Gamereactor Internacional Português / Dansk / Svenska / Norsk / Suomi / English / Deutsch / Italiano / Español / Français / Nederlands
Gamereactor
Iniciar sessão






Esqueceu-se da password?
Não estou registado mas quero registar-me

Prefiro iniciar sessão com a conta de Facebook
Gamereactor Portugal
análises
Tacoma

Tacoma

Dos criadores de Gone Home chega uma estória muito íntima a bordo de uma estação espacial.

  • Texto: Bengt Lemne

Nos últimos anos assistimos a um tremendo crescimento da forma como a narrativa é tratada e apresentada no meio dos videojogos, mesmo que esses jogos por vezes não cumpram ao nível da jogabilidade tradicional. Classificá-los como jogos até acaba por ser algo incorreto, já que se tratam de experiências narrativas e não tanto de "jogos" no sentido literal da palavra. Também há quem classifique uma boa porção destes jogos como "Walking Simulators" (simuladores de caminhadas), embora normalmente com alguma conotação negativa.

O estúdio The Fullbright Company fez nome precisamente com um desses Walking Simulators, Gone Home, que apresentou a narrativa utilizando o ambiente de forma inteligente. Tacoma é o seu novo projeto, e tem como objetivo explorar temas como os direitos dos trabalhadores, a inteligência artificial, relações, e os efeitos de stress ou pressão. Tudo a bordo de uma estação espacial, que depende de inteligência artificial, e cuja natureza invoca de forma natural alguma pressão e claustrofobia.

Publicidade:

Tacoma é também o nome dessa estação, que o jogador vai conhecer através dos olhos de Amy. Amy chega à estação com o conhecimento de que a tripulação abandonou o local devido a uma catástrofe desconhecida, e agora pretende recuperar os dados da inteligência artificial para descobrir o que se passou. À medida que percorrem a estação e investigam os vários quartos e divisões, vão também ter acesso a hologramas que mostram eventos passados com a tripulação. Estes hologramas são mais complexos do que é costume, com personagens a movimentarem-se pelo mapa e por vezes com conversações em simultâneo. Enquanto exploram podem também resgatar gatos, encontrar segredos, e tentar descobrir os perfis das tripulação, mas como já devem estar à espera, a jogabilidade é remetida para segundo plano em detrimento da narrativa e da exploração.

Enquanto se movem pela estação, colecionado dados, observando os hologramas (que podem avançar, rebobinar, e parar), e estudando os itens abandonados, vão começar a formar uma narrativa. Pode parecer um formato fragmentado, mas o núcleo da estória é bastante conciso e eficaz. A forma como tudo é apresentado é inteligente, e conta a narrativa exemplarmente, mas como acaba por não envolver o jogador, torna-se algo impessoal. Existe um motivo para isso, uma razão para o jogo ser impessoal, mas embora sirva um propósito narrativo, é algo que afeta toda a experiência.

Também apreciámos o facto de Tacoma abordar alguns temas corajosos, temas que provavelmente vão permanecer convosco depois de desligarem a consola ou o PC. São duas horas, talvez um pouco mais se forem cuidadosos com a exploração, o que é escasso, mas a experiência de Tacoma tem o potencial para perdurar na memória muito além de jogos que duram 50 horas.

Parte da eficácia de Tacoma deve-se também à atenção ao detalhe, à qualidade da construção da estação e das suas divisões. Os hologramas são fáceis de acompanhar, enriquecidos com interpretações muito fortes dos atores. O resultado é um conjunto de seis personagens que parecem reais, com emoções, problemas, