Não tem sido fácil a vida da DC Comics e da Warner Brothers no que ao Universo Cinemático da DC diz respeito, em grande parte por culpa própria, mas não só. Multiplicam-se os rumores em relação à saída de Ben Affleck enquanto Batman, as críticas da imprensa são esmagadoramente negativas (com exceção do filme da Mulher-Maravilha), e no filme da Liga da Justiça até tiveram de dividir a direção do filme. Zack Snyder, que realizou Homem de Aço e Batman v Superman: Despertar da Justiça, teve de sair antes de terminar a produção de Liga da Justiça devido a uma tragédia familiar. Para o seu lugar entrou Joss Whedon, que realizou Os Vingadores e Os Vingadores: A Era de Ultron, da Marvel.
O resultado é um filme que, a espaços, parece assumir duas direções diferentes. Embora o tom geral do filme seja ainda sério e dramático, existem bastantes mais momentos de humor do que nos filmes anteriores da DC Comics, e se alguns devem ter sido introduzidos por Zack Snyder, outros parecem claramente inspirados por Joss Whedon. Até o bigode de Henry Cavill, ator que interpreta Super-Homem, deu que falar. O ator estava a trabalhar noutro filme quando foi chamado para filmar cenas extras de Liga da Justiça, e por isso estava contratualmente obrigado a manter o bigode. Isto obrigou a Warner a apagar digitalmente o bigode, e sim, nota-se em algumas ocasiões.
Ou seja, como referimos ao início, o Universo Cinemático da DC Comics não tem tido vida fácil. Apesar de tudo isto e mais, o filme da Liga da Justiça é bastante divertido. Tem várias falhas, sim, mas se apreciam filmes de super-heróis, é provável que também acabem por apreciar este.
O filme da Liga da Justiça arranca alguns meses depois do filme de Batman v Superman. O Super-Homem está morto, o mundo sofre com a sua ausência, e Batman sabe que algo muito perigoso está a caminho. Esse perigo chama-se Steppenwolf, um dos generais de Apokolips, que veio à Terra à procura das Caixas Mãe. O enredo geral é simples. É preciso impedir que Steppenwolf acabe por reunir as caixas e destrua o mundo para regressar a Apokolips, de onde foi exilado por Darkseid (esse sim o grande vilão da DC). É um vilão também ele bastante simples, e sem profundidade ou complexidade, +mas parece-nos que cumpre bem o seu papel.
Este filme é sobre a Liga da Justiça, sobre como se conheceram, como se uniram, e um vilão demasiado complexo poderia roubar atenções. Nesse sentido, Steppenwolf é pouco mais que um inimigo que a Liga tem de derrotar, mas para este filme específico, parece-nos que era isso que se pedia.
O melhor do filme acaba por ser a própria Liga, as suas interações, e a forma como lutam em conjunto. Existem momentos de tensão e discordância, mas também momentos de humor e camaradagem. Nem todos resultam na perfeição, mas o filme é quase sempre divertido quando a Liga está no ecrã. Claro que falta aqui um grande membro da Liga da Justiça, o Super-Homem, morto no filme anterior. Não vamos referir nada em relação à presença da personagem, excepto que Henry Cavill entra de facto no filme, como já foi visto nos trailers. Mas se são fãs da personagem... acreditamos que também vão gostar deste filme.
Liga da Justiça tem algumas sequência de ação espetaculares, mais que qualquer outro filme da DC Comics, e nem todas envolvem a Liga. Por vezes os efeitos visuais parecem excessivos, e nem sempre são bem feitos, mas no geral gostámos imenso da ação que o filme apresentou.
O maior defeito de Liga da Justiça será possivelmente a sua duração. Por imposição da Warner Brothers, Liga da Justiça dura apenas duas horas (contando com os créditos), mas é evidente que o filme foi desenhado para durar bem mais. Existem vários momentos que apareceram nos trailers que não estão no filme, e certas sequências cortam de forma abrupta ou parecem apressadas. Como fãs dos filmes anteriores, gostaríamos de ver uma "edição Zack Snyder" em Blu-Ray, de preferência com pelo menos mais meia-hora de filme. Outros defeitos envolvem o humor, que nem sempre resulta, e os efeitos especiais, vários furos abaixo do que costumamos ver nos filmes da Marvel ou de Star Wars, por exemplo.
Liga da Justiça é um filme a espaços apressado, com um problema de dupla identidade, e que tem uma premissa bastante simples, além de sofrer com efeitos especiais que variam entre o razoável e o fraco. Mas é também um filme divertido de super-heróis, suficientemente bom para fazer a delícia da maioria dos fãs da DC Comics. Se cresceram a ler Super-Homem, Mulher-Maravilha, Batman, e companhia, ou se ainda lêem, este filme é altamente aconselhável. Da parte que nos toca, mal podemos esperar pelo lançamento de uma versão alargada em Blu-Ray.

