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Eliza

Eliza

Um jogo sobre inteligência artificial que permaneceu no nosso pensamento muito para lá dos créditos finais.

Eliza

O tópico da inteligência artificial está a ser cada vez mais debatido no mundo real, mas a verdade é que já faz parte do imaginário do entretenimento há muito tempo. Os videojogos não foram exceção, apresentando todo o tipo de abordagens ao tópico, e Eliza é mais um jogo a falar sobre o assunto. Não pensem, porém, que se trata de algo sem originalidade, pelo contrário. Eliza é um jogo muito focado em narrativa, não a bordo de uma nave espacial, não no futuro, mas antes muito mais próximo de casa e da atualidade.

Eliza funciona como se fosse uma novela gráfica, o que significa que grande parte da experiência resume-se a selecionar opções de diálogo e a escutar as outras personagens. Em Eliza vão seguir Evelyn, uma mulher que está desaparecida da sociedade há três anos, e tudo porque ajudou a criar uma inteligência artificial chamada precisamente Eliza.

Eliza foi desenhada para ajudar a fazer psicoterapia. Para a terapia funcionar, contudo, Eliza não pode falar diretamente com os pacientes, tem antes de usar outro humano que lê o que Eliza dita. Quando o jogo arranca, Evelyn decide voltar à sua antiga empresa, Skandha, para trabalhar precisamente como uma das pessoas que ajuda Eliza a tratar pacientes.

O jogo revela bem cedo que Evelyn carrega um grande desgosto, que o seu passado é doloroso, e isso revê-se numa postura reservada e quase apática ao longo de toda a aventura, que dura perto das quatro horas. A aventura não se resume naturalmente a Evelyn e Eliza, pelo contrário, apresenta um elenco de personagens muito interessante. Rae, por exemplo, é a responsável pelas infraestruturas onde estão a trabalhar, enquanto que Nora é uma antiga colega que Evelyn reencontra.

Considerando que a experiência de jogo de Eliza vive sobretudo da narrativa, não vamos revelar mais dados concretos sobre o que vos espera. O que podemos dizer é que as diferentes personagens acabam por ter um impacto na vida de Evelyn, tanto a nível emocional, como intelectual. Por outro lado, Evelyn também consegue trazer algo para a vida dessas personagens, apesar da sua postura reservada, e em parte é aqui que as decisões dos jogadores têm impacto.

O jogo apresenta um estilo visual com personagens e ambientes pintados à mão, que ajuda a dar vida ao mundo de Eliza, mas isso é secundário perante a narrativa, dividida entre seis capítulos. O guião é incrivelmente humano e relacionável, ao ponto de ter conseguido realmente tocar-nos a nível emocional. Cada uma destas personagens está a atravessar um dilema diferente, e todas têm algo no passado que lamentam, como todos nós.

O guião é excelente, mas não conseguiria ter o mesmo impacto se os atores não entregassem um desempenho louvável. Felizmente, a qualidade do seu trabalho merece rasgados elogios, conseguindo atingir todos os pontos necessários.

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O que nos levou a realmente apreciar a narrativa de Eliza é o facto de colocar várias perguntas ao jogador, nem sempre fornecendo respostas. Como devem calcular pelo tópico em mãos, existem muitas questões centradas na inteligência artificial, no que são ou não capazes de sentir, e na moralidade de as usar para nosso benefício, entre outras dúvidas que normalmente surgem neste género.

O facto de Eliza se destacar num tópico tão debatido é a prova da sua qualidade, e através do nosso próprio conhecido de terapia cognitiva, também reparámos que os métodos da IA são muito semelhantes aos usados na vida real. O jogo consegue causar algum desconforto, num bom sentido, sobretudo quando nos pedem que continuemos a cumprir com o guião de Eliza e deixemos as emoções humanas de lado. Vão surgir situações em que vão querer responder algo diferente do que Eliza preparou, e isso provoca um conflito interessante.

Pode parecer um cliché, quando dizemos que esta história de inteligência artificial é na verdade muito humana, mas é verdade. De certa forma lembrou-nos de Night in the Woods, no sentido em que são dois jogos que conseguem captar e transmitir humanidade com grande subtileza e eficácia. É possível que se revejam em algum momento de Eliza, e isso é algo muito poderoso.

O jogo tem uma interação interessante com o telefone, no sentido em que vão responder a emails e a mensagens. Não são informações essenciais para a história, mas ajudam muito a engrandecer o mundo de jogo, deixando pistas sobre as origens de Eliza, o passado de Evelyn, e os motivos que a levaram a um retiro de três anos.

Foi uma experiência curta, de três ou quatro horas, mas Eliza atingiu-nos como alguns jogos de 100 horas nunca conseguiram. É daquele tipo de narrativa que fica com o jogador mesmo depois dos créditos finais passarem, que apresenta dilemas, questões, e perspetivas que vos farão pensar. É por isso fácil recomendar Eliza a qualquer jogador que aprecie novelas gráficas, boas histórias, e o tópico de inteligência artificial.

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09 Gamereactor Portugal
9 / 10
+
Personagens convincentes. História emocional. Boa produção audiovisual. Propõe escolhas interessantes.
-
O final dura mais do que devia.
overall score
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