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análise filme

Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos

É magnífico? Não. Mas é o melhor filme baseado em videojogos.

A frase que mais ouvimos e lemos em relação ao filme de Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos, é que se trata de uma adaptação do jogo World of Warcraft. Isso está longe de ser preciso, já que e o mesmo que dizer que O Hobbit: Uma Jornada Inesperada é inspirado pelo livro O Senhor dos Anéis: O Regresso do Rei. Os eventos retratados no filme são antes inspirados pela estória de Warcraft: Orcs and Humans, o primeiro jogo de estratégia que começou tudo, e se o filme tiver sucesso, o melhor estará para vir.

Mas o que temos agora é este filme, e é este filme que vamos analisar. Warcraft tem um grande preconceito para quebrar: o de que os filmes baseados em videojogos são horríveis. O cinema não tem sido um bom parceiro para muitas das sagas que aprendemos a adorar ao longo dos anos nas nossas consolas e no PC, e será Warcraft finalmente o filme que vai mudar isso? Sim, de certa forma sim. Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos não é um mau filme, muito longe disso, e é provavelmente o melhor filme de sempre baseado num videojogo (com alguma vantagem para dizer a verdade). É um filme entusiasmante, épico, colorido, e até um pouco caótico. Talvez até seja ambicioso demais para o seu próprio bem, mas já lá vamos.

Embora mostre outras raças, a estória do filme concentra-se nos Orcs e nos humanos. Draenor, o mundo dos Orcs, está a morrer, e o seu líder Gul'dan pretende usar magia Fel (demoníaca) e um enorme portal para levar o seu povo para o mundo de Azeroth, onde vivem os humanos. O grande problema é que os Orcs não vão para Azeroth para tratarem a situação com delicadeza diplomática, mas antes com a força de machados maiores que um homem. Esta é a premissa principal do filme, que ainda inclui confrontos de proporções épicas, traições, magia, elfos, golems e anões.

Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos
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Nem tudo é 100% fiel ao material de origem, mas os compromissos feitos não nos incomodaram, sobretudo porque a atenção do filme ao detalhe é fantástico. O realizador Duncan Jones, o ator Robert Kazinsky (Orgrim), e muitos outros elementos da equipa são fãs genuínos de Warcraft, e isso nota-se no filme. Cada peça de armadura, cada arma, e cada imagem de uma taverna, de uma caixa de correio ou de uma torre, estão presentes no filme como tributo aos jogadores de Warcraft. Infelizmente, isso não foi suficiente para encontramos alguns defeitos, e o mais óbvio prende-se com a utilização de imagens geradas em computador. Essas imagens são fantásticas, e estão entre os melhores efeitos visuais que já vimos, mas ainda não são perfeitos. O jogo de Warcraft tem um estilo exagerado, quase cartoonesco, que é recriado exemplarmente no filme. O problema é que os humanos são interpretados por atores reais, o que cria um contraste difícil de aceitar numa primeira instância. Acaba por ser uma distração que, por momentos, nos tira da envolvência do filme.

Contrastes à parte, o detalhe e as animações dos Orcs são fantásticas, e eventualmente acabamos por nos deixar levar pelo ritmo acelerado do filme e o seu foco em várias personagens icónicas. O desempenho dos atores é excelente, mas para o apreciarem têm de aceitar o tipo de mundo que é Warcraft. É uma mistura entre Senhor dos Anéis e Star Wars, com uma pitada de super-heróis. Existem personagens e conflitos épicos, e é isso que o filme proporciona na maior parte do tempo. Travis Fimmel (mais conhecido em Vikings), é Lothar, a personagem mais carismática entre os humanos. Toby Kebell interpreta o Orc mais nobre, Durotan, e fá-lo com uma prestação memorável. Mas a interpretação que mais nos surpreendeu foi a de Ben Foster, no papel de Medivh, mas não nos vamos alongar sobre a sua função na história.

O desempenho que mais nos desiludiu foi o de Paula Patton, no papel de Garona, uma personagem híbrida entre Orcs e humanos (o que vai contra o lore de Warcraft, mas simplifica o contexto do filme). Garona acaba por ser de grande importância na narrativa, mas a atriz não está bem à altura das exigências. O mesmo pode ser dito de Dominic Cooper no papel de King Llane, embora aqui possa queixar-se de uma construção medíocre da sua personagem.

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Alguns podem achar a estória confusa, o ritmo exagerado, ou as interpretações dos atores medíocres, mas poucos podem argumentar que o filme é feio. Warcraft é um filme visualmente espetacular, e consegue sê-lo sem vergonha ou medo de abraçar cores vivas. Não são tons realistas, mas criam um efeito visual que nos impede de afastar os olhos do ecrã e injetam grande energia no filme.

Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos não é um filme fantástico, mas também não é mau, e é certamente melhor do que as análises "profissionais" de cinema pintam. Estamos particularmente interessados em ver a versão estendida de Blu-Ray (cerca de 40 minutos de filme foram cortados), e esperamos que o filme tenha sucesso suficiente para justificar uma sequela. Existem muitas estórias e personagens de Warcraft que merecem aparecer no grande ecrã, e O Primeiro Encontro de Dois Mundos é apenas o início do que pode ser uma saga épica de filmes. Se Duncan Jones tiver a oportunidade de completar a sua trilogia (já disse que quer fazer pelo menos mais dois), existe aqui o potencial para algo grandioso.

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07 Gamereactor Portugal
7 / 10
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