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X-Men: Apocalipse

Um filme mediano, com alguns momentos fantásticos.
Ricardo C. Esteves Editor-in-Chief Portugal 4 Junho 2016

Os X-Men são os pais do género de filmes de super-heróis, sobretudo deste tipo de reuniões de heróis, e se agora temos filmes dos Vingadores e em breve da Liga da Justiça, temos muito que agradecer a este grupo de mutantes. Como se podem recordar do último filme, X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, a série fez uma espécie de reboot, e agora decorre no passado. Como certos eventos foram alterados, o que vai acontecer de seguida não será exatamente igual ao que vimos nos filmes anteriores (que decorrem no presente).

Em X-Men: Apocalipse o público é finalmente apresentado a um dos maiores vilões dos X-Men, o próprio Apocalipse. Este mutante todo-poderoso, que foi o primeiro mutante a caminhar na Terra, desperta depois de várias décadas adormecido, e fica chocado ao ver o que a humanidade fez com o planeta. Decide então reunir quatro ajudantes mutantes (os Cavaleiros do Apocalipse), para o ajudarem a apagar tudo o que existe no mundo para começar de novo.

Este é um dos nossos maiores problemas no filme. Embora Oscar Isaac já tenha provado a sua qualidade como ator, e esteja bem no papel que lhe foi dado com Apocalipse, o vilão acaba por ser bastante genérico, e consequentemente a narrativa também. Apocalipse acorda, decide destruir o mundo, e os X-Men têm de unir forças (depois de naturalmente duvidarem da sua capacidade) para travar o vilão. Nesse aspeto é um filme básico, mas existem alguns momentos impressionantes.

O elemento mais interessante surge com o arco narrativo de Magneto, interpretado novamente por Michael Fassbender, provavelmente com a melhor prestação do filme. Não vamos entrar em detalhes, mas este é um dos melhores momentos da personagem no cinema, sobretudo porque o vemos num contexto muito diferente. Outro momento genial envolve novamente Quicksilver (Evan Peters), que depois da sequência na cozinha em Dias de um Futuro Esquecido, volta a brilhar ao mostrar toda a sua velocidade na Mansão de Charles Xavier. Mas é pena que um dos momentos mais prometidos durante o filme, envolvendo Quicksilver, nunca chegue a concretizar-se.

Uma grande fatia do filme envolve Mystique no centro das atenções, interpretada novamente por Jennifer Lawrence, o que é um pouco problemático. Quando filmaram X-Men: Primeira Classe, em 2011, Jennifer Lawrence era ainda relativamente desconhecida. Desde então ganhou um óscar e tornou-se na estrela de Os Jogos da Fome, o que a catapultou para o estatuto de uma das maiores atrizes atuais de hollywood. Ora, considerando a nova fama de Jennifer, é natural que o estúdio pretenda dar maior destaque à personagem, mais até do que seria previsível. E ao contrário do que o arco narrativo sugeriu no passado, Mystique também passa agora muito mais tempo na sua forma humana do que no original azul, novamente para mostrar Jennifer Lawrence.

O foco na atriz e em Mystique não é suficiente para prejudicar o filme, mas os fãs de X-Men podem não apreciar a importância cada vez maior da personagem na história. Neste caso, o papel de Jennifer Lawrence acaba por ser um pouco o de mentora. Numa primeira fase vai recrutar mutantes, e depois deve liderá-los na batalha contra Apocalipse.

O filme é bastante previsível pela maior parte, mas existem duas surpresas que os fãs de X-Men vão adorar. Uma envolve Wolverine, que já foi confirmado nos trailers, e embora seja uma participação curta, Hugh Jackman mostra-nos a sua versão mais furiosa do famoso mutante. O outro grande momento está destinado a Jean Grey, interpretada por Sophie Turner (Sansa Stark em Game of Thrones), e deixou-nos genuinamente entusiasmados com a direção que os próximos filmes podem tomar.

Uma das desilusões do filme acabou por ser o papel secundário de alguns dos nossos mutantes favoritos, nomeadamente os que acompanham Apocalipse (com exceção de Magneto). Tempestade, Anjo e Psylocke mereciam ter as suas histórias mais desenvolvidas, e em particular a última, que embora seja uma das favoritas do fãs, só agora apareceu num filme dos X-Men.

Quanto ao departamento técnico, X-Men: Apocalipse é brilhante. Os efeitos gráficos são fantásticos, os poderes estão bem representados, e a ação é excelente. Pena que em termos narrativos o filme não vá um pouco mais longe. Apesar das queixas que temos com X-Men: Apocalipse, é bom o suficiente para o recomendarmos a todos os fãs da saga e de super-heróis em geral. Não é o melhor filme do género, mas tem qualidade para vos entreter durante duas horas e pouco.

Editor-in-Chief Portugal Ricardo C. Esteves was editor-in-chief of Gamereactor Portugal, writing for the site from 2013. He covered video games across news, previews and reviews, and also wrote on film and television.
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