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análise filme

Assassin's Creed

Prontos para darem um mergulho de fé por este filme?

Vão ser dois os tipos de pessoas que vão entrar no cinema para ver o novo filme de Assassin's Creed: os que jogaram e conhecem bem a saga dos videojogos, e os que tiveram pouco ou nenhum contacto com esse mundo. Curiosamente, os dois grupos devem ter sentimentos semelhantes quando saírem do cinema: a desilusão de um filme que mostra promessa aqui e ali, mas que falha redondamente na procura desse potencial.

Dito isto, se pertencem ao grupo que conhece os jogos, estarão em vantagem. É bem possível que novatos de Assassin's Creed se sintam algo confusos com a estória, enquanto que os fãs da saga vão perceber perfeitamente o que se passa. Devem no entanto ter a consciência de que existem diferenças entre o jogo e o filme, e o maior exemplo disso é o formato do Animus (muito mais dinâmico no filme). A Ubisoft deu carta branca a Michael Fassbender e companhia para alteraram elementos da estória, mesmo que isso não seja necessariamente.

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Os fãs vão descodificar várias referências (algumas subtis, outras nem por isso) aos videojogos, e o conceito central de Assassin's Creed mantém-se. A narrativa decorre no presente, mas parte da ação é transportada para um período atrasado no tempo, neste caso a Inquisição Espanhola do século XV. O local escolhido foi Andalusia, e a recriação desse período está soberba, enquanto a Inquisição tentar empurrar a dinastia Islâmica para fora da Europa. A ação no passado decorre neste contexto, e é normalmente divertida e absorvente.

A estrela de Assassin's Creed é o ator Michael Fassbender (que é também o produtor), e aqui interpreta dois papéis. A sua versão presente é Callum Lynch, enquanto que no passado interpreta Aguilar de Nerha, um assassino escolhido para proteger a Maçã de Éden. Se jogaram Assassin's Creed 1 e 2, não vão reconhecer estas personagens, mas vão certamente reconhecer o artefacto e as suas origens. Os Templários - no presente disfarçados com a fachada Abstergo Industries - querem saber a localização da maçã, e acham que a resposta está nas memórias dos antepassados de Callum.

Apesar de ser um período histórico novo, com um protagonista inédito, existem muitas semelhanças entre o enredo do jogo e do filme. Uma diferença, como já referimos, é o Animus, que no filme permite interações muito mais dinâmicas. Em vez de ser uma 'cama' ou uma 'cadeira', o Animus do filme é uma enorme sala estilo realidade virtual, com um dispositivo gigantesco que se prende ao utilizador. Isto significa que Callum não está apenas a recordar as memórias do seu antepassado, está realmente a executá-las em tempo real (mas no vazio). Isto dá mais força ao conceito do Bleeding Effect, que é essencialmente a transmissão das habilidades do antepassado para o utilizador presente. Em termos cinemáticos, ver as transposições do movimento das duas personagens no grande ecrã funciona bem, mas é um efeito utilizado excessivamente. Gostaríamos que o filme tivesse mais momentos significativos, e menos momentos fúteis de Fassbender a atingir uma pose 'fixe'.

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Este e outros momentos acrescentam a um dos maiores problemas do filme, que é o ritmo irregular. Existem demasiados momentos onde nada de importante se passa, que deviam ter sido retirados, ou substituídos com algo com maior substância. Isto é ainda mais grave quando existem temas e tópicos que são sub-aproveitados no filme, e as relações das personagens no tempo moderno é particularmente forçado. Falta mais contexto e autenticidade a estas relações. Mesmo o facto de Assassin's Creed contar com um elenco de luxo, onde ainda se destacam Brendan Gleeson, Marion Cotillard, e Jeremy Irons, não salva o filme de parecer apressado e irregular. As mudanças na personalidade e nas motivações do protagonista Lynch são também forçadas e pouco credíveis.

O melhor do filme são mesmo as sequências de ação, que utilizam com grande mestria os movimentos de Parkour que tanto distinguiram a saga nos videojogos. Existem excelentes coreografias, e a cinematografia é soberba. Quanto à estória, sabemos que Assassin's Creed esconde muitas surpresas que foram pouco exploradas neste filme, e que provavelmente terão sido poupadas para sequelas (se existirem, o filme está longe de ser um sucesso).

Como um todo, Assassin's Creed é um filme razoável, sobretudo considerando outras adaptações de jogo ao cinema, mas não é tão bom quanto poderia ser. É um filme desequilibrado, que merecia mais trabalho e mais tempo em alguns setores. Não é o filme de Assassin's Creed que gostaríamos de ter tido, e que achamos que pode ser feito, mas a maior parte do tempo no cinema foi divertido. Se tiverem oportunidade para isso, esperemos que Michael Fassbender e a sua equipa possam melhorar para a sequela, tal como Assassin's Creed II foi para o jogo original.

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06 Gamereactor Portugal
6 / 10
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