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Entrevista com o novo comandante da Nintendo Portugal

Jorge Vieira, veterano da indústria, é o novo gestor de produto da Nintendo.

No último mês foi anunciado que Nelson Calvinho, um dos principais impulsionadores da presença oficial da Nintendo em Portugal, iria abandonar a empresa. O cargo, gestor de produto, passou para Jorge Vieira, que até então assumia funções como responsável do departamento de relações públicas. Com um longo percurso enquanto jornalista de videojogos, e depois de vários anos ao lado de Nelson Calvinho na Nintendo, Jorge Vieira assume agora o leme, não com o objetivo de remar contra a maré, mas antes pelo contrário, o de manter o rumo a bom porto.

"Como o próprio Nelson Calvinho disse, é uma mudança da continuidade. Vamos fazer os possíveis para que o consumidor não note qualquer diferença no bom trabalho feito até ao momento. O Gonçalo Brito [entrou para o lugar ocupado por Jorge Vieira até ao momento] também é alguém que conheço há algum tempo, com experiência na área, e por isso acredito que a transição será tranquila."

Foi já nesta configuração, de Jorge Vieira e Gonçalo Brito, que nos encontrámos com a Nintendo no Lisboa Games Week. A sua presença no evento não passou despercebida, com grande foco claro está na Nintendo Switch, e como tal não podíamos deixar de falar com Jorge sobre o presente e o futuro da empresa. E será que esse futuro passa pela edição 2018 do Lisboa Games Week?

"Mantemos aquela que tem sido a nossa abordagem até ao momento, ou seja, consideramos os eventos caso a caso. É preciso considerar o orçamento, os lançamentos da Nintendo, e perceber se faz sentido apostar nos eventos. Este ano foi o ano de estreia da Nintendo Switch, temos um catálogo muito apelativo para os jogadores, e como tal fazia todo o sentido estarmos onde estão os jogadores. No próximo ano... logo se vê. À partida também vamos à Comic Con, mas ainda não está nada fechado."

Já depois desta conversa, a Nintendo confirmou que irá mesmo à Comic Con (detalhes do evento aqui), mas tão ou mais importantes que os eventos externos, são os eventos internos. De forma mais íntima, a Nintendo costuma organizar os seus próprios pequenos eventos para a comunidade, e também ajuda os de outras comunidades, algo que é para manter no futuro.

"Tentamos fazer eventos com a comunidade com regularidade. Às vezes promovemos mais esses eventos, outras vezes menos, mas já reunimos a comunidade de Pokémon, de Super Smash Bros, e até ajudamos na organização de outros eventos, ao nível de espaços e de despesas. E também já disponibilizámos o nosso próprio Show Room em Lisboa. Com a Nintendo Switch houve uma comunidade que se criou no Facebook que disparou [Nintendo Switch Portugal], e que é mais um sinal do sucesso da consola. Gostamos de reunir membros dessa comunidade na nossa sala, ainda que o espaço seja limitado e não nos seja possível convidar todos os membros. Penso que acaba por ser divertido também porque é uma oportunidade de se conhecerem uns aos outros, malta que socializa apenas via Facebook, e que assim pode interagir cara-a-cara. É algo que acaba por distinguir um pouco a Nintendo, esta ligação forte da comunidade, e é algo que queremos manter no futuro."

Por falar em futuro, o da Nintendo passa naturalmente pela Switch, uma consola que pegou de estaca em todo o mundo. Mas e Portugal? Um território que é há muito dominado pela PlayStation? Como estará a abraçar a consola mais recente da Nintendo?

"A Nintendo Switch está a correr bastante bem, e está a ajudar-nos a registar um crescimento de 25% de ano para ano. A família da Nintendo 3DS continua a vender bem, sobretudo num público mais juvenil, mas a Switch contribuiu decisivamente para esse crescimento. Ultrapassou as nossas melhores expetativas, e não só em Portugal, mas a nível global."

"Claro que ter dois jogos candidatos a melhores do ano ajuda, e penso que nunca tínhamos tido um ano assim. No mesmo ano ter um Zelda e um Mario desta qualidade é fantástico, e estamos muito satisfeitos com o seu contributo para o sucesso da Nintendo Switch. Dito isto, mantivemos-nos fieis à estratégia que anunciámos, de todos os meses lançarmos um exclusivo forte para a máquina durante o primeiro ano, e isso funcionou também ao nível das vendas. Até um jogo como o Arms, que é completamente original, foi muito bem recebido. Splatoon há muito que passou a marca do milhão a nível mundial, e até o 1-2 Switch, que não agradou a todos, acabou por vender bem. Tudo isto suportado pelas produtoras externas, com jogos como Doom, FIFA, e Skyrim, entre outros."

"Também tenho de realçar o impacto que os Indie estão a ter na Nintendo Switch e vice-versa, já que vários produtores independentes afirmam que a Switch foi a consola onde venderam mais unidades dos seus jogos. Ou seja, como primeiro ano, era muito difícil pedir-se melhor do que fizemos."

