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análises
Call of Cthulhu

Call of Cthulhu

Como o nome indica, Lovecraft é a grande inspiração deste jogo de terror.

  • Texto: Bengt Lemne
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Call of Cthulhu foi originalmente lançado como um jogo 'pen and paper', na década de 80, e é precisamente esse jogo que serviu de inspiração a este videojogo, agora disponível para PC, PS4, e Xbox One. Nesta aventura vão acompanhar Edward Pierce, um veterano da Primeira Guerra Mundial que entretanto começou a trabalhar como detetive privado. A vida, contudo, não lhe corre de feição, agastado com memórias da guerra, dificuldades na profissão, e uma vida consumida por álcool e medicamentos.

Sob a pressão de começar a resolver alguns casos, Pierce decide investigar a morte da família Hawkins, numa ilha chamada Darkwater. Sarah Hawkins era uma artista famosa, e é o seu pai, milionário, que contrata Pierce para investigar o caso. Não existem muitas pistas para seguir, com exceção de uma pintura misteriosa, e um recibo, que sugere que a pintura foi enviada por parte de um armazém em Darkwater. Sarah, o seu marido Charles, e o seu filho, morreram durante um incêndio, reportado como sendo acidental pela polícia, mas o relatório tem vários buracos, e ainda refere o facto de Sarah ter sido diagnosticada com perturbações mentais.

Darkwater é um sítio deprimente, construída em torno da indústria de pesca de baleias, algo que nos últimos anos decaiu severamente devido à escassez de baleias na região. Isto significa que o local é pobre, e muitos dos pescadores locais passam mais tempo a beber do que nos barcos. O caso arranca de forma convencional, mas com o avançar da aventura vão entrar numa viagem até ao oculto, onde terão dificuldades em distinguir o que é real ou imaginação, quem é amigo ou inimigo.

A nível de jogabilidade, Call of Cthylhu também evoluiu ao longo da aventura. O jogo arranca como uma aventura lenta, onde resolvem alguns puzzles e exploram alguns diálogos, mas eventualmente começa a introduzir sequências furtivas e ate algumas secções de ação. As consequências das decisões do jogador também começam a ser mais evidentes, e em algumas situações terão de investigar cenas de um crime, até recriando eventos conforme as pistas que descobrem. Existe ainda algumas habilidades que podem desbloquear e evoluir, que envolvem as várias ações que terão de fazer durante a aventura, desde a capacidade furtiva aos diálogos. Nada disto tem, contudo, um papel decisivo na aventura.

Call of Cthulhu não é um jogo espetacular em termos de mecânicas, mas funciona que baste, sobretudo para um jogo que vive sobretudo de narrativa e ambiente. Não gostámos muito de algumas secções onde o design decorre demasiado a uma abordagem de tentativa e erro por parte do jogador, sobretudo em ocasiões onde o objetivo nos pareceu demasiado obtuso, causando alguns momentos de frustração. Existem momentos onde um jogo deve deixar a mão do jogador, mas isso nem sempre é algo positivo.

O jogo destaca-se particularmente a nível de atmosfera e de ambiente, e vive também bastante através de um elenco extremamente sólido de personagens. Dada a qualidade dessas personagens, torna-se ainda mais impactante o facto de terem de tomar algumas decisões que vão afetar a sua vida.

E depois, claro, existe o terror, que em Call of Cthulhu surge na sua forma mais psicológica. O jogo inclui uma série de efeitos para simular várias condições, inclusivamente ataques de pânico, diminuindo a visão do jogador e a sua percepção. Ao longo do jogo vão também assistir a imagens perturbadoras, e a alguns efeitos sonoros que vos podem causar pesadelos. Existem ainda alguns truques inteligentes, como quadros que são substituídos ou deturpados, entre outros pormenores. E sim, também existem alguns sustos valentes.

A nível de localizações, podem contar com um desfile de zonas típicas do género: uma mansão abandonada, um hospital em declínio, uma esquadra, e caves misteriosas, para referir apenas alguns. Tecnicamente, Call of Cthulhu é algo modesto, com modelos, texturas, e animações medianas, e em muitos aspetos parece um jogo da geração passada, mas o jogo compensa isso com uma excelente atmosfera, e com uma experiência maioritariamente polida.

Não demorámos mais que uma dúzia de horas para ultrapassar os 14 capítulos que formam Call of Cthulhu, mas existe um certo incentivo para repetir a aventura, sobretudo para quem quiser reparar em pormenores que possa ter deixado escapar, e verificar o impacto de escolhas diferentes.

Embora pareça algo desatualizado em termos gráficos, e até ao nível de mecânicas de jogo, Call of Cthulhu consegue ainda assim proporcionar uma experiência experiência de terror e mistério, uma experiência que será particularmente interessante para quem aprecia o estilo de Lovecraft e ideias semelhantes. Pessoalmente, gostámos do nosso tempo com Call of Cthulhu.

Call of CthulhuCall of Cthulhu
Call of CthulhuCall of CthulhuCall of Cthulhu
07 Gamereactor Portugal
7 / 10
+
Usa bem a licença. Excelente atmosfera. História intrigante e bom elenco. Algumas cenas de terror impressionantes. Muitos segredos para desvendarem.
-
Secções furtivas e de ação são básicas. Jogo é tecnicamente banal. Podia ter mais escolhas e ramificações. Algumas sequências funcionam demasiado em torno de tentativa e error.
overall score
Esta é a média do GR para este jogo. Qual é a tua nota? A média é obtida através de todas as pontuações diferentes (repetidas não contam) da rede Gamereactor