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análises
Celeste

Celeste

É uma viagem árdua até ao topo da montanha, mas vale bem a pena.

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O topo da montanha é onde descansam os deuses, onde são entregues mandamentos de pedra e sermões memoráveis. Um símbolo intemporal de desafio, luta, e superação - que resulta em claridade e sabedoria para quem atinge o cume. Ou então podem referir-se a Celeste como "o Dark Souls da geologia". Aqui o objetivo é o de, como já devem ter adivinhado, trepar uma montanha, mas não é uma tarefa fácil. Podem consegui-lo, mas só com perseverança e aprendizagem, elementos que vão conseguir ao acumularem falhanço atrás de falhanço. Aliás, a verdadeira pergunta que se coloca é: que montanha estão realmente a trepar? A do jogo, feita de pedra e neve, ou a que está dentro de vocês, a que vos pode impedir de continuar?

Voltando para uma análise mais objetiva, Celeste é um jogo de plataformas 2D bastante desafiante. O estúdio responsável, Matt Makes Games Inc., é o mesmo que nos trouxe o excelente Towerfall: Ascension, e isso é visível no estilo de arte pixelizado que foi utilizado para dar vida a Celeste. A jogabilidade, e sobretudo o peso, a altura, e a sensação de controlo da personagem, serão também reconhecíveis por fãs de Towerfall. Mas enquanto esse jogo estava focado em partidas competitivas, aqui vão antes realizar uma curta e intensa viagem através de centenas de secções desafiantes de plataformas.

Os controlos são muito simples. Podem saltar, trepar paredes, e acelerar em oito direções diferentes através de um Dash. Devem contudo considerar que só podem ficar agarrados à parede por um curto espaço de tempo, e que o Dash só pode ser usado uma vez antes de voltarem a aterrar numa superfície. Os controlos são por isso muito simples, mas o design dos níveis não o é. Terão de atravessar, de forma precisa, rotas com picos, chamas, e buracos sem fundo. Ao contrário de outros jogos, que permitem liberdade ao jogador, Celeste é todo sobre observação, concentração, e precisão.

O jogo não é, contudo, linear. Cada área é o seu próprio ecrã, com vários caminhos possíveis. Imaginem algo como os Castlevania clássicos em termos de navegação pelo mapa, e quando morrem, o reaparecimento é instantâneo de volta à passagem por onde entraram. Existe um percurso relativamente linear para o topo, mas podem explorar outras áreas à procura de mais desafios. Aqui vão encontrar vários morangos gigantes, que sobem a pontuação, e também alguns segredos, incluindo cassetes que desbloqueiam versões 'remisturadas' de níveis.

Celeste

Por ser um jogo desafiante, existem momentos de frustração, momentos em que apetece desistir, e zonas que parecem impossíveis, mas não o são - afinal de contas resistimos e ultrapassámos-las. O jogo tem um design inteligente, que ajuda a atenuar a frustração, raramente apresentando dois desafios muito difíceis de seguida. Um pouco como um momento para respirarem, antes de voltarem a 'sofrer'.

Para quem não quiser pagar o preço da sua viagem com sangue e suor, existe um modo alternativo, mas existe mais por obrigação do que desejo. Segundo os próprios produtores, Celeste é um jogo que deve 'doer', que até deve parecer injusto por vezes, e isso estende-se à própria narrativa. Não vamos entrar em detalhes, mas deve bastar dizer que as dificuldades de escalar uma montanha nem sempre são literais. É uma estória doce e honesta, que nunca é pretensiosa. Tivemos receio que uma estória deste tipo, partilhada através de texto, pudesse ser algo ofuscada pela jogabilidade, mas isso não acontece, já que existe grande ligação entre todos os elementos do jogo. A dificuldade e as mecânicas de jogo está tudo de certa forma relacionado com a estória que está a ser contada.

Esse talvez seja o maior feito de Celeste, essa cola temática que une as duas partes da experiência - os eventos da estória e as ações do jogador. O jogo tem um carisma muito próprio, ao conseguir ser a espaços encantador, e noutros arrepiante. Os níveis apresentam muitas formas témáticas, não só visualmente, mas também ao nível de mecânicas, e toda essa experiência é elevada por uma banda sonora que acompanha perfeitamente a ação, sem nunca ofuscar ou ser ofuscada pelo resto do jogo

Celeste não é um jogo longo, apesar de ser difícil, mas tem bons incentivos para repetição. É também um jogo que se orgulha da sua dificuldade, e faz questão de lembrar ao jogador quantas vezes falhou, não para o humilhar, mas como uma palminha nas costas. Uma espécie de "vês? vês como aprendeste e conseguiste?". Vão ultrapassar algumas secções num piscar de olho, e demorar imenso noutras. Vão oscilar entre convicção e despespero, mas não se vão arrepender da viagem quando chegarem ao topo.

CelesteCelesteCeleste
CelesteCelesteCeleste
08 Gamereactor Portugal
8 / 10
+
Jogo de plataformas desafiante, que tem uma boa estória para conta. VIsual e som únicos. Bons incentivos para repetir a dose.
-
Por vezes é difícil distinguir o que é cenário para enfeitar, e o que são plataformas.
overall score
Esta é a média do GR para este jogo. Qual é a tua nota? A média é obtida através de todas as pontuações diferentes (repetidas não contam) da rede Gamereactor