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Especial Cosplay em Portugal: Parte 1

Adriana Silva, Mafalda Mendes, e Alexandra Realista, partilharam connosco a sua experiência de cosplayers.

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O cosplay é um fenómeno a ganhar força na sociedade portuguesa. Em eventos de videojogos e animação japonesa são já uma presença tremenda, mas mesmo em acontecimentos 'mainstream' a sua participação começa também a surgir, como é disso exemplo o Rock in Rio 2018. Várias editoras passaram a contratar cosplayers para darem cor e vida aos seus eventos, e esta é uma tendência que veio definitivamente para ficar.

Mas o que é afinal "cosplay"?. A palavra em si, inglesa, é abreviatura de "costume play", que é o mesmo que dizer a representação de uma personagem através de um fato representativo da mesma. Anime e videojogos são o grande foco dos cosplayers, mas qualquer meio serve, desde banda desenhada a cinema. E mais que apresentar um fato alusivo à personagem, é preciso também encarnar a sua personalidade, não só em posses, mas em comportamento também. O cosplay é também uma arte disponível aos dois sexos, ainda que o género feminino tenda a dominar o número de cosplayers.

Adriana Silva, Mafalda Mendes, e Alexandra Realista são três cosplayers profissionais (ainda que não vivam exclusivamente disso), contratadas para colorirem o recinto do Rock in Rio em novo do Worten Game Ring. O Gamereactor aproveitou a presença no evento para conversar com as três, sobre as suas experiências enquanto cosplayers, numa entrevista que podem ver em baixo. Na próxima semana iremos também publicar uma entrevista com Leonor Graças, da Associação de Cosplay portuguesa.

Adriana Silva - podem segui-la aqui.

Como nasceu a paixão pelo cosplay?
Adriana Silva: Quando era miúda acompanhava a Sailor Moon na televisão, e como fã da Sailor Saturn, adorava vestir-me como ela. Mais tarde apaixonei-me por Naruto, e nessa altura descobri que existam fatos na internet. Decidi encomendar e começar a usar, até que uma amiga em 2009 me avisou de que já existiam convenções de cosplay e eventos próprios.

Alexandra Realista: Eu comecei em 2012, quando fui ao primeiro evento. Comecei a ver muitas pessoas vestidas como as personagens, e decidi experimentar também. Foi assim que começou esta 'pequena brincadeira'.

Mafalda Mendes: Eu comecei sobretudo porque era grande fã de videojogos e de desenhos animados japoneses. Através da internet descobri o que era o cosplay, e mais importante que isso, que existiam eventos em Portugal sobre a cultura pop japonesa onde também faziam cosplay. Decidi juntar-me!

Como alguém passa de fazer cosplay como brincadeira, para o fazer de forma profissional?
Adriana Silva: É complicado, porque é preciso ter sorte, esforço, dedicação, e os contactos certos. É preciso usar esses contactos, ir ao máximo de eventos possível, divulgar os cosplays na internet e apostar no marketing digital. É um misto de tudo isto. Quem queira fazer cosplay de forma profissional tem de se esforçar e esperar que apareça o momento certo, o que não é fácil.

Os vossos fatos são todos feitos por vocês?
Adriana Silva: A maioria não. Normalmente mando vir e altero, ou peço a ajuda a amigas, como a Alexandra. Trabalho mais com 'props' e armaduras, não tanto com os fatos propriamente ditos.

Mafalda Mendes: Normalmente faço os meus próprios fatos, embora neste caso tenha sido a Alexandra. O tempo para fazer um fato é muito relativo. Já tive um fato que me demorou dois meses...

Alexandra Realista: ... Já tive um que me demorou um ano a fazer, e outra armadura que também me demorou quase um ano a fazer. Outros consigo fazer numa tarde, porque são mais simples. Depende muito.

E quais são os critérios para escolher um fato?
Adriana Silva: Primeira que tudo, tem de ser uma personagem com que me identifique, e que tenha um design que aprecie. Se não sentir uma ligação forte com a personagem, eu não o faço, a menos que seja em trabalho.

Mafalda Mendes: É o mesmo, tenho de me identificar com a personagem.

Alexandra Realista, podem segui-la aqui.

E a dificuldade do fato, não entra na equação?

Mafalda Mendes: Não, não! É por isso que por vezes demoramos um ano a fazer um cosplay. Tive uma armadura, de cabeça aos pés, que decidi fazer apesar de não ter conhecimento nenhum, e lá acabei por a fazer.

Qual foi até hoje o vosso cosplay favorito?
Alexandra Realista: Asuna Yūki, de Sword Art Online.

Mafalda Mendes: Cindy Aurum de Final Fantasy XV.

Adriana Silva: A que estou a usar hoje, 2B, de Nier: Automata.

Que cosplayers vos inspiraram?
Adriana Silva: Muitos servem de inspiração, mas destaco a minha amiga Calssara, da Alemanha.

Alexandra Realista: Yaya Han.

Mafalda Mendes: Várias. A Yaya Han, o Reika, a Alyson Tabbitha.

Todas: Sim, a Alyson é espetacular!

As cosplayers femininas acabam por ter muita atenção do público masculino. Como ligam com essa atenção?
Adriana Silva: Depende... se forem simpáticos, tratamos todos 'na boa', mas existem situações mais complicadas. Até já me seguiram até casa, e outras situações do género que ultrapassaram o aceitável. Tendo tratar destas situações de forma profissional, mas existem casos em que é preciso cortar de vez.

Mafalda Mendes: Existem indivíduos que olham para nós e não vêem a pessoa, só vêem a personagem, e a certo ponto isso torna-se numa fantasia, mas precisam de ter a consciência de que na realidade somos pessoas, e devemos ser tratadas com respeito.

Que conselhos têm para quem quiser começar a fazer cosplay?
Adriana Silva: Não liguem a quem vos tente mandar abaixo, façam o que quiserem, desde que seja apropriado e não faltem ao respeito a ninguém. O cosplay nem sempre corre bem, mas não deixem que isso vos desanime. Se continuarem a tentar, a longo prazo vão colher os frutos desse esforço.

Alexandra Realista: Acima de tudo, divirtam-se!

Mafalda Mendes: Não se deixem intimidar por outros só porque o vosso fato é pior, porque eventualmente será melhor. Há um ano não acreditaria que estaria a trabalhar como cosplayer no Rock in Rio, mas aqui estou.

Já existe uma grande comunidade de cosplayers em Portugal... como é essa comunidade? Dão-se todos bem?
Adriana Silva: É como em todo o lado... existem grupinhos dentro da comunidade, e depois existem uns que só se dão com certos grupos, outros que se dão com todos... enfim, é como no trabalho ou como na escola. O principal é a pessoa não se preocupar muito com isso e fazer o que gosta.

Mafalda Mendes: podem segui-la aqui.