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análises
Batman: The Telltale Series

Batman: The Telltale Series - Episódio 1

Valores de produção de Hollywood, cenas marcantes e uma caracterização de topo destacam a versão de Batman da Telltale.

  • Texto: Paul Davies

Após uma década de aventuras "point-and-click" de grande sucesso envolvidas com algumas das maiores marcas de entretenimento da atualidade, é fácil de ver que a Telltale Games está no auge neste momento. E quando pensávamos que a licença de Batman estava a estender-se em demasia, exaurindo todos os ângulos que o detetive sombrio de Gotham poderia explorar, a Telltale volta a tornar o Cavaleiro das Trevas essencial mais uma vez.

Em Batman: Realm of Shadows, o primeiro capítulo de Batman: The Telltale Series, estamos num ponto da história de Batman onde Harvey Dent ainda não se tornou Two Face, e curiosamente é Bruce Wayne quem enfrenta alegações de duplicidade. Aqui jogamos com Batman/Bruce e os passos que damos refletem-se diretamente em ambas as figuras públicas.

A abordagem narrativa é brutal logo à partida, com a primeira cena a mostrar bem claro até onde o jogo está disposto a ir para captar a nossa atenção. Batman não brinca em serviço, muito menos numa luta inicial contra Catwoman. Ambos os super-heróis convencem antes de mais como pessoas, com os seus uniformes a mostrarem-se convincentes acima de tudo como ferramentas de trabalho (embora altamente teatrais).

Batman aproxima-se do terror oculto do Alien de Ridley Scott aos olhos dos mercenários nervosos que tentam vislumbrá-lo das sombras. "Achas que ele vai aparecer?" Eles tremem. Depois, o espetáculo começa na sequência da maior entrada que já vimos Batman fazer nos últimos anos.

A Telltale utiliza a sua célebre abordagem à jogabilidade que se vai adaptando às escolhas que fazemos de forma excecional ao longo do Episódio 1. As personalidades de Batman e Bruce Wayne nunca se afastam muito do ideal pessoal que temos para ambas, e também podemos levá-las aos extremos. Isto demonstra o quanto a Telltale pesquisou a personagem ao longo dos seus muitos anos de existência, até ao ponto em que encontramos aspetos da paródia da década de 1960 protagonizada por Adam West ao lado da adaptação mais sombria interpretada por Christian Bale.

A evolução mais notória em relação aos primeiros jogos da Telltale talvez esteja nas sequências de Quick Time Events. Na sequência de abertura existem quase 15 minutos onde seguimos setas, premimos botões e efetuamos combinações para sobreviver. O lado positivo é que a intensidade leva este sistema aos seus limites e exibe uma coreografia de combate espantosa. Mas sinceramente, acaba por se tornar cansativo após os primeiros cinco minutos. OK, já percebemos a ideia, podemos ter uma conversa agora?

Felizmente o diálogo é excelente no Episódio 1, escrito de modo soberbo e interpretado de forma carismática por todos os atores. Laura Bailey é sempre convincente como Catwoman/Selina Kyle; os seus duelos de palavras com Troy Baker como Batman/Bruce Wayne são brilhantes. O comissário Gordon pragueja de forma convincente ("Ah Christ!") e Alfred soa especialmente sábio ao invés de lamentoso, como por vezes pode acontecer à personagem.

Os desempenhos também são bem-sucedidos em áreas mais cinzentas, com Harvey Dent a mostrar o seu lado um pouco mais idiota, embora as suas intenções sejam boas. Desta forma, podemos apoiá-lo da forma como melhor nos aprouver com Bruce Wayne, ajudando a campanha presidencial de Dent. Podemos fazer exatamente o que este figurão nos pedir ou retorquir com algumas tiradas.

Um ponto central à mecânica de jogo da Telltale é que podemos seguir o rumo que o nosso coração eleger sem perdermos a hipótese de atingirmos os melhores resultados. Mas existem tantas oportunidades para comentários escusados ou ataques violentos que atingir um bom equilíbrio acaba por ser parte do jogo. Até mesmo os silêncios característicos da Telltale podem ser potentes, em especial com Bruce Wayne durante as situações mais pessoais.

Existe a possibilidade de que determinadas linhas de diálogos poderão encostar alguns fãs ao canto com Bruce e/ou Batman, tornando-nos desconfortáveis o suficiente para começarmos a aventura de novo. A abordagem de Bruce à repórter Vicki Vale, por exemplo, pode rapidamente resvalar para algo que não desejamos sem nos apercebermos.

Mas noutras alturas temos de dar a mão à palmatória à Telltale por colocar os jogadores em situações muito difíceis do ponto de vista moral. Como qualquer um que tenha jogado The Walking Dead ou Game of Thrones saberá muito bem, às vezes o pior acontece mesmo e temos de lidar com as consequências da melhor forma que pudermos.

Tudo o que envolve o chefe do crime Carmine Falcone parece precário. Oswald 'Oz' Cobblepot é tão perigoso como sabemos. Até as conferências de imprensa podem ser complicadas, com Bruce Wayne a ser distraído pelo telemóvel com notícias importantes.

Batman: The Telltale SeriesBatman: The Telltale Series

Para além do equilíbrio entre diálogo e ação que esperamos dos jogos da Telltale, um fator que nos surpreendeu foi a forma reverente como o ângulo de detetive foi explorado. Não é perfeito, na verdade pode ser mais trabalhado após o Episódio 1, mas usar as engenhocas de Batman para examinar cenas de crime introduz uma mudança de ritmo bem-vinda. O Bat-computador também é integrado da melhor forma e tanto serve como uma enciclopédia como um dispositivo para avançar a narrativa.

Enquanto jogávamos a introdução (que durou aproximadamente 2h30m) a esta nova série, a palavra que mais vezes nos veio à mente foi "adulto". Apesar de visualmente existirem piscares de olho às origens da personagem na banda desenhada, isto é mais um filme do que uma BD, com uma banda sonora que atinge um bom nível e suporta as cenas da melhor forma.

O inevitável momento de suspense que encerra o capítulo é surpreendente o suficiente para nos fazer desejar voltar o mais depressa possível, mas é o investimento nas personalidades complexas de Bruce/Batman que mais fica na nossa mente.

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Batman: The Telltale SeriesBatman: The Telltale Series
08 Gamereactor Portugal
8 / 10
+
Diálogos ricos. Excelentes interpretações dos atores. Bons valores de produção.
-
As secções de detetive não brilham. Algumas consequências imprevisíveis.
overall score
Esta é a média do GR para este jogo. Qual é a tua nota? A média é obtida através de todas as pontuações diferentes (repetidas não contam) da rede Gamereactor