Jorge Vieira é o novo gestor de produto da Nintendo Portugal

The Legend of Zelda: Breath of the Wild e Super Mario Odyssey são dois jogos de grande categoria, mas... qual é o melhor? A nossa opinião reservamos para os especiais de Jogos do Ano que iremos publicar lá mais para o final de dezembro, mas a de Jorge Vieira podemos partilhar já em baixo.

"A nível pessoal? The Legend of Zelda: Breath of the Wild. O Super Mario Odyssey é fantástico, mas em termos de design de jogo, de ideias inovadoras, e de impacto que pode vir a ter noutros produtores, o Zelda fica à frente. Acho que daqui a uma década vamos olhar para trás e recordar 2017 como o ano em que saiu Breath of the Wild. Penso é um desses jogos especiais."

Nenhuma consola sobrevive apenas com exclusivos, e a Nintendo Switch não é exceção. Jogos como FIFA 18, Doom, e The Elder Scrolls V: Skyrim estão entre os títulos multi-plataformas de maior renome, mas as comparações não têm sido favoráveis à consola da Nintendo. Como se esperava, a Switch não consegue apresentar a mesma qualidade gráfica nestes títulos que as outras versões, mas será que "para isso mais valia estar quieto" como defendem alguns?

"Comparando com outras versões, as da Switch acabam por ser tecnicamente mais fracas, mas essa não é questão que devem perguntar. O que importa saber é se o jogo é bom ou não, e se funciona bem ou não. Se começamos a comparar, sim, não podemos pedir à Switch que consiga a mesma capacidade gráfica que as outras, mas para mantermos esse critério, também temos de comparar a portabilidade desta versão com as outras, e ganha a Switch por motivos óbvios. É como agora ter de se escrever nas análises das outras versões que "é bom, mas não é portátil." Penso que não é isso que se quer, há que manter um critério justo. E é preciso lembrar que nem todos têm um PC topo de gama, uma PS4, ou uma Xbox One. Muitos só têm acesso a estes jogos pela primeira vez na Nintendo Switch, e é para esses que é preciso dizer se os jogos na Switch são bons ou não."

Para que fique registado, partilhamos da mesma opinião que o Jorge Vieira. Desde que os recursos não estejam a ser desviados de outros projetos (e não acreditamos que estejam), e as adaptações sejam geralmente positivas, quantas mais melhor. Aliás, até esperamos ver mais jogos multiplataformas na Switch em 2018, além de uma continuidade na aposta de jogos exclusivos, mas será a Nintendo capaz de manter este registo?

"Essa é a verdadeira questão, certo? Saber se vamos conseguir manter este ritmo. Eu acredito que sim, mas se em 2018 tiver um jogo tão bom como o Zelda ou o Mario em exclusivo na Nintendo Switch, já fico contente. E é preciso lembrar os jogadores de outro pormenor. Os jogos mais populares da Nintendo 3DS ainda nem saíram na Switch. Jogos como Monster Hunter, Pokémon, e Animal Crossing, por exemplo, jogos que por norma ainda vendem mais portáteis que Mario e Zelda, não saíram ainda na Switch. Acredito que existem vários jogos no segredo dos deuses que vão dar que falar e surpreender os jogadores. E claro, é preciso não esquecer também o apoio das outras editoras."

Com as 'imperiais' de ambos já vazias, só havia tempo para mais uma questão, e não resistimos perguntar a Jorge Vieira, qual é a sua opinião sobre a recente polémica das loot boxes, das micro-transações, e das mecânicas "pay-to-win".

"Eu pessoalmente espero que a Nintendo consiga resistir à tentação de adotar esses modelos, e olhando de fora para todas estas polémicas com micro-transações, tenho de me assumir como sendo contra um modelo pay-to-win que não seja devidamente assumido pela editora. Acho que isso a longo prazo nunca dará bons resultados, e penso que é isso que estamos a ver. Penso que algumas editoras estão a testar as águas, a ver até onde podem ir, e agora estão a ter a sua resposta, porque no fim os jogadores votam com as suas carteiras."

A terminar, Jorge Vieira anunciou ainda que as vendas dos Amiibos tiveram um crescimento de 65% em relação a 2016, em Portugal, e atribuiu grande parta da 'culpa' à Nintendo Switch. Agora resta esperar que venha 2018, e se possível, um ano tão bom para a consola, a editora, e os seus jogadores, como foi 2017.

Nintendo Switch, Nintendo 3DS, e Amiibos - de vento em popa
Super Mario Odyssey, The Legend of Zelda: Breath of the Wild, e Mario + Rabbids Kingdom Battle foram três exclusivos em destaque.
The Elder Scrolls V; Skyrim, Doom, e FIFA 18 são três exemplos da aposta das editoras na Switch.