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Red Dead Redemption 2

Red Dead Redemption 2

Esqueçam GTA, porque este sim é o melhor jogo que a Rockstar já criou.


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Todos os meios de entretenimento e arte têm os seus marcos, obras que, de uma forma ou outra alteram as nossas expetativas, e desafiam as convenções. Essas obras, ou momentos, tendem a deixar marcas, que recordamos mais tarde com carinho, mas só os verdadeiros mestres conseguem cumpri-los. No caso da indústria dos videojogos, a Rockstar está entre esse estreito lote. Grand Theft Auto III é um dos jogos mais influentes de todos os tempos, mas outros também deixaram marcas, como o salvamento da banda Love Fist em Vice City, ou a visita de Max às favelas brasileiras em Max Payne 3.

Para muitos jogadores, contudo, esses momentos surgiram em Red Dead Redemption, na companhia do eterno John Marston, e é precisamente em cima dos melhores momentos desse jogo que a Rockstar construiu as bases de Red Dead Redemption 2. O estúdio definiu um objetivo muito claro, e muito ambicioso, para esta sequela: o de criar uma experiência mais imersiva que qualquer outra na indústria, e na nossa opinião, conseguiu-o. Red Dead Redemption 2 é uma dessas raras experiências que mudou a nossa expetativa a nível do que pode ser feito em termos de narrativa, construção de mundo, e personagens, num videojogo.

É fácil resumir Red Dead Redemption 2 como "GTA no Velho Oeste", e existem de facto semelhanças, mas assim que começamos a jogar, percebemos que muitas das mecânicas e dos sistemas de GTA V, e até do Red Dead Redemption original, foram substituídas por algo diferente, algo melhor. Red Dead Redemption 2 marca o início de um ciclo novo para os jogos da Rockstar, ainda que tenha sido forjado nas bases de algo muito familiar.

Red Dead Redemption 2

Na era em que se passa Red Dead Redemption 2, o Velho Oeste está lentamente a morrer. A indústria está a tomar conta, a civilização está a modernizar-se, e o investimento está a crescer. Se a sociedade agradece esses avanços, os fora-da-lei, como Dutch Van der Linde, não os recebem de braços abertos. O lendário criminoso pretende fugir a todas as novas regras, ao aperto do governo, às expetativas da sociedade, e consigo, estão outros, de mentalidade semelhante. É por isso que partem em busca de novas terras, terras que ainda não tenham sido domadas pela civilização moderna, e ao seu lado está Arthur Morgan, o novo protagonista e um membro leal do gangue de Dutch. Morgan foi encontrado e adotado por Dutch, e cresceu sob os seus ideais, e isso torna-o num soldado leal até ao fim. A sua confiança nos ideais de Dutch é de tal forma que decidiu abdicar de casamento, crianças, e propriedades, tudo em nome de defender esse estilo de vida.

Mas, como devem calcular, Red Dead Redemption 2 não é um conto de fadas, em que todos vivem felizes. É uma história de tragédias, como se impõe dado o tema, e a sua força surge naquilo que é, reconhecidamente, um dos pontos fortes dos jogos da Rockstar: escrita, diálogos, e desenvolvimento das personagens. Vão conhecer muitas figuras interessantes ao longo desta jornada, mas no centro está sempre Arthur Morgan, que assume uma responsabilidade quase paternal para o gangue e o grupo de Dutch. Vão reconhecer algumas caras, vindas de Red Dead Redemption, embora mais novas (Red Dead Redemption 2 funciona como uma prequela). Não são pessoas simpáticas, pelo contrário, muitos são capazes de grandes selvajarias, mas a sua camaradagem acabou por lentamente nos conquistar.

Foram muito raras as ocasiões em que um jogo nos conseguiu tornar tão agarrados a uma das suas comunidades como Red Dead Redemption 2, e isso deve-se ao trabalho de desenvolvimento das personagens. Ao longo de muitas horas de jogo tornámos-nos familiares com estes indivíduos, passámos a conhecer as suas fraquezas e forças, as suas preocupações e ambições, e ganhámos um sentido de preocupação real. A escrita é brilhante, lembrando o jogador de eventos que aconteceram, pautando a história com pontos importantes, e uma atenção ao detalhe que não nos lembramos de ver noutro jogo.

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À medida que a aventura avança, o grupo de que são responsáveis também vai mudar de local, e essa transição serve também para marcar os atos da história. É um forte sentido de progressão, que consegue manter um ritmo perfeito ao longo de todo o jogo - nunca apressado, mas sem nunca se tornar aborrecido. Nestes acampamentos podem interagir com as outras personagens, ouvir as suas histórias, e modificar o aspeto de Arthur através das várias peças de roupa que vão ganhando ou comprando durante a aventura. Até podem cortar a sua barba, que cresce com o passar do tempo.

O desenvolvimento do acampamento, a qualidade de vida das suas pessoas, e a sua sobrevivência, estão diretamente dependentes do esforço - ou desprezo - do jogador. Partilhem dinheiro, entreguem carnes e peles, e protejam o acampamento, e serão recompensados com refeições que melhoram os atributos de Arthur, e com munições para as armas. Até podem melhorar as tendas de cada personagem, e modificar o aspeto do acampamento, tal é o nível de envolvimento. Podem ainda participar em vários mini-jogos, não só no acampamento, como noutros locais. Poquer e dominós são alguns exemplos, mas existem outros para descobrirem.

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