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Pyre

Pyre

Um grupo de exilados tenta a sorte num desporto que lhes pode valer a liberdade.

  • Texto: Bengt Lemne

A Supergiant Games é um estúdio especial, que tem o cuidado de lançar jogos com um toque de magia muito particular. Os seus dois projetos anteriores, Bastion e Transistor, deixaram marcas, e o seu novo jogo, Pyre, não fica atrás. Não se trata apenas do estilo de arte, que é quase sempre fantástico, da banda sonora memorável, ou do narrador brilhante. Existe o facto de que o estúdio nunca quer repetir o jogo passado, e em cada projeto tenta abraçar algo diferente.

Pyre passa-se no mundo de Downside, um mundo onde habitam os exilados de Commowealth. É já nesta condição que o jogador acaba por ser encontrado por um grupo de viajantes. A nossa personagem tem a capacidade única de conseguir ler um livro sobre rituais, rituais esses que podem tentar usar para ganharem novo acesso à Commowealth.

Estes rituais são o grosso da experiência de Pyre, e funcionam quase como um desporto. Em essência estes rituais colocam duas equipas de três elementos em confronto, e o objetivo é extinguir a fogueira (Pyre) da equipa adversária usando uma esfera especial. Só podem mover uma personagem de cada vez, e todas têm uma aura à sua volta (maior quando os três estão juntos). Esta aura bane temporariamente quem tiver a esfera, já que a esfera retira a aura de quem a carrega. Depois existem várias classes, que variam em termos de velocidade, tamanho da aura, tempo que ficam de fora quando são banidos, e assim sucessivamente.

As equipas devem portanto tentar encontrar uma abertura na oposição, banindo tantos oponentes quanto conseguirem. Um aviso, contudo: quando um jogador "marca", é banido temporariamente, dando uma vantagem à equipa que sofreu. Também podem tentar atirar a esfera diretamente para a fogueira adversária, algo que requer alguma pontaria, mas se conseguirem podem provocar bastante dano. É um conceito semelhante aos lançamentos de três pontos no basquetebol. Pyre tem um ritmo elevado, e por vezes pode ser confuso, mas funciona bem e é viciante.

Por ser um jogo que se assemelha a um desporto, podem pensar que envolve sobretudo a habilidade do jogador, mas não é bem assim. Se as equipas estiverem equilibradas, sim, será a habilidade do jogador a ditar o resultado, mas metade da fórmula para o sucesso envolve os atributos da nossa equipa e forma como conseguem contrariar o oponente. Existem classes que se anulam umas às outras, mas também podem equipar talismãs com um impacto potencial tremendo nas partidas. Não devem apenas prestar atenção à vossa equipa e aos vossos talismãs, mas também ao que está na equipa adversária. Alguns talismãs tornam o banimento praticamente inútil, logo seria pouco aconselhável construir uma equipa para banir o oponente.

Entre os rituais vão viajar por Downside, num estilo que nos lembrou de The Banner Saga. Pelo caminho vão experienciar eventos, que podem ser prejudiciais ou desvantajosos para a vossa equipa. Durante a primeira metade da campanha também vão recrutar novos exilados para a vossa equipa (que se chama Nightwings). O ritmo entre estas secções intercalares pode ser bastante lento, e por vezes terão de tomar decisões às cegas sem saberem exatamente de que forma podem afetar a vossa equipa. Estes dois problemas tornam-se menos evidentes durante a segunda metade da campanha.

Mesmo que percam um ritual, o jogo continua, mas isso significa que vão receber menos experiência, o que naturalmente acaba por dificultar a missão principal. Curiosamente, a estória adapta-se aos resultados, incluindo os eventos finais. Isto significa que o percurso que vão tomar pode ser diferente do percurso dos vossos amigos, dependendo de decisões e de como correm os rituais.

Pyre conta uma estória memorável de liberdade e justiça, de segundas oportunidades, de amizade, e de traição. As personagens são interessantes, e a forma como interagem com elas vai determinar o seu curso na estória. Existe muito para ver nestas 12 a 15 horas de jogo, mas em alguns momentos gostaríamos que a Supergiant Games tivesse tido outra abordagem à narrativa. Parte do contexto do jogo é oferecido através de folhas que desbloqueiam para o Livro dos Rituais, o que não é um processo particularmente interessante. Existem formas mais apelativas de manter o jogador focado na narrativa, do que obrigá-lo a ler uma série de folhas.

A experiência de jogo é, como já referimos, engrandecida pela qualidade do elemento visual. O trabalho de arte é fantástico, tanto das personagens, como dos cenários e do mapa, mas a banda sonora é ainda mais impressionante. Darren Korb voltou a fazer um trabalho excecional, como já tinha feito nos dois jogos anteriores da Supergiant Games.

A forma como parte da narrativa é apresentada, e o ritmo da primeira metade do jogo, não foram os únicos problemas que encontrámos. Jogámos Pyre na PS4 Pro, e sofremos com algumas falhas técnicas. Nada de muito sério por si só, mas em conjunto deixaram uma marca que não esquecemos. O jogo chegou a parar, e em duas ocasiões deixou de funcionar. O mapa do mundo também apresentou algumas incoerências gráficas, e durante uma partida a esfera foi parar fora do campo, obrigando-nos a recomeçar o ritual. Esperemos que a Supergiant Games esteja a trabalhar em atualizações para resolverem estes problemas. Uma palavra também para o modo versus. Podem desafiar a IA para um desafio à parte da campanha, ou jogar online contra outros oponentes, mas este modo acabou por não ser particularmente interessante.

Mesmo considerando estas falhas, Pyre assume-se como mais um jogo forte da SuperGiant Games. É uma experiência única, mesmo para os padrões do estúdio, e embora abuse um pouco da exposição da estória através de texto, conseguiu agarrar-nos em termos de narrativa e jogabilidade. Pyre é certamente um jogo que perdurará bastante tempo na nossa memória.

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08 Gamereactor Portugal
8 / 10
+
Estilo de arte fantástico. Mecânicas bem pensadas resultam em boa jogabilidade. Personagens memoráveis formam enredo interessante. Banda sonora excelente.
-
Alguns problemas de ritmo na narrativa. Modo versus não é tão cativante quanto esperávamos. Problemas técnicos menores.
overall score
Esta é a média do GR para este jogo. Qual é a tua nota? A média é obtida através de todas as pontuações diferentes (repetidas não contam) da rede Gamereactor