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Dark Souls

Jogos que Marcaram Gerações - Dark Souls

Um jogo que definiu um género só seu.

  • Texto: Sam Bishop
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Não são todos os jogos que se podem gabar de terem definido um género, mas é o caso de Dark Souls. Infame pelo grau de dificuldade extremamente elevado, mas mais que isso, penalizador, Dark Souls disparou para a fama quando inúmeros youtubers e streamers começaram a transmitir o jogo e a publicar "Let's Plays". O facto de ter sido agraciado com inúmeras análises positivas também ajudou, mas o que tornou Dark Souls tão especial?

Tudo começou em 2009, não com Dark Souls, mas com Demon's Souls, o verdadeiro primeiro jogo da saga. Demon's Souls foi publicado pela Sony, e lançado em exclusivo na PlayStation 3, ao contrário da trilogia Dark Souls, que foi publicada pela Namco Bandai e lançada em várias plataformas. O original até foi recentemente remasterizado, para PC, PS4, Xbox One, e Nintendo Switch.

Incluindo muitos dos elementos que formaram a jogabilidade de Demon's Souls, Dark Souls apareceu em 2011 para PS3 e Xbox 360, versões acompanhadas um ano mais tarde por uma péssima adaptação ao PC. O resultado foi um dos jogos incontornáveis quando o tema de conversa é a geração passada, um jogo que introduziu verdadeiros desafios aos jogadores quando a tendência seguia no caminho oposto, com jogos cada vez mais fáceis e acessíveis.

Embora a dificuldade de Dark Souls tenha sido um elemento importante para o sucesso do jogo, Dark Souls é muito mais do que 'um jogo difícil'. Muitos factores contribuíram para essa ascenção, incluindo o próprio mundo onde tudo se passa. Ao contrário do que muitos pensam, existe uma história em Dark Souls, mas não é contada ao jogador, ou pelo menos, não de forma típica. É o próprio mundo e as suas personagens que contam essa história, uma história de tragédia, mas que não são obrigados a seguir.

Em termos essenciais, o que precisam de saber é que o mundo foi abatido por uma maldição de mortos-vivos, e o jogador tem de encontrar as Lord Souls para decidir o destino do mundo. Como o jogador já é um morto-vivo, amaldiçoado, nunca morre verdadeiramente. Em vez disso, ressuscita em fogueiras sagradas que vai encontrando pelo caminho, que também ressuscitam todos os inimigos. O mundo em si, com um forte tema medieval, está em ruínas, e salvo algumas exceções, quase tudo nesse mundo é hostil para o jogador. Entre design, jogabilidade, e banda sonora (e muitas vezes ausência dela), Dark Souls consegue transmitir a sensação de um mundo sem esperança, como poucos jogos o conseguiram.

Não é, contudo, um mundo feio, pelo contrário. É possível perceber, nos seus castelos, nas suas florestas, e nas suas grutas encantadas, que este mundo foi outrora lindo. Em termos de jogabilidade, é também um mundo massivo, com muitos locais memoráveis, como a terrível Blightown (e as suas infames quebras de fluidez), o ambiente ardente de Demon Ruins, e as massivas construções de Anor Londo. É um mundo que esmaga o jogador com o seu tamanho, um mundo que nunca permite que o jogador se esqueça que as hipóteses não estão a seu favor.

A estrutura do mundo é uma verdadeira obra prima de design, quase como um Metroidvania em 3D, onde tudo se liga. Existem segredos que vão recompensar os audazes que tentarem explorar o cenário, e atalhos que, uma vez desbloqueados, ligam as áreas entre si de formas que nos surpreenderam. Dark Souls não tem um mapa, nem um indicador de onde devem ir, mas não precisa, porque o seu design informa o jogador.

Na área inicial, por exemplo, uma personagem indica que devem tocar dois sinos, um em cima, outro em baixo. Contudo, existem três caminhos que podem seguir. Qual é o caminho correto? Fácil, é o caminho em que os inimigos não matam o jogador com um golpe. Não é a forma mais subtil de guiar o jogador, mas é um excelente cartão de visita para apresentar o jogador ao tipo de "castigo" que o espera.

