Donald Trump está previsto viajar para a China esta semana para buscar mediação no conflito com o Irã
Com sua popularidade em seu ponto mais baixo de todos os tempos, Trump está tentando construir laços mais próximos com Pequim por meio de acordos comerciais modestos, mas seus comentários severos nos últimos meses pouco fazem para garantir uma recepção calorosa.
Se há uma pessoa que não é particularmente habilidosa em fazer novos amigos, é o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Suas mensagens constantes e carregadas de tensão nas redes sociais não apenas tensionaram a política global e as relações internacionais de um jeito não visto desde a Guerra Fria, mas também isolaram seu país (e seus aliados, como Canadá e Europa) de outros acordos comerciais necessários para manter a economia ocidental flutuando. A cada dia que passa enquanto o bloqueio do Estreito de Ormuz e a guerra com o Irã se arrastam, o aumento dos preços dos combustíveis e a crise energética pioram. E a opinião pública americana está começando a se cansar. De acordo com uma pesquisa da Reuters, mais de 60% dos americanos se opõem à guerra com o Irã e à forma como a administração lida atualmente com o assunto.
A popularidade de Trump, mesmo entre os apoiadores que o impulsionaram à Casa Branca, está agora em seu nível mais baixo de todos os tempos, e o presidente precisa de vitórias no cenário internacional, enquanto luta nos tribunais para defender seu ataque ao Irã. Por isso, ele viajará à China junto com uma delegação de CEOs de grandes multinacionais para se encontrar lá com o presidente da República Popular da China, Xi Jinping, com o objetivo de que o líder chinês também medie nas negociações de paz no Paquistão com os iranianos. A reunião acontecerá na capital, Pequim, nos dias 14 e 15 de maio, e incluirá visitas a alguns dos monumentos históricos mais conhecidos da cidade, como o Templo do Céu, um Patrimônio Mundial da UNESCO.
No entanto, diplomatas chineses deram uma recepção fria a esse "convite", especialmente porque já se passaram apenas alguns meses desde que o próprio Trump começou a minar as relações comerciais entre seu país e a China, acusando a nação asiática de "trapacear" em relação aos preços. Isso desencadeou a conhecida guerra tarifária, que gradualmente foi deixada de lado. Segundo alguns analistas, a mediação com o Irã exigiria que os Estados Unidos deliberadamente façam vista grossa para que a China continental possa tomar medidas rumo a manobras para a adesão da ilha de Taiwan.
Segundo a Reuters, fontes próximas aos preparativos para as próximas negociações dizem que a China também exige que a administração Trump se comprometa a se abster de futuras medidas comerciais retaliatórias, como controles de exportação de tecnologia, e a reverter os controles existentes sobre equipamentos de fabricação de chips e chips de memória avançados.
Em resumo, Trump chega à China com menos cartas para jogar, enquanto a China provavelmente sai dessa reunião ainda mais confiante. Saberemos com certeza nos próximos dias.
