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Star Wars: Os Últimos Jedi

Fantástico em todos os níveis, o Episódio VIII é um dos filmes imperdíveis de 2017.
Ricardo C. Esteves Editor-in-Chief Portugal 18 Dezembro 2017

O que queremos de um filme de Star Wars, a nível pessoal, é entrar no cinema com um balde gigante de pipocas, sentarmos-nos, e divertimos-nos de princípio ao fim. Foi isso que aconteceu com Star Wars: Os Últimos Jedi, um filme que nos conseguiu deslumbrar, emocionar, empolgar, e surpreender. Depois de J.J. Abrams e Star Wars: O Despertar da Força, com Rogue One pelo meio, seguiu-se Rian Johnson e Os Últimos Jedi, um filme que continua a estória das personagens centrais desta nova trilogia, enquanto respeita e serve de tributo aos heróis de outros tempos. É um filme de despedidas para alguns, nomeadamente Carrie Fisher que nos deixou com uma última interpretação mágica de Leia, mas também de uma direção empolgante para os que ficam.

A estória arranca pouco depois do final de O Despertar da Força, e não apenas em relação a Rey e Luke, isolados num planeta remoto. Se calhar mais importante é até o confronto entre a Resistência e a Primeira Ordem. No último filme, a Resistência conseguiu destruir a base Starkiller, mas não antes da Primeira Ordem ter devastado os planetas da República. E embora a sua maior arma esteja perdida, a Primeira Ordem tem ainda vários truques na manga, capazes de devastar uma oposição com poucos meios além de uma vontade inabalável e grande capacidade de sacrifício. Aliás, o sacrifício absoluto em prol de um bem maior é um dos temas recorrentes de Os Últimos Jedi.

O filme pode dividir-se em três focos narrativos, que acabam por culminar num último ato emocionante. Existe o confronto entre a Resistência e a Primeira Ordem, uma aventura paralela com Finn e Rose (uma nova personagem), e a continuação da estória de Rey, na ilha com Luke Skywalker. Os vilões Kylo Ren, Snoke, General Hux, e Capitã Phasma estão também de volta, entre outras aparições surpreendentes.

Desses três focos narrativos, o mais fraco é o de Finn e Rose. É uma sequência tão afastada de tudo o resto, que parece quase um filme separado. É também onde aparecem mais elementos com criaturas estranhas e uma sobrecarga de efeitos especiais, quase a lembrar as prequelas. Não vamos ao ponto de dizer que é uma sequência horrível, longe disso, mas parece-nos demasiado 'fora' de tudo o resto que está a acontecer, e na verdade, é uma sequência que não tem praticamente consequências reais.

Outras ações e sequências são o exato oposto, e têm grandes e por vezes graves consequências. O filme aborda estas questões de forma mais ligeira do que Rogue One, que tinham um tom sério, mas não deixam de estar em causa muitas vidas. Isto resulta num crescimento de várias personagens. Poe Dameron, por exemplo, é uma das personagens que mais evolui ao longo do filme, enquanto que Rey e Kilo Ren têm também os seus destinos definidos neste Episódio VIII, muito mais do que no final do último filme.

Os Últimos Jedi dá-nos também uma série de respostas relacionadas com algumas personagens, mas também em relação à própria Força. O filme oferece novas explicações para o que é realmente a Força, aprofunda toda a questão dos Jedi e dos Sith, revelando também novas capacidades que a Força permite. Vão ver aqui algumas ações motivadas pela Força que nunca viram noutro sítio, o que provavelmente irá dividir alguns fãs. Pela parte que nos toca, gostámos bastante de ver estas novas ideias em execução, e o mesmo aplica-se aos sabres de luz.

Star Wars: Os Últimos Jedi é também um filme espantoso para os sentidos. Visualmente é um espectáculo, não só devido à excelência dos efeitos especiais, mas também à visão e realização de Rian Johnson. Existem aqui enquadramentos magníficos, que dariam excelentes wallpapers, e também alguns constastes magníficos de cores. A sequência no planeta Crait, que até já podem experimentar em Star Wars Battlefront II, deixou-nos completamente boquiabertos. Existem ainda várias referências e alusões a outros momentos da saga, que os mais atentos podem perceber. O som, naturalmente, é também extremamente rico, ao nível dos efeitos e da banda sonora, como a saga sempre nos habituou.

Gostaríamos ainda de deixar bem claro que Os Últimos Jedi não é uma repetição de O Império Contra-Ataca, como se temia. Existem de facto momentos que lembram esse filme, e outros de O Regresso do Jedi, mas normalmente acontece algo que vira esse momento do avesso e tudo muda, surpreendendo-nos. Star Wars: Os Últimos Jedi é um regresso ao tom mais clássico da saga, depois da abordagem mais crua e realista de Rogue One, e nós adorámos o contraste. É isto que queremos da saga principal de Star Wars, e mal podemos esperar para vez o que J.J. Abrams vai fazer com o Episódio IX.

Editor-in-Chief Portugal Ricardo C. Esteves was editor-in-chief of Gamereactor Portugal, writing for the site from 2013. He covered video games across news, previews and reviews, and also wrote on film and television.
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