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Ni no Kuni II: Revenant Kingdom

Ni no Kuni II: Revenant Kingdom

Um regresso estrondoso da Level-5 com uma aventura épica e emotiva.

  • Texto: Sam Bishop

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Ni no Kuni: Wrath of the White Witch foi um jogo que impressionou muitos jogadores, produto de uma colaboração entre a especialista em RPG, Level-5, e o estúdio de animação Studio Ghibli. Entretanto já se passaram vários anos, e a sequela demorou bem mais a chegar do que esperávamos, e ainda por cima já não conta com a colaboração do Studio Ghibli. É por isso natural que muitos fãs se questionem sobre o mérito deste jogo, e se será capaz de igualar o original. A resposta simples? Não, não "iguala" - é melhor.

À semelhança do jogo anterior, a estória cedo vos irá apresentar a um jovem protagonista, embora neste caso se trate de Evan Pettiwhisker Tildrum, membro da família real de Ding Dong Dell. Depois de uma invasão, Evan tem de fugir do seu reino, mas não sem antes conhecer Roland, um rapaz do mundo 'verdadeiro' que é enviado para o reino de Ding Dong Dell, e que acaba por ajudar Evan a escapar do palácio. Juntos decidem formar um novo reino, o reino de Evermore.

O jogo é apresentado como se fosse um conto de fadas ou uma estória para crianças. Evan é bastante jovem, um optimista e idealista por natureza, por vezes em demasia, mas é essa personalidade e até ingenuidade que lhe permite recrutar várias personagens ao longo da aventura para se juntarem ao seu novo reino. Chega a ser contagiosa a sua esperança, e isso torna Ni no Kuni num jogo de aquecer o coração.

A comparação que fazemos a contos de fada não se aplica apenas à narrativa, mas também ao visual, uma espécie de contos de fada versão anime. As cores do jogo saltam pela televisão com grande vivacidade, e o estilo da arte é encantador. Basta olhar para o protagonista Evan, que corre pelo mundo com a sua coroa e a sua capa vermelha como um ícone de esperança. O detalhe das personagens e do mundo é impressionante, com traços que lembram os filmes de animação do Studio Ghibli, e as muitas localizações que vão visitar apresentam características muito próprias. Enquanto Goldpaw parece inspirada pelas luzes brilhantes de Taiwan, Hydropolis apresenta uma maior influência mediterrânea, e Broadleaf é o equivalente ao estilo Steampunk neste universo. As personagens em si são também muito distintas, com características bem vincadas ao nível do visual e da personalidade.

Ni no Kuni II é também um RPG japonês, e cumprindo com essa tradição, podem esperar um longo tutorial a rondar as 10 horas. Não que nessas horas não aconteça nada de interessante, longe disso, mas é um período de grande exposição à estória, às personagens, e às várias mecânicas de jogo. O primeiro passo é dado com a movimentação, e depois com o combate em tempo real. Será familiar para quem está habituado a jogos de ação na terceira pessoa, com câmara manual entregue ao analógico direito, mira fixa nos inimigos, e combinações de ataques rápidos e fortes, enquanto bloqueiam ou se desviam de investidas inimigas. De certa forma lembra-nos de, embora bem mais simples e fácil.

Depois começam a desbloquear mais ações, como magias e a ataques de longo alcance, mas é um sistema de combate equilibrado, no sentido em que precisam de usar ataques para executarem as ações especiais. Para usarem magias precisam de carregar uma barra de energia, que é carregada com ataques aos inimigos, obrigando a usar um misto de ambos.

Também terão de aprender a conviver com as Higgledies, um grupo de pequenas criaturas coloridas que vão conhecer nas primeiras horas de jogo. Quando as conseguem reunir no campo de batalhas, as Higgledies dão acesso a uma série de habilidades especiais, desde a formação de um enorme canhão, à criação de um círculo de cura para o grupo. Existem várias equipas de Higgledies, e cada uma tem a sua personalidade. Por exemplo, os Higgledies mais tímidos não podem ser usados com muita frequência, dando sempre lugar às criaturas mais confiantes. Para conseguirem usar os Higgledies de forma eficaz têm de os misturar em combate, e acreditem em nós - vão querer desesperadamente a sua ajuda mais para a frente no jogo.

Os momentos mais desafiantes da aventura tendem a aparecer durante as batalhas com os bosses, confrontos que normalmente obrigam a descobrir o ponto fraco do inimigo para o conseguirem derrubar. Não vão conseguir ganhar se usarem sempre a mesma tática, e terão de se adaptar a cada confronto para saírem vitoriosos.

Ni no Kuni II também utiliza alguns elementos que parecem ter sido retirados de jogos mais antigos, como a navegação no mapa-mundo. Aqui as personagens tornam-se versões caricaturadas mais pequenas, enquanto viajam de localização em localização. Enquanto navegam este mapa podem encontrar mais inimigos, mas também surpresas. Tenham no entanto cuidado com os níveis dos oponentes, sobretudo porque existem alguns inimigos especiais que são particularmente difíceis de derrotar. Se o conseguirem, contudo, serão recompensados à medida.

