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Beyond: Duas Almas

Beyond: Duas Almas

Muito mais que um filme.

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Numa visita recente a Lisboa, Guillaume de Fondaumière, diretor executivo da Quantic Dream, afirmou que Beyond: Duas Almas era muito mais que um jogo. Agora, que experienciamos Beyond: Duas Almas de uma ponta à outra, somos da opinião de que a expressão correta será "Beyond: Duas Almas é muito mais que um filme."

Como Heavy Rain, Beyond não segue os arquétipos clássicos dos videojogos. Em vez disso procura oferecer uma experiência cinematográfica interativa, colocando-se numa linha muito tênue entre os videojogos e o cinema, onde acaba por não ser nem um, nem outro, mas antes algo único. Não é propriamente um jogo, mas classificá-lo de filme interativo, também não é justo. É mais que isso. E apesar de ter alguns problemas, Beyond: Duas Almas deve ser louvado pela ambição que demonstra, ao proporcionar uma experiência única, adulta e capaz de conferir emoção real.

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Ao contrário de Heavy Rain, onde podiam controlar várias personagens, Beyond: Duas Almas concentra-se em Jodie Holmes, uma rapariga que está presa a uma entidade desde a nascença. Uma entidade invisível chamada Aiden que consegue interagir com objetos e que é também jogável em vários pontos do jogo.

Jodie Holmes controla-se de forma semelhante às personagens de Heavy Rain, onde todas as ações são contextuais e o movimento é algo limitado. Aiden é completamente diferente. Como se trata de uma entidade incorpórea, Aiden consegue flutuar pelo ar e atravessar objetos, apenas limitado pela construção do cenário em si e por uma distância limite a que pode estar de Jodie.

Aiden consegue interagir com vários objetos, acionando-os ou empurrando-os. Mais importante que isso, consegue possuir algumas pessoas e assumir o seu controlo ou até sufocá-las. Considerando a restrição de ações e movimentos de Jodie, acaba por ser sempre refrescante assumir o controlo de Aiden.

Beyond: Duas Almas

Beyond: Duas Almas não é um jogo de habilidade. A proposta aqui não é uma de desafios, mas o de experienciar a narrativa. Nessa lógica os controlos tentam ser o mais simples possível. Com o Dual Shock 3 podem escolher entre dois tipos de controlo, um indicado para novatos e outro para veteranos. Em ambos vão movimentar Jodie com o analógico esquerdo e executar as ações contextuais com o analógico direito. Em alguns momentos terão também de utilizar o sensor de movimentos do comando.

Podem também experimentar um novo tipo de controlo, através da aplicação Beyond Touch, que está disponível gratuitamente para as plataformas Android e iOS. Este sistema de controlos funciona bastante bem e é uma excelente opção para quem não é um jogador habitual. O único problema prende-se com alguma latência que ocorre ocasionalmente.

Independentemente do tipo de controlo que preferirem, vão encontrar uma experiência algo limitada ao nível de jogabilidade. O movimento da personagem é algo preso e a ação é sobretudo contextual. Existem algumas sequências de luta, onde o jogo pára à espera de input do jogador. São momentos coreografados que devem acompanhar pressionado na direção correta com o analógico direito.

Também existem alguns momentos de ação furtiva. Não é nada de fazer inveja a Solid Snake ou Sam Fisher, e embora os controlos sejam algo insatisfatórios, Aiden oferece uma ajuda preciosa que deverá tornar estas sequências relativamente fáceis de ultrapassar.

Beyond: Duas Almas

Convém ainda referir que Beyond: Duas Almas pode ser experienciado, à vez, por dois jogadores Um controla Jodie, o outro controla Aiden. Não é um verdadeiro modo cooperativo, já que nunca jogam ao mesmo tempo, mas é uma boa proposta para quem gosta de jogar acompanhado, até porque os dois jogadores podem escolher estilos de controlo diferentes.

Beyond: Duas Almas recebeu muita atenção, não só porque vem da mesma produtora de Heavy Rain, mas também porque conta com um elenco de luxo. A atriz Ellen Page é a estrela de serviço, interpretando o papel de Jodie, e está acompanha por outros atores de renome, como Willem Dafoe e Kadeem Hardison.

As interpretações estão soberbas e conseguem transmitir grande credibilidade e emoção. Só não as classificamos como as melhores de sempre num videojogo porque as de The Last of Us estão também soberbas. Começa a ser evidente que as capturas de qualidade serão uma das apostas fortes da próxima geração, pelo menos nos jogos de maior destaque da Sony.

O jogo segue a tradição Sony e encontra-se totalmente localizado em português, não só ao nível da tradução dos menus e das legendas, mas também das vozes. O elenco português conta com nomes como Joana Santos, Rogério Samora, Ricardo Pereira e Rui Unas e até podem ver um vídeo da sua prestação em baixo.

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Beyond: Duas AlmasBeyond: Duas AlmasBeyond: Duas Almas

Beyond: Duas Almas é uma tremenda produção. Graficamente é um luxo. Claro que tudo decorre num ambiente muito controlado (embora com cenários maiores do que os de Heavy Rain) e com ações também elas limitadas, mas o resultado é inegável. Beyond é visualmente uma experiência impressionante.

Isso não se deve apenas ao fator técnico e às interpretações. Beyond: Duas Almas é bastante variado, ao nível de situações e de cenários. Neste aspeto é incomparavelmente mais rico que Heavy Rain. A ação decorre em comboios, laboratórios e esquadras. Vão sofrer com as condições extremas de zonas geladas e desertos tórridos. E experienciar situações tão diversas como uma festa de aniversário de adolescentes, um jantar romântico e uma missão furtiva para a CIA em território africano.

E o som não fica atrás da experiência. As vozes estão fantásticas e a banda sonora é fenomenal. Como acontece nos melhores filmes, a música de Lorne Balfe, produzida pelo lendário Hans Zimmer, ajuda a reforçar as emoções do jogo e ajusta-se sempre às situações que estão a decorrer no ecrã.

Beyond: Duas Almas

Ao contrário do que acontecia com Heavy Rain, Beyond: Duas Almas não apresenta a história de forma cronológica. O jogo divide-se em vários capítulos, que vão alternando eventos através dos 15 anos da vida de Jodie que retratam. Apesar de não seguir essa ordem cronológica, tudo faz perfeito sentido e é um testamento à qualidade de David Cage enquanto argumentista.

Jodie experiencia uma série de emoções e situações ao longo do jogo. Através da já referida interpretação de Ellen Page, vão sentir ternura, romantismo, desgosto, injustiça, felicidade e ansiedade. A história é de facto madura, apesar de incluir elementos sobrenaturais, ao contrário de Heavy Rain. Aliás, em termos narrativos parece mais próximo de Farenheit (outro jogo da Quantic Dream) do que de Heavy Rain.

Mas existem algumas queixas. Que tenhamos percebido, Beyond não tem "buracos" no enredo, ao contrário de Heavy Rain, contudo, também é uma experiência muito mais linear. As decisões tomadas são mais inconsequentes e a esmagadora maioria não tem relevância para o final. Aliás, podem esperar algo semelhante a Mass Effect 3, onde independentemente do que fazem ao longo do jogo, o final é sobretudo determinado pelas escolhas finais.

Beyond: Duas Almas

Existem várias situações possíveis em cada capítulo, mas o que muda essencialmente é o caminho. O objetivo é na maioria das situações o mesmo. Por exemplo, na sequência do comboio que já todos vimos, Jodie consegue fugir depois de uma perseguição no topo do comboio. Nós repetimos essa secção e fizemos tudo mal de propósito, o que acabou com Jodie capturada e aprisionada numa carruagem. Mas alguns segundos depois conseguimos libertarmo-nos e escapar para a floresta. Dois caminhos diferentes que acabam porém no mesmo sítio. Nesse sentido, Heavy Rain foi muito mais ambicioso.

Beyond: Duas Almas é algo único, já que não é, nem filme, nem jogo, mas algo no meio e embora não seja caso para dizer que reúne o melhor dos dois mundos, acreditamos que existe espaço para mais experiências interativas nas consolas e aplaudimos a ambição de David Cage e da Quantic Dream.

Aqui vão encontrar um projeto com emoção genuína, que tem uma protagonista memorável e uma história que vai agarrar o jogador. Tem alguns problemas ao nível dos controlos e o facto de ser mais linear que Heavy Rain causou alguma desilusão, mas globalmente, é fantástico. Vão rir, sorrir e, atrevemo-nos a dizer, chorar. Uma experiência madura e emocionante que deve ser apreciada sem preconceitos de jogador por todos os que tiverem uma PS3.

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08 Gamereactor Portugal
8 / 10
+
Jodie é uma personagem fascinante. Interpretações magníficas. Localização portuguesa. Grafismo soberbo.
-
É mais inconsequente que Heavy Rain. Jogabilidade limitada e controlos faltosos prejudicam a imersão.
overall score
Esta é a média do GR para este jogo. Qual é a tua nota? A média é obtida através de todas as pontuações diferentes (repetidas não contam) da rede Gamereactor