Depois há a jogabilidade, extremamente apurada e desafiante. Ao contrário da maioria dos jogos de ação, Dark Souls não funciona ao nível de combinações ou grandes desvios. É um jogo com um ritmo de combate muito lento, onde devem ler e interpretar os movimentos do inimigo. É muito mais um jogo de reação do que ação, mas onde vale tudo. Um assustador dragão, por exemplo, pode ser morto com míseras flechas. Pode passar cinco minutos a atirar flechas ao monstro, mas eventualmente será derrubado, e serão recompensados por isso se tiveram a paciência e a ingenuidade para o derrotar.

Bloodborne, que não é oficialmente da família de Dark Souls, mas que partilha muitas semelhanças (e é dos mesmos criadores), veio alterar um pouco a fórmula. O facto de retirar o escudo ao jogador, obrigou-o a ter de se adaptar a outros estilos de jogo, o que acabou por dividir os fãs. Uns preferem o estilo mais lento e reacionário de Dark Souls, enquanto que outro preferem a maior ação e combate à base de contra-ataques (via arma de fogo) de Bloodborne.

Existe também um sistema RPG, que permite ao jogador abordar uma série de estilos. A abordagem clássica envolve uma personagem com grande armadura, um escudo, e uma espada, mas também podem ser um mago que atira bolas de luz, um piromaníaco que domina o fogo, ou um assassino que causa ataques devastadores atacando os inimigos pelas costas. Existem várias opções ao vosso dispor, e a escolha que fazem ao início não vos prende a estilo de jogo. Podem evoluir a personagem como quiserem, especializando-a em áreas de combate, ou criando um lutador adequado em várias disciplinas.

Dark Souls não seria o mesmo sem os vários bosses que povoam o mundo de jogo, prontos para levarem os jogadores ao desespero. Por vezes parecem injustos, quase impossíveis, mas a beleza é que não o são. Embora difíceis, os bosses obedecem a comportamentos muito bem definidos, que cabe ao jogador aprender conforme os enfrentam. É um processo de aprendizagem, e se à primeira tentativa foram dizimados, se calhar à terceira já lhe tiraram metade da vida. E depois, quando finalmente os conseguirem derrotar, serão invadidos por um pequeno estado de euforia, um misto de triunfo com alívio, por terem finalmente passado algo que inicialmente podia parecer impossível.

Dark Souls, e Demon's Souls antes dele, destacou-se também pela sua abordagem à jogabilidade. Embora estejam sozinhos no mundo, se estiverem a jogar online, essa sensação de isolamento é um pouco menor. Todos os jogadores podem deixar mensagens no chão, com avisos de perigos ou tesouros nas proximidades (também podem deixar enganos ou simples mensagens de desespero). Podem ainda interagir com poças de sangue, de jogadores mortos, que podem servir de aviso para o que vem a seguir. Se vêm que um jogador entrou numa sala e morreu de imediato, então se calhar vão entrar com muito mais cuidado...

Um elemento que tem alguns fãs entre a comunidade de Dark Souls, embora não toda, é o PvP. Dependendo de algumas condições, podem invadir o mundo de outros jogadores, ou serem invadidos. É mais um elemento que acrescenta perigo a este mundo já de si desolador, e que alguns jogadores não apreciam, mas podem sempre jogar offline...

Dark Souls é também um verdadeiro RPG, com um complexo sistema de atributos, habilidades, e peças de equipamento. Existem dezenas de peças e armas para encontrarem, que podem melhorar com os recursos que vão encontrando pelo caminho. As almas que recolhem servem também para evoluir o nível da personagem, e permitem comprar itens, o que as tornam num bem valioso. Daí ser tão importante conseguir recuperá-las quando morrem, já que uma segunda morte antes de as recuperarem implica perdê-las em definitivo.

Dark Souls é por tudo isto um dos jogos mais importantes da última década. Um jogo verdadeiramente original, que entretanto inspirou vários jogos, e foi descaradamente copiado por outros. Considerando o seu re-lançamento recente, nunca houve melhor altura para ficarem a conhecer este clássico moderno dos videojogos.

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