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DayZ

DayZ

Depois de anos no acesso antecipado, DayZ foi finalmente lançado no final de 2018. Será que valeu a pena esperar pelo jogo de sobrevivência?

  • Texto: Mike Holmes
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Considerando a importância de DayZ em termos de inspiração para jogos como PUBG, e o género Battle Royale no geral, não deixa de ser irónico que tenha chegado atrasado à sua própria festa. Originalmente lançado como um mod para Arma 2, a sua popularidade cresceu de tal forma que eventualmente tornou-se num jogo real. Isto aconteceu em 2012, e desde então, DayZ tem estado a atravessar períodos alpha, beta, e de acesso antecipado. O jogo só foi realmente lançado no final de 2018, numa altura em que o mercado está inundado de jogos Battle Royale e de sobrevivência.

Assim, como está DayZ neste seu estado de lançamento? Estará à altura das outras alternativas? É precisamente a isso que vamos responder nesta análise.

Ao entrarmos no jogo depois de já não jogarmos há algum tempo, foi notória a melhoria gráfica, embora ainda não seja um jogo bonito. Esperava-se mais de um jogo que esteve tanto tempo a ser produzido, e com tanto financiamento por parte dos jogadores, ainda que seja hoje um jogo muito diferente do mod de 2012. O motor de jogo foi melhorado, e vários sistemas de som e grafismo foram implementados, incluindo clima dinâmico, efeitos sonoros, revisões ao mapa, e um sistema de sobrevivência mais refinado. Mas esperávamos mais.

Não esperávamos uma campanha de história, ou algo do género, mas o facto de, após todo este tempo, ainda não existir qualquer tipo de contexto narrativo, ainda nos choca. Um pouco de informação sobre o mundo, o que causou este surgimento de zombies, e a localização, poderiam ter dado uma identidade maior ao jogo, mas a verdade é que não existe nada disso. Compreendemos que a narrativa não é, de todo, o foco do jogo, mas um pouco de contexto narrativo teria sido agradável.

Assim, o contexto que existe é o seguinte: estão num mapa recheado de zombies, outros jogadores, e uma civilização devastada, e o vosso objetivo é sobreviverem o máximo de tempo possível. É um conceito simples, que permite aos jogadores criarem as suas próprias aventuras e histórias no mundo de jogo, e verdade seja dita, tivemos alguns momentos gloriosos durante o nosso tempo com DayZ. Para veteranos, contudo, trata-se de uma experiência diferente. Para esses, os zombies já são pouco mais do que uma chatice, e o seu objetivo não é tanto sobreviver, mas expandir o mundo à sua volta com outros jogadores organizados.

Os jogadores têm de considerar uma série de elementos em DayZ, incluindo valores de sede, fome, e frio. Para alguém menos habituado, pode ser uma experiência dura, porque ao contrário de outros jogos parecidos, em DayZ existe uma real escassez de recursos. Terão de realmente procurar cada casa e sala para encontrarem até os itens mais básicos, e esta escassez, incentiva o conflito entre jogadores, já que podem recuperar o loot de qualquer jogador morto. Nem todos os encontros com outros jogadores acabam em conflito, mas é impossível não ficar tenso perto de alguém desconhecido, já que o seu cumprimento pode resultar numa literal facada nas costas mais tarde.

Quando eventualmente conseguirem recursos e armas, e dominarem os controlos, DayZ torna-se mais fácil, mas ser um lobo solitário neste mundo é uma situação de constaste vulnerabilidade. Seja um encontro imprevisto com um zombie, ou a preocupação em torno dos valores de comida e água, DayZ obriga a pensar na experiência do momento a momento de forma primal. Ainda assim, nada é tão perigoso quanto os outros jogadores, e eventualmente terão de entrar em conflito com alguém.

É nestes momentos que as falhas mais gritantes de DayZ se tornam evidentes. O combate não é satisfatório, com pouco peso e impacto. Para um jogo que se preocupa tanto em simular certos aspetos, é estranho que alguém tão vital para a experiência de jogo, como o combate, se apresente numa forma tão crua e desinteressante. O mesmo aplica-se às mecânicas e animações de movimento, e se saltar por cima de uma rede ao nível do joelho devia ser algo fluido e imediato, em DayZ acaba por ser penoso. Estes elementos acabam por quebrar a imersão de forma rude, prejudicando seriamente o impacto que o jogo poderia ter.

O mundo de DayZ é desolador, vazio, e sombrio, e é assim por design. O estúdio pretende passar uma sensação de isolamento e de desespero, mas o efeito secundário disso é que o mundo em si acaba por não ser interessante. Algo como Dark Souls, por exemplo, já nos provou que é possível criar mundos de jogos desoladores, que sejam ainda assim interessantes de explorar, mas não é o caso de DayZ. O facto de existir pouco loot é outro elemento que retira entusiasmo ao jogo, e em muitos momentos de DayZ, não se passa nada. É tudo muito básico, e acrescentado de forma quase aleatória. Não existe qualquer tipo de narrativa contada através do ambiente ou detalhes especiais, é tudo repetido e copiado.

Dito isto, o mundo de jogo é massivo, de tal forma que não nos foi possível ver tudo o que tem para oferecer, mas a nossa experiência mostrou-nos um mundo sem qualquer interesse.

A melhor forma de desfrutar de DayZ é com um ou dois amigos, enquanto tentam sobreviver em conjunto, da mesma forma que podem conversar e partilhar da experiência durante os muitos momentos mortos. Infelizmente, nem isso é capaz de fazer esquecer a interface trapalhona, a ausência de objetivos ou contexto narrativo, e os vários problemas técnicos. Assim, à entrada para 2019, DayZ surge como um jogo incapaz de ser relevante num mundo onde já existem melhores jogos de sobrevivência. A sua importância para o género é inegável, mas ao longo destes anos, outros pegaram nos seus conceitos e melhoraram-nos, e neste momento, DayZ é essencialmente um jogo obsoleto.

DayZDayZ
05 Gamereactor Portugal
5 / 10
+
Tivemos alguns momentos brilhantes durante as nossas sessões de jogo.
-
Continua a ser um jogo onde pouco acontece e repleto de problemas técnicos.
overall score
Esta é a média do GR para este jogo. Qual é a tua nota? A média é obtida através de todas as pontuações diferentes (repetidas não contam) da rede Gamereactor