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Wandavision - Análise Temporada 1

Uma série altamente criativa e divertida, ainda que não corresponda a todas as expetativas que se criaram ao longo das semanas.
Ricardo C. Esteves Editor-in-Chief Portugal Atualizado 10 Março 2021

Ninguém nos podia preparar para a verdadeira montanha-russa que foi Wandavision, a primeira série televisiva do Universo Cinemático da Marvel (Agentes de Shield e as séries do Netflix são algo à parte), lançada em exclusivo para o Disney+. Ao longo de nove semanas fãs de todo o mundo acompanharam Wanda e Vision e a sua vida romântica e divertida em Westview, enquanto o casal de super-heróis dos Vingadores atravessou várias décadas de sitcoms americanas, como The Dick Van Dyke Show, Casei Com Uma Feiticeira, Quem Sai aos Seus, A Vida é Injusta, e Família Moderna.

Esse será mesmo o ponto mais positivo de Wandavision, a forma como conseguiu recriar o visual, o espírito, e as nuances de todas estas séries. Foi encantador revisitar este estilo de comédias familiares, porque nada foi deixado ao acaso. Desde as cores às roupas, passando pelo formato da imagem e aos maneirismos, houve aqui um grande trabalho de todos os elementos da produção e da direção, não esquecendo também os atores.

Elizabeth Olsen e Paul Bettany mostram o seu verdadeiro alcance enquanto atores, a uma escala a que ainda não tinham chegado no Universo Cinemático da Marvel, mas existem outros destaques. Kathryn Hahn como "a vizinha abelhuda" Agatha Harkness é simplesmente brilhante, enquanto que Teyonah Parris mostra um pouco do que podemos esperar dela como Monica Rambeau no futuro do MCU. Apreciámos ainda imenso o regresso dos velhos conhecidos Kat Dennings e Randall Park, nos papéis de Jimmy Woo e Darcy Lewis, respetivamente.

Também nos parece que a Marvel tomou a decisão correta de lançar um episódio por semana, em vez de os disponibilizar a todos de seguida, já que isso permitiu aos fãs criarem imensas teorias, e deu-lhes tempo para procurarem pormenores e easter-eggs escondidos (e existem muitos). Dito isto, parece-nos que os episódios foram demasiado pequenos, embora exista alguma discrepância em termos de duração (o último episódio é o maior da primeira temporada, com quase 50m minutos).

Mas o nosso maior problema de Wandavision está no ato final. Não que seja um mau final para a série, mas depois de toda a imaginação e a criatividade a que assistimos ao longo de sete episódios (o oitavo é basicamente um episódio de flashbacks), o último capítulo acaba por ser altamente genérico, semelhante aos finais de tantos outros filmes da Marvel, sobretudo os filmes de origem. Pior ainda, não consegue cumprir com as muitas expetativas criadas ao longo das nove semanas.

Sim, é verdade que muitas dessas expetativas são da exclusiva responsabilidade dos fãs, mas nem todas. Ficámos particularmente desiludidos com o arco de uma personagem apresentada a meio da série, sobretudo por causa do ator que interpretou essa personagem. Não vamos entrar em spoilers, mas parece-nos que foi uma oportunidade completamente desperdiçada pela Marvel, sobretudo sabendo que o Multi-verso será o tema dos próximos filmes de Homem-Aranha e Doutor Estranho.

Mas esta história específica, de Wanda, Vision, e Westview, fica concluída, e é uma boa conclusão, ainda que algo básica comparando com o que foi o resto da série. Como primeira série real do Universo Cinemático da Marvel, não podíamos ter pedido muito mais, e só podemos esperar que a série seja renovada para uma segunda temporada. Até lá teremos Falcão e o Soldado do Inverno, mais Loki, para nos distrair.

Editor-in-Chief Portugal Ricardo C. Esteves was editor-in-chief of Gamereactor Portugal, writing for the site from 2013. He covered video games across news, previews and reviews, and also wrote on film and television.
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