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Get Even

Get Even

Nunca jogámos algo como Get Even.

  • Texto: Mike Holmes

Normalmente não temos problemas para descrever os jogos que analisamos, mas Get Even é um caso diferente. É um jogo de ação na primeira pessoa? Não, mas tem tiroteios na primeira pessoa. É um jogo de aventura? Não, mas tem alguns puzzles para resolver. É um jogo de terror? Não, mas existe aqui grande tensão e suspense. Então, é o quê?

Mais importante do que definir o que é Get Even, é necessário reconhecer o trabalho e a coragem da The Farm 51 na sua produção. É um jogo que combina uma série de elementos para proporcionar uma experiência única, e que embora inclua uma série de falhas, conseguiu prender-nos ao ecrã durante as 10 a 12 horas que dura. É um jogo que nos obrigou a adiar a hora de ir para a cama noite após noite, tudo porque não resistíamos à curiosidade de ver o que ia acontecer a seguir.

A verdade é que nunca jogámos um jogo assim, mas isso não significa que algumas das suas influências não sejam evidentes. Entre inspirações tão díspares quanto Alice no País das Maravilhas, ou o filme A Origem de Christopher Nolan, Get Even é um jogo com foco em sonhos e memórias. A The Farm 51 decidiu explorar os recantos mais sombrios de uma mente perturbada, e a viagem em que coloca o jogador é no mínimo inquietante.

Não queremos entrar em detalhes quanto à narrativa, porque a estória é o ponto mais forte de Get Even, mas podemos tentar deixar-vos uma pequena noção do que vão encontrar. Em Get Even vão ocupar a mente de Cole Black, um antigo mercenário que entretanto assumiu a função de segurança numa fabricante de armas. Ao longo do jogo vão explorar uma série de eventos, que começam com um rapto e terminam numa explosão.

Questões relacionadas com quem esteve envolvido nesses eventos, e porquê, estão no coração da experiência de Get Even. Cole Black terá de explorar os recantos mais macabros da sua própria mente, enquanto é guiado pela voz misteriosa de "Red". Existem pistas espalhadas pelo mundo, e quando Cole encontra algo digno de interesse, coloca isso num cartaz. Uma espécie de Palácio de Memória, que podem consultar quando querem esclarecer ou recordar algo.

Quando não estão a revisitar o passado de Black, vão percorrer um bizarro asilo, e é aqui que vão conhecer melhor a misteriosa Red. É tudo um pouco estranho e incerto, mas vamos deixar os pormenores do enredo por aqui, porque Get Even dá mais voltas do que conseguimos contar. A forma como a The Farm 51 estruturou a estória, significa que se mantém imprevisível até final, e mesmo depois do fim, vão questionar muito do que viram. Se são do tipo de jogador que gosta de formular, ou estudar teorias online, vão adorar Get Even. Dito isto, convém referir que o jogo não deixa muitas pontas soltas, ou buracos no argumento que não conseguimos explicar.

Vão avançar pelo jogo com acesso a um telemóvel e uma pistola. As secções de disparo são sólidas, e até existem algumas secções furtivas de grande tensão, mas a ação não é o ponto forte ou a base da experiência de Get Even. O movimento de Cole Black é mais prenunciado do que é habitual em jogos na primeira pessoa, e as suas ações são algo limitadas (podem agachar, mas não podem saltar, por exemplo). É um jogo em que o combate serve um propósito, não é a essência da experiência.

O jogo até aconselha a evitar confrontos, e indica que demasiados tiroteios podem influenciar as memórias, mas não verificámos isso. Acabámos por eliminar vários inimigos, e isso nunca pareceu ter um impacto significativo nos eventos. Existem momentos em que o jogo sugere que podem evitar matar alguém, mas isso não nos pareceu de todo possível, incluindo momentos em que, se não disparássemos primeiro, morríamos nós.

A arma tem naturalmente a sua importância, mas o telemóvel acaba por ser a ferramenta mais importante. Podem usá-lo para ver através dos cantos, analisar itens no cenário, e até consultar um mapa que indica a posição e o cone de visão dos inimigos. Existe ainda uma tocha ultra-violeta que permite iluminar áreas escuras, e observar pistas que não são visíveis a olho nu.

Vão alternar entre ambos enquanto exploram o mundo, eliminado inimigos, encontrando pistas, e resolvendo alguns puzzles ligeiros. É uma mistura interessante de ingredientes, salpicada com pequenas sequências mais artísticas, sobretudo quando visitam memórias temáticas. Durante estas secções vão ouvir vários diálogos, e é preciso notar a qualidade superior das interpretações (mesmo que por vezes pareça um programa de rádio). O guião é também bastante bom, embora alguns textos que encontram não mantenham essa autenticidade.

Quando estão a reviver as memórias, as personagens permanecem estáticas, o que permite apreciar o ângulo distinto dos modelos 3D. O jogo tem um estilo muito peculiar, que mistura ficção científica com elementos de terror. A interface é também um destaque, beneficiando de um design inteligente que não obriga a navegar menus aborrecidos. Get Even pareceu-nos sempre uma experiência intuitiva e acessível em termos de jogabilidade, ao contrário da narrativa complexa. Uma última palavra para o desempenho positivo da componente sonora, um sério contributo para acrescentar atmosfera ao jogo.

O sistema de combate, as mecânicas furtivas, e a jogabilidade em geral, não são muito fortes, mas a estória é - e isso era o mais importante. Os níveis de produção são suficientemente sólidos, e o ritmo como tudo se desenrola, deixou-nos intrigados de princípio ao fim. Antes de apostarem em Get Even, têm de ter essa consciência, de que o que vale aqui é a estória - tudo o resto é secundário. É um thriller psicológico sem grande equivalente nos videojogos, e se a premissa vos parece interessante, vale a pena a consideração.

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07 Gamereactor Portugal
7 / 10
+
A estória cativante com premissa interessante. Interface bem pensada. Boas interpretações dos atores.
-
Algumas decisões de design sonoro questionáveis. Problemas técnicos. Escolhas parecem ser uma ilusão.
overall score
Esta é a média do GR para este jogo. Qual é a tua nota? A média é obtida através de todas as pontuações diferentes (repetidas não contam) da rede Gamereactor