À medida que vão avançado, vão também desbloquear o modo de Skirmishes, onde vão jogar também com estes avatares pequenos das personagens. Aqui vão comandar um exército em combate, num estilo de jogabilidade mais virado para a estratégia do que para o combate direto. Se estão a torcer o nariz a essa proposta, não se preocupem. Tirando raros momentos, a jogabilidade dos Skirmishes não é obrigatória, e além disso é também simples e acessível. Podem escolher até quatro unidades para vos acompanhar, cujas habilidades são ativadas com o R2. Estas unidades rodeiam Evan, mas podem mudar a sua posição com o R1 ou o L1. O combate funciona numa espécie de jogo de pedra, papel, tesoura, com unidades melhores para enfrentarem diferentes tipos de inimigos, algo que ganha mais qualidade estratégica com a capacidade para invocar reforços, habilidades especiais, e a possibilidade para destruir fortificações inimigas.

Já falámos da experiência "base", na terceira pessoa, com o movimento e o sistema de combate tradicionais. Também já falamos dos Skirmishes e dos pequenos soldados que podem comandar. Falta falar do modo Kingdom. Como referimos ao início, Evan deseja construir um reino, e podem ajudá-lo a conseguir o seu objetivo. O reino tem um início humilde, mas conforme avança o tempo, vão recebendo dinheiro e recursos que podem usar para melhorar e expandir Evermore. Podem construir jardins, zonas de treino, campos de caça, catedrais, casas, e muito mais. Isto aumenta a influência de Evan, que pode ser usada para recrutar cidadãos para o reino.

É aqui que entram em cena as missões secundárias. Ninguém vai simplesmente abandonar a sua casa para ir viver em Evermore. Normalmente vão precisar de cumprir alguma missão ou desejo para que o indivíduo aceite mudar-se, e com isso vão ganhar também pontos de experiência e recompensas para as personagens. Depois podem atribuir funções a cada cidadão, dependendo das suas capacidades individuais. Existem cozinheiros, ferreiros, caçadores, e outras profissões semelhantes que podem designar. Cada cidadão tem também níveis de experiência diferentes, e se um veterano será uma excelente adição imediata ao reino, outros podem acrescentar pouco. Contudo, à medida que executam a sua função, vão evoluindo e contribuindo de forma mais positiva. Tudo isto pode ser usado para criar novas unidades para o exército, ou construir equipamento melhor, por exemplo.

Quando nos referimos às primeiras 10 horas como um tutorial gigante, estamos na realidade a dizer que todas estas mecânicas são introduzidas ao longo desse tempo. Depois disso podem, até certa medida, investir o tempo que quiserem em cada área do jogo. Ni no Kuni II é bastante flexível nesse aspeto, permitindo ao jogador dedicar-se às áreas de jogo que mais gostar, sem o penalizar por ignorar outras.

É um jogo extremamente ambicioso em termos de mecânicas a funcionarem em conjunto, e é também um jogo a rebentar de conteúdo. Existem muitos segredos para descobrir enquanto exploram, e inúmeras missões secundárias para cumprirem se assim o desejarem. E mesmo que essas missões por vezes não sejam as mais imaginativas, cada missão está associada a uma personagem com a sua própria estória, algo que acrescentou maior relevância a cada missão, fosse o simples ato de ajudar a preparar uma refeição, ou algo mais complicado como livrar uma zona de monstros.

Ni no Kuni II é um RPG japonês muito claro em termos de "bem" e "mal", onde tudo é mais ou menos claro. É um jogo sobre esperança, sobre o desejo de criar algo genuinamente bom, por muito utópico que isso pareça. Comparando com algo como The Witcher 3: Wild Hunt, por exemplo, que tem uma visão muito mais crua e realista, Ni no Kuni II parece infantil em comparação, mas, tal como o protagonista Evan, está tão empenhado nessa visão, e tem uma convicção tão forte do que quer ser, que é difícil resistir ao seu encanto muito especial.

Todos estes temas e mecânicas juntam-se para criar uma aventura incrivelmente linda e emotiva, ainda que nem tudo seja perfeito. O nosso maior defeito é a ausência de vozes em alguns diálogos, algo que é comum a muitos jogos japoneses, mas que é cada vez mais difícil de aceitar comparando com jogos ocidentais. Até projetos de menor ambição e recursos incluem diálogos totalmente reproduzidos com voz, e gostávamos que Ni no Kuni II também tivesse beneficiado disso. É algo que ajudaria a acrescentar ainda mais capacidade de imersão e emotividade à estória. De referir ainda que podem escolher jogar com vozes em inglês ou em japonês.

De resto, Ni no Kuni II: Revenant Kingdom tem poucos defeitos na nossa opinião. A narrativa agarrou-nos e emocionou-nos, o sistema de combate foi sempre satisfatório, as secões com o exército ajudaram a variar a ação, e a construção do reino é um excelente objetivo extra para perseguir. Tudo isto embrulhando num estilo de arte fenomenal, exemplarmente reproduzido para o ecrã. Pela parte que nos toca, Ni no Kuni II é um clássico instantâneo, obrigatório para fãs do género independentemente da sua idade.

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10 Gamereactor Portugal
10 / 10
+
Combate equilibrado na terceira pessoa. Cada componente do jogo é sólido por si só, e funcionam em conjunto. Visuais espetaculares. Narrativa emotiva. Personagens e localizações épicas. Muito conteúdo.
-
É uma pena que nem todos os diálogos tenham voz.
overall score
Esta é a média do GR para este jogo. Qual é a tua nota? A média é obtida através de todas as pontuações diferentes (repetidas não contam) da rede Gamereactor