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Conheçam a jovem portuguesa que está a conquistar a Xbox

Catarina Macedo está a trabalhar na Microsoft, em Seattle, e concedeu uma entrevista ao Gamereactor.

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Foi há vários anos que conheci Catarina Macedo, na altura uma adolescente apaixonada por videojogos que participou numa "noitada" da revista PSM2. Já nesse dia demonstrava a ambição de trabalhar na indústria de videojogos, curiosa por saber um pouco mais sobre como seria trabalhar na indústria de videojogos (no nosso caso enquanto jornalistas). Agora, Catarina está a trabalhar bem no centro da Microsoft e da Xbox, em Seattle, com o cargo de Program Manager do Xbox Live, e aceitou conceder uma entrevista ao Gamereactor, partilhando a sua experiência ao longo de todo o processo... que ainda agora vai no início.

Conhecemos-nos há vários anos, numa "noitada" da revista PSM2. Na altura já mostravas grande interesse em videojogos e na indústria, mas imaginas que conseguirias chegar onde estás hoje?
Guardo boas memórias desses tempos e em particular dessa "noitada"! Eu comecei a jogar desde mesmo muito cedo, e sempre foi algo que me fascinou desde criança. A paixão pela indústria cresceu exponencialmente quando comecei a encontrar comunidades que partilhavam o mesmo sentimento (no início o fórum da revista PSM2, depois muitos outros fóruns online e por fim na Xbox Live). Decidi cedo que o meu trabalho de sonho seria na indústria dos videojogos, mas esse sonho teve várias iterações ao longo dos anos. Se achava que chegaria onde estou hoje em tão pouco tempo? Confesso que não, mas olhando para trás estou imensamente orgulhosa de todo o trabalho que fiz para chegar até aqui, e nas pessoas incríveis que encontrei pelo caminho.

Como surgiu a possibilidade de começar a trabalhar na Microsoft Portugal?
Quando me mudei de Braga (onde fiz a Licenciatura em Engenharia Informática) para Lisboa (para continuar o Mestrado no Técnico), candidatei-me para ser Microsoft Student Partner, que é um programa que abrange estudantes de todas as universidades e onde trabalhamos muito perto com pessoas da Microsoft Portugal para produzir eventos nas respectivas universidades. Acabei por ser escolhida para ser MSP do Técnico, e no fim desse ano convidaram-me para ir trabalhar para a Microsoft Portugal e gerir o programa a nível nacional. Daí surgiram outras oportunidades internamente e já estive em diversas equipas ao longo destes anos (5 desde que me juntei).

Há dois anos mudaste-te para Seattle, onde estás a trabalhar diretamente com o departamento Xbox. Como foi a adaptação à realidade norte-americana?
Quando vim originalmente para Seattle não foi para trabalhar na Xbox directamente - vim para ser Technical Evangelist e trabalhar com parceiros a nível mundial num outro departamento da Microsoft. Foi super entusiasmante fazer a mudança porque queria imenso ter a experiência de trabalhar internacionalmente (especialmente aqui nos USA), e claro que o objectivo final seria sempre procurar a oportunidade de trabalhar na equipa da Xbox. Adorei o projecto inicial, mas a oportunidade de me mudar para a Xbox surgiu bem mais cedo do que esperava, e graças a ter um manager, mentores e uma equipa espectaculares na altura, todos me apoiaram na decisão final de me candidatar e, quando a oferta foi feita, de me mudar.
Em relação a trabalhar aqui nos Estados Unidos, é algo que adoro - um ambiente super fast-paced, em que as decisões têm um grande impacto num grande número de pessoas, e o facto de estar no "centro" da Microsoft faz com que esteja exposta a imensos eventos, iniciativas e experiências que de outra forma seria impossível. No lado mais pessoal, os primeiros meses são sem dúvida passados a perceber como tudo funciona nesta realidade diferente, das coisas mais básicas (que comida gosto no supermercado?) às mais complicadas (como se faz o IRS?!), mas felizmente tenho o apoio de outros portugueses que estão nesta aventura comigo (que também se mudaram de PT para cá com a Microsoft), o que ajuda imenso a sentir-me um bocadinho mais em casa. As saudades da família e dos amigos é uma realidade, claro! O que posso sem dúvida dizer é que cresci imenso a nível professional e pessoal nos últimos dois anos.

Atualmente assumes o cargo de Program Manager do Xbox Live. Que tipo de funções estão inerentes a esse cargo?
Basicamente o trabalho da minha equipa no dia-a-dia é garantir que todos os serviços dos quais somos responsáveis estão a correr de forma óptima e sem problemas - e que, quando há problemas, damos resposta o mais rapidamente possível para que os utilizadores tenham o mínimo impacto. De resto passo muito do meu tempo a pensar e planear quais as próximas funcionalidades que queremos implementar na Xbox e Xbox Live, juntar a equipa certa, e levar essas funcionalidades desde a sua idealização até ao desenvolvimento e lançamento. Asseguramo-nos sempre que estamos a ouvir os nossos utilizadores, e levamos todo o feedback que recebemos muito a sério. Faz parte de todas as fases do ciclo de desenvolvimento analisarmos aquilo que os fãs mais querem ver de nós. Lidero também um dos pilares da nossa iniciativa Women in Gaming, que tem sido um excelente experiência e da qual adoro fazer parte. Um bocadinho mais separado das minhas funções, e porque adoro a indústria dos esports, voluntario-me noutras iniciativas: giro os canais de social media do Gears of War durante eventos do Pro Circuit e sou host em alguns dos programas do Mixer!

Podes falar sobre o que estão a trabalhar neste momento?
Não posso dizer muito que não seja público [sorrisos]! Uma boa parte do meu tempo ultimamente tem sido a iterar a nossa nova parceria com o Discord (funcionalidade que está neste momento em Preview para as pessoas que fazem parte do Xbox Insider Program) para ter a certeza que tudo corre bem quando for o lançamento para toda a audiência. Como a minha equipa se foca fundamentalmente nos aspectos mais sociais da Xbox Live, temos trabalhado em experiências que assegurem que os nosso fãs encontram as pessoas certas com quem jogar e interagir e que o tempo que passam no nosso ecossistema é sempre divertido e informativo.

Voltando atrás no tempo, agora que está por dentro, o que te parece a indústria dos videojogos? Está próximo daquilo que tu pensavas?
Sim, muito próximo! Eu esperava muito trabalho, diversão, desafios, aprendizagem constante e a oportunidade de trabalhar com pessoas apaixonadas e inspiradoras - e aqui na Xbox encontrei tudo isso. Estou simplesmente a adorar a experiência e é sem dúvida um sonho concretizado.

Sabemos que não nos podes dizer nada sobre a E3, mas se já sabes de algo, podes ao menos dizer se os fãs de Xbox podem esperar boas surpresas?
Estamos super ansiosos para mostrar alguns dos jogos e experiências que estão para vir em 2018 e no futuro. Mas temos todos que esperar até à E3 para saber mais!

Continuando no tópico da E3. Quanto é que te vamos ver subir ao palco?
Ah! Espero que brevemente!

Também fazer parte do Women in Gaming, da TeamXbox. Qual é o objetivo do grupo?
O objectivo do Women in Gaming é promover eventos e iniciativas para assegurar que todas as mulheres se sintam representadas na indústria dos videojogos. Fazemos tudo para promover um sentimento de comunidade: desde termos os nosso canais de social media, eventos com a indústria (no GDC, E3 e outros), eventos locais com caridades e escolas, e até eventos internos para todas as mulheres que trabalham na equipa da Xbox. Tem sido uma honra e um orgulho liderar uma parte desta equipa e o impacto que temos tido de ano para ano é incrível. Sei que estamos a fazer diferença, na indústria como um todo e internamente.

Agora que está por dentro, o que achas da presença de mulheres na indústria? Pensas que já existe um ambiente diverso, ou ainda é preciso muito trabalho?
Embora faça parte da indústria Tech há alguns anos, apenas estou na indústria dos videojogos há 1, por isso torna-se difícil de comparar e arrisco a que a minha voz não seja a mais representativa. Mas olhando para os números - embora haja melhorias de ano para ano, sem dúvida que há trabalho a fazer tanto no âmbito de atrair mais mulheres para a nossa indústria, como em reter aquelas que já cá estão. Estou absolutamente optimista que é algo que vai melhorar exponencialmente, e tenho um orgulho imenso em tudo que a Xbox está a fazer a este nível. O discurso do Phil Spencer na abertura da DICE é uma absoluta referência e mostra o quanto a Xbox e a Microsoft estão focadas neste tema.

Também se falou muito de ataques e assédio a mulheres através de jogos online. Enquanto jogadora, isso é algo com que tens tido de lidar? Já tiveste alguma situação realmente desconfortável?
Penso que a maior parte das mulheres, num momento ou outro das suas vidas como jogadoras, tiveram que lidar com situações menos confortáveis, eu incluída. Sempre lidei com essas situacóes de forma saudável, e hoje em dia é raríssimo - honestamente não me lembro da última instância em que tenha que ter lidado com algo assim online. Há 10/12 anos atrás era um pouco diferente, o que apenas mostra que estamos a dar os passos certos como indústria e a maturarmos no sentido certo.

E o futuro? Queres continuar a crescer dentro da Microsoft e da Xbox, ou tens planos para te mudares?
Estou incrivelmente feliz na Microsoft, na Xbox e na minha equipa. Os meus planos são de continuar a crescer aqui enquanto continuar a haver oportunidades de ser desafiada e de aprender, que é sem dúvida o mais importante para mim quando penso no desenvolvimento da minha carreira. Ser uma mega fã da Xbox ajuda claro: não é em qualquer lugar que irei encontrar um trabalho onde acordo todos os dias com energia e vontade de ir trabalhar e poder contribuir para algo que me apaixona.

Por último, pedimos-te um conselho. Para jovens portugueses que querem seguir um percurso semelhante ao teu, o que tens para lhes dizer?
Não desistam dos vossos sonhos! Perdi a conta à quantidade de vezes que ouvi, quando dizia que queria vir para os EUA trabalhar na Xbox, "isso é um sonho", "isso não acontece", "tens que ter pelo menos 10 anos de experiência" e variantes disto. Mas no meio destas vozes, encontrei outras que sempre me apoiaram e acreditaram em mim, e foi decisão minha agarrar-me a essas em vez de baixar os braços e conformar-me. Se querem algo, trabalhem o máximo para isso e agarrem todas as oportunidades que vos surgirem à frente. O caminho raramento é claro, mas no fim, prometo que faz sentido.

Melhor sorte do mundo, e parabéns por tudo o que tens conseguido!
Obrigada!!

Catarina Macedo à esquerda, com a apresentadora do All Access, Kate Yeager