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análises
The Spectrum Retreat

The Spectrum Retreat

Um jogo de puzzles que dá primazia à narrativa.

  • Texto: Sam Bishop
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The Spectrum Retreat é um jogo dividido em duas componentes centrais: de um lado a narrativa, e do outro, uma estrutura montada em torno de puzzles. A história arranca com o jogador a acordar no Hotel Penrose, sem que a personagem saiba como chegou lá. Alguém misterioso depois fala com o jogador através de um telefone, informando-o que deve tentar sair do hotel, e que deve ter cuidado com o staff robótico que toma conta do sítio.

Para isso terão de explorar cinco andares do hotel, resolvendo uma série de puzzles e encontrando salas secretas. Os puzzles são todos baseados em cores, e funcionam da seguinte forma: Ao pressionarem no R2 (PS4), vão transferir a cor que têm armazenada no telemóvel para um bloco vazio, ou se esse bloco tiver cor, vão tirá-la e guardá-lo no telemóvel. Por exemplo, se tiverem azul no telemóvel, mas quiserem vermelho, têm de olhar para um bloco vermelho para trocarem as cores. Isto é necessário porque o sistema de segurança do hotel obedece a cores, e precisam de cores específicas para abrirem portas. A questão é que os blocos não podem ser mexidos, e o desafio aqui é conseguir orientar as cores de forma a conseguirem abrir portas até chegarem ao destino.

Esta é a base de The Spectrum Retreat, mas ao longo da aventura são introduzidas outras variáveis, incluindo blocos para onde se podem teletransportar se tiverem a cor correspondente, panéis que permitem andar pelas paredes e pelo teto se conseguirem tocar neles, e uma série de blocos que se movem sozinhos. Se ao início é um conceito bizarro, o jogo tem uma curva de aprendizagem muito boa, permitindo assimilar a fórmula de como tudo funciona sem dificuldade. É um jogo com uma premissa simples, que vão dominar em pouco tempo, o que significa que o desafio vem antes do design dos puzzles e não das mecânicas.

Durante as primeiras horas tivemos dificuldade em encontrar uma coesão entre a estrutura da jogabilidade e a narrativa. Parecia não existir uma harmonia entre os dois elementos, e mesmo a nível visual, o realismo do hotel choca com o estilo dos puzzles. Esta ideia, contudo, começou a dissipar-se com o evoluir da aventura, e tornou-se evidente que esta polarização foi consciente. Não vamos revelar pormenores, mas estas dois elementos muito distintos começam a ligar-se e a interagir de formas inesperadas e interessantes.

Mais importante ainda, convém deixar bem claro que a história de The Spectrum Retreat não existe apenas para avançar o jogo. Ficámos genuinamente surpreendidos com a narrativa que encontrámos, e com os eventos que aconteceram. Ter de manter a mesma rotina diária no hotel, como tomar sempre o pequeno-almoço, para evitar levantar suspeitas, é suficientemente estranho, mas eventualmente começamos a ser seguidos por estes 'manequins' sem cara, e os seus comportamentos começaram a ficar cada vez mais bizarros e imprevisíveis. É uma história com muitas reviravoltas, que nos lembrou de algo como Twilight Zone.

Com todos estes ingredientes, é difícil não pensar em Portal, o clássico de puzzles da Valve. Existem de facto alguns paralelos, e é bem possível que Portal tenha inspirado o estúdio de The Spectrum Retreat, mas a sua abordagem é muito diferente. Enquanto Portal conta com muito humor negro, o jogo de Dan Smith é muito mais sério, com um tom bem mais sombrio. Este ambiente é enriquecido pelo visual do Hotel Penrose, um grafismo extremamente polido que apresenta um estilo de art-deco, e um contraste desconfortável entre o luxo do hotel em si, e as estranhas maquinações dos puzzles. A banda sonora é também um ponto muito positivo de The Spectrum Retreat, cumprindo o seu papel para reforçar o ambiente do jogo.

Confessamos que não tínhamos grandes expetativas para The Spectrum Retreat, mas o que já tínhamos visto no passado, tinha deixa passar a ideia de um jogo com algum potencial. Pois bem, ao contrário de muitos que falham em atingir essa meta, The Spectrum Retreat não só a cumpre, como a ultrapassa. Um jogo facilmente recomendado para quem aprecia puzzles e uma narrativa inesperada.

The Spectrum Retreat
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The Spectrum Retreat
The Spectrum Retreat
The Spectrum Retreat
09 Gamereactor Portugal
9 / 10
+
Design muito artístico do hotel. Puzzles desafiantes, mas acessíveis. História empolgante com reviravoltas.
-
Um pouco preso às suas fórmulas.
overall score
Esta é a média do GR para este jogo. Qual é a tua nota? A média é obtida através de todas as pontuações diferentes (repetidas não contam) da rede Gamereactor