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análises
Cuphead

Cuphead

Diabolicamente viciante.

  • Texto: Dóri Halldórsson

A primeira vez que jogámos Cuphead foi na GDC, no início de 2015, onde os produtores (e irmãos) Chad e Jared Moldenhauer estavam a oferecer um prémio em dinheiro à primeira pessoa que conseguisse vencer os três bosses da demo. Meio ano antes, na E3 2014, Cuphead foi anunciado, e rapidamente captou a atenção do público graças ao seu visual. Não, não conseguimos vencer os três bosses, mesmo depois de atravessarmos filas para experimentar o jogo diversas vezes, mas em vez de dinheiro trouxemos entusiasmo para o potencial de Cuphead.

Desde então tivemos a oportunidade de experimentar o jogo em várias ocasiões diferentes, mas nunca em versão final, nunca completo. Até agora. Depois de adiamentos e um longo ciclo de produção, Cuphead está finalmente disponível, e nós adorámos cada momento do jogo - inclusive os que odiámos.

Cuphead é um jogo de plataformas e ação inspirado pelos desenhos animados da década de 1930. É um jogo 2D, com uma perspetiva lateral da esquerda para a direita, e que permite disparar aos inimigos. Imaginem algo tipo Contra ou Mega-man. Podem jogar sozinhos, ao controlo precisamente do Cuphead (tem a cabeça em forma de chávena), ou com um amigo em modo cooperativo, que irá jogar com Mugman (este é uma caneca). Depois dos dois irmãos perderem as almas no casino do Diabo, ambos têm de perseguir almas dos devedores do Diabo.

Cuphead lembra alguns dos clássicos de animação, como Think Steamboat Willie, Betty Boop, e Swing you Sinners. Os cenários são pinturas estáticas, enquanto que as personagens são animadas com ilustrações desenhadas à mão, tudo a correr a 60 frames por segundo. O resultado é glorioso, e como trabalho de arte, Cuphead é extremamente inspirado.

A maioria dos níveis e das batalhas com bosses são únicos e interessantes, dotados de grande imaginação, detalhe, e até alguma imperfeição que lhes confere grande alma. É o antídoto perfeito para os jogos de Pixel Art que estão a sobrecarregar o mercado. Esta excelente componente gráfica é depois enriquecida com uma banda sonora de jazz, também ela estilo clássico.

Depois há a jogabilidade, que é desafiante ao longo dos níveis, mas que ganha real vida durante as batalhas com os bosses. É o design típico de tentar encontrar os padrões dos inimigos, e evitar as rajadas de tiros que enchem o ecrã, enquanto tentam acertar-lhes com os vossos disparos. A maioria das batalhas é excelente, mas parece-nos que existem demasiados combates aéreos, onde os nossos upgrades não servem de nada. Como já referimos, podem jogar com um amigo, mas isso não irá tornar o jogo mais fácil, sobretudo porque mais um elemento no ecrã cria grande confusão, e torna-se mais difícil descortinar o que se passa.

O jogo inclui um mapa mundo, onde podem interagir com personagens e aceder aos níveis. Aqui vão também encontrar algumas secções onde vão metralhar hordas de inimigos. Embora úteis para ganhar dinheiro, que podem usar para melhorar a personagem, estes níveis não são particularmente interessantes. A título de curiosidade, uma personagem insinuou que podem abordar estes níveis com uma atitude mais "pacífica", mas nunca chegámos a descobrir o que isso implicava. Quanto às habilidades, podem desbloquear tipos de disparos, ataques "super" (através de missões especiais), e amuletos que oferecem benefícios às personagens.

Podem equipar dois padrões de disparos diferentes, que podem alternar pressionando num botão, e também equipar poderes especiais e as vantagens. A questão aqui não é tanto a de escolher a melhor combinação de disparos, poder, e amuletos, mas de encontrar a combinação mais eficaz para determinados combates. Se um inimigo requer que mantenham a distância, ter um padrão de disparos que obrigue a estar próximo não é muito eficaz. Encontrar a combinação certa para um boss pode fazer a diferença entre múltiplas derrotas agoniantes, ou uma doce vitória.

Cuphead é um jogo bastante difícil, onde os bosses variam os seus padrões. Tempos e distâncias de saltos, frequências de disparos, e outras variantes semelhantes, não obedecem sempre ao mesmo padrão, o que dificulta imenso a vida do jogador. Deixa de ser algo tão simples quanto decorar um padrão e agir sempre da mesma forma. Nesse sentido, obriga a maior reação que outros jogos do género. Embora desafiante, Cuphead oferece duas opções de dificuldade: Simples e Normal. A dificuldade simples torna a experiência de jogo mais tranquila, removendo habilidades, fases dos bosses, ou inimigos das batalhas.

Este tipo de design tão difícil só poderia funcionar com controlos de qualidade, e felizmente, é isso mesmo que eles são. As animações são super fluidas, e o tempo de resposta é fantástico. Mudar de direção, saltar, baixar, desviar... tudo é feito imediatamente, independentemente da ação que estavam a fazer. Até existe um botão que para a personagem no lugar, permitindo disparar nas oito direções sem sair do sítio ou mudar de lado.

Embora seja difícil, a curva de aprendizagem pareceu-nos razoável, e escalou bem ao longo dos quatro mundo que percorremos. Esses quatro mundos incluem ainda vários segredos para tentarem descobrir, como atalhos, personagens com quem podem falar, mensagens misteriosas, e até uma banda musical para relaxarem entre níveis.

Como é um título Play Anywhere, jogámos na Xbox One S e no PC, e o jogo correu lindamente nas duas plataformas, e se estiverem a pensar transitar entre as duas versões, podem transferir o save confortavelmente. Apenas duas chamadas de atenção: no PC, jogar com teclado, é para esquecer, e na Xbox One os loading são um pouco longos.

Cuphead é um daqueles casos raros, de um jogo que nos causa uma doce raiva, que nos leva a puxar pelos cabelos, mas que ao mesmo tempo obriga a "mais uma tentativa". 23 horas e 653 mortes depois, podemos dizer que adorámos o nosso tempo com Cuphead. Não é para todos, e alguns não vão apreciar um foco tão grande em batalhas contra bosses, mas se apreciam este tipo de experiências, não vão conseguir muito melhor que Cuphead.

CupheadCuphead
CupheadCuphead
09 Gamereactor Portugal
9 / 10
+
Estilo de arte estupendo. Jogabilidae exigente. Mecânicas de jogo muito sólidos.
-
Um ou outro nível menos inspirado. Cooperativo confuso.
overall score
Esta é a média do GR para este jogo. Qual é a tua nota? A média é obtida através de todas as pontuações diferentes (repetidas não contam) da rede Gamereactor