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Ready Player One

Uma carta de amor de Steven Spielberg para a cultura pop em todas as suas formas - incluindo videojogos.
Fabrizia Malgieri 23 Março 2018

Se desejam escapar da vossa dura realidade e dos desafios do dia-a-dia, então Oasis é o lugar que procuram, um mundo de realidade virtual onde o limite é a imaginação dos jogadores, e onde podem partilhar aventuras com outras pessoas. Esta é a premissa de Ready Player One: Jogador 1, mas será um sentimento familiar a muitos jogadores, sobretudo do género MMORPG, como World of Warcraft. Os videojogos são uma fantástica forma de escapismo, e isso é bem realçado pelo novo filme de Steven Spielberg.

Ready Player One é um livro escrito por Ernest Cline, autor americano, um livro que mergulha por completo na cultura pop e na cultura "geek" que se tornou tão popular nos últimos anos. É uma carta de amor para quem aprecia videojogos, entre muitas outras referências dos anos 80 e 90. Trazer uma visão destas para o cinema deve ter sido uma tarefa hercúlea, mas não nos lembramos de ninguém melhor que o próprio Steven Spielberg para cumprir essa missão. Como filme, Ready Player One fala bem alto para uma geração de jogadores que encontrou em vários mundos virtuais um refúgio para as suas ansiedades e medos, para um grupo de pessoas que partilharam aventuras épicas em videojogos, nem que fosse por alguns momentos.

O filme segue a estória de Wade Watts, um tímido rapaz que é apaixonado por videojogos e pela cultura pop dos anos 80 - mesmo que nem fosse nascido na atura. A ação passa-se em 2045, numa versão da Terra devastada por pobreza, guerra, e uma crise de energia. Isolado, e agastado com a situação da sua vida real, Wade Watts passa uma boa parte do seu tempo no Oasis, um mundo virtual criado por James Donovan Halliday. Na pele do seu avatar Parzival, Wade partilha o Oasis com muitos milhões de jogadores espalhados por todo o mundo.

Parte da popularidade do jogo deve-se também ao testamento do seu criador. Quando Halliday morreu, deixou instruções para oferecer a sua fortuna e império ao 'vencedor' de Oasis. Para ser declarado vencedor, um jogador tem de encontrar um tesouro escondido dentro do jogo, algo que só pode ser encontrado depois de uma série de enigmas e desafios. Com um prémio destes, é natural que muitos jogadores se sintam tentados a participar, mas não são os únicos. Várias empresas decidiram investir meios para encontrarem eles o tesouro - algumas a qualquer custo.

O que se segue é uma aventura bastante divertida e entusiasmante, que salta entre o mundo real e o virtual enquanto apresenta várias personagens. O fim em si é algo previsível, mas a viagem até lá vale bem a pena. Mesmo sem ser original em termos de argumento, Ready Player One conseguiu-nos envolver na sua aventura, e acompanhámos com entusiasmo Parzival e Art3mis, uma companheira de Wade.

Numa perspetiva mais particular para quem aprecia videojogos, é fascinante ver a quantidade de surpresas e referências que estão no filme, e se calhar mais importante que isso, é perceber a influência dos videojogos enquanto meio para a estória e o espetáculo da ação. Imaginem que os momentos no Oasis são a jogabilidade, e as secções no mundo real são as sequência de vídeo, se tivesse uma estrutura de videojogo.

É por tudo isto que Ready Player One é uma fantástica carta de amor aos videojogos e à cultura pop, mas não é não se limita a apelar à nostalgia. Esquecendo todas as referências, Ready Player One é um filme com boa estrutura narrativa, grande ritmo - apesar de ser duas horas e 20 minutos -, e excelente direção visual. Graças às personagens interessantes que Cline criou, e à experiência e criatividade de Steven Spielberg e a sua equipa, Ready Player One capturou o nosso coração, e proporcionou-nos mais de duas horas de pura magia. Se têm problemas com "CGI", este filme não é para vocês, mas se isso não é um problema, peguem num balde de pipocas e vão ao cinema.

Perfil completo 1.004 artigos publicados
Dados do jogo Ready Player One
Data de lançamento 27 Março 2018
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