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análises
Wolfenstein II: The New Colossus

Wolfenstein II: The New Colossus

Prontos para livrarem a América dos Nazis invasores?

  • Texto: Mike Holmes

Não deixa de ser estranho pensar que, até há pouco tempo, massacrar nazis fosse uma forma perfeitamente aceitável de passar a tarde. É um testamento ao quanto a forma como olhamos para o entretenimento está a mudar, que levou a uma discussão sobre se o conteúdo que está Wolfenstein II: The New Colossus é realmente aceitável ou não. Pela parte que nos toca, contudo, não temos qualquer problema em reduzir estes nazis a pedacinhos na pele de B.J. Blazkowicz. Para o herói de Wolfenstein, é mais um trabalho, e o trabalho parece estar a correr bastante bem.

Quando escrevemos uma análise, consideramos uma série de contextos e perspetivas, e por isso é natural que essas opiniões mudem com o tempo. É o que nos acontece com Wolfenstein: The New Order. Olhando para a nnossa análise a esse jogo, não podemos deixar de pensar que fomos um pouco injustos com a forma como o criticamos. A verdade é que, dentro de um espírito muito específico do género, Wolfenstein: The New Order cumpriu o seu papel, e esta sequela vai muito além do que esse jogo conseguiu.

Wolfenstein não é um jogo que se leve muito a sério, e o mesmo é verdade para esta sequela. Trata-se da estória de um grupo de resistentes ultra-exagerados, que estão a tentar livrar os Estados Unidos da América da força invasora dos nazis, equipados com tecnologia insana. Isto, claro, numa versão alternativa da estória, em que Hitler ganhou vantagem depois de ter conseguido aceder a armas tecnológicas de grande poder. É tudo um pouco ridículo e absurdo, mas também divertido, e adorámos acompanhar esta narrativa surpreendente ao longo da aventura.

Wolfenstein II: The New Colossus é também um jogo que não caiu na tentação de incorporar um modo multijogador às três pancadas. É todo estória, e isso serve-nos perfeitamente. A campanha é fantástica, com momentos de ação furtiva, grandes explosões, vilões exagerados, armas gigantes, e uma narrativa que nos agarrou com toda a sua absurdidade. Existem aqui alguns momentos de completa insanidade, mas a oportunidade de ver os EUA numa perspetiva diferente é também interessante. O jogo tem os seus momentos de satírica política, e não teme lembrar que o herói salvador de um lado, pode ser o malvado terrorista do outro.

O guião de Wolfenstein II é brilhante, dentro do espírito exagerado que referimos, mas são as interpretações dos atores que ajudam a vender este universo ao jogador. Vão conhecer várias personagens memoráveis, dos dois lados da barricada, todas com personalidades muito vincadas. A Machine Games conseguiu criar um bom equilíbrio entre urgência e humanidade, e as ocorrências completamente absurdas que mostra ao jogador.

Também é preciso elogiar o lado mais técnico do jogo. Wolfenstein II é um jogo com excelente grafismo, e além de todo o detalhe, corre a uns fluídos 60 frames por segundo. O design das personagens, dos inimigos, dos cenários, e das armas, tudo dentro do espírito futurista que marcou os jogos anteriores, é também memorável.

A ação de Wolfenstein II é caótica e intensa, mas também existem momentos de alguma exploração e até ação furtiva. A inteligência artificial foi melhorada em relação ao jogo anterior, e oferecem um desafio interessante, que pode ser ajustado através de vários graus de dificuldade. Se optarem por uma abordagem furtiva, podem passar algumas das secções de tiroteios, mas Wolfenstein II está perfeitamente preparado para acomodar quem preferir uma abordagem mais direta e explosiva.

A jogabilidade e os controlos são excelentes, dentro deste género específico de ação na primeira pessoa. Em termos de feedback das armas e dos inimigos, é extremamente satisfatório, uma sensação reforçada pela qualidade dos efeitos sonoros. Wolfenstein II não tem um leque muito extenso de armas, mas as que estão presentes foram bem trabalhadas, e cada uma pode ser modificada pelo jogador.

Quando o jogo arranca, B.J. está num estado de incapacidade, com pouca saúde e mobilidade. Isso muda mais tarde, e vão ter a oportunidade de reforçar a personagem com uma de três habilidades poderosas. Podem optar por salto duplo, entrar em espaços reduzidos, ou rebentar certas paredes, e cada uma oferece diferentes possibilidades táticas. Pelo que vimos, todos os níveis foram desenhados com as três capacidades em mente, o que significa que terão sempre opções independentemente do poder que escolheram.

Os níveis em si são enormes, e existe grande variedade de localizações. Alguns objetivos são um pouco vagos, e o terreno por vezes é menos acessível do que desejaríamos, mas numa perspetiva geral, o design dos níveis é fantástico, sobretudo em termos de sequências de ação. Os mapas em si são também ricos em detalhe, e beneficiam de excelente atmosfera. Se gostam de explorar e procurar segredos, também existem aqui muitos.

Podem encontrar cartas, trabalhos de arte, e até músicas espalhadas pelo cenário, mas ao contrário do que acontece noutros jogos, procurar estes itens e lê-los, pareceu-nos algo pouco eficaz. Wolfenstein II é um jogo de grande ritmo, com muita adrelanina, e a última coisa que queremos fazer é parar para ler um texto. Em alguns jogos é uma boa forma de oferecer mais contexto ao jogador, mas neste caso pedia-se outra solução.

Entre missões podem visitar a base dos rebeldes, um enorme submarino, cheio de curiosidades e interações. Aqui, como não estão em combate, é uma boa oportunidade para conhecerem os vossos companheiros, e até existe uma máquina de enigmas. Se utilizarem códigos que vão descobrindo durante o jogo, vão desbloquear a localização de inimigos especiais que podem tentar matar. Ao terminarem a campanha, podem continuar a jogar com alguns objetivos extra, numa versão do jogo redesenhada para acomodar uma estrutura mais solta. É uma boa forma de aumentar a longevidade de Wolfenstein II, sobretudo considerando que não existe online.

À semelhança de Doom em 2016, Wolfenstein II: The New Colossus surge como um misto delicioso de clássico e moderno. A ação é fluída e intensa, enquanto a estória e as personagens mantém o interesse do jogador ativo ao longo de toda a campanha. Adorámos a nossa experiência com Wolfenstein II: The New Colossus, um dos destaques do ano no que tem sido um ano recheado de grandes títulos. Mesmo considerando que CoD: WWII e Star Wars: Battlefront II estão a chegar, não temos problemas em recomendar Wolfenstein II.

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09 Gamereactor Portugal
9 / 10
+
Boas mecânicas de jogo. Excelente design dos níveis. Estória surpreendente.
-
Exploração pode ser um pouco vaga. Algumas incoerências temporais.
overall score
Esta é a média do GR para este jogo. Qual é a tua nota? A média é obtida através de todas as pontuações diferentes (repetidas não contam) da rede Gamereactor