Metro 2033 e Last Light com inúmeras análises negativas, baixando a média de ambos. Uma resposta clara à decisão da 4A Games.

Já existiam exclusividades de loja ao nível de PC. Os jogos da Microsoft, por exemplo, só estão à venda para Windows 10 e na Microsoft Store, enquanto que os FIFA e Battlefields, são exclusivos do Origin. Já a Blizzard, sempre lançou os seus jogos na sua própria plataforma, a Blizzard.net, que recentemente abriu as portas a outros títulos da Activision - Destiny 2 e Call of Duty: Black Ops 4 só estão disponíveis na Blizzard.net. A Ubisoft, apesar do Uplay, sempre lançou os seus jogos no Steam, mas com o anúncio de que The Division 2 será lançado em exclusivo para a Epic Store, está claramente a pensar numa alternativa. Se outros jogos se seguirão, vai depender do sucesso de The Division 2 e Metro Exodus.

O sucesso ou insucesso de Metro Exodus e The Division 2 pode ser determinante para a Epic Store.

Uma taxa de menos 18% é uma grande diferença, mas a Epic Store não tem a mesma força - nem nada que se pareça - em termos de número de utilizadores e de capacidade de promoção. Ter um jogo em destaque na página inicial do Steam é muito diferente de estar em destaque na Epic Store, e existe por isso grande antecipação para se perceber como irão correr as vendas de The Division 2 e Metro Exodus em relação aos antecessores. Caso sejam um falhanço, podem implicar um revés para a Epic Store, mas se forem um sucesso, podem obrigar o Steam a contra-atacar.

E como pode o Steam contra-atacar? Bem, pode tentar garantir os seus próprios exclusivos, criar promoções mais agressivas, e baixar a taxa que exige aos produtores e às editoras. Os mais optimistas até apontam para a possibilidade da Valve apostar ainda mais nos seus próprios jogos, como Half Life e Portal, de forma a garantir verdadeiros exclusivos, mas não nos parece que a estratégia da Valve passe por aí.

Olhando de fora, parece-nos que esta situação tem benefícios e desvantagens. Monopólios nunca são bons, e de grande forma, é isso que tem acontecido com o Steam. A perspetiva de um concorrente real poderia motivar a Valve a deixar de estar à sombra dos louros, o que poderia ser benéfico para os jogadores de PC. Como principal desvantagem, surge a fragmentação dos jogos por várias plataformas, obrigando os jogadores a terem contas em várias plataformas e bibliotecas.

Acima de tudo, a Epic Store pode vir abanar o mercado de jogos de PC como raramente vimos nos últimos anos. Falta muito para a Epic Store chegar ao nível do Steam, de tal forma que é pouco provável que isso alguma vez aconteça, mas o dinheiro de Fornite e a exclusividade de títulos de renome podem ser munições de peso para a 'guerra' que se avizinha. Não sabemos como irá evoluir o panorama dos videojogos no PC com tudo isto, mas estamos muito curiosos para acompanhar esta situação ao longo dos próximos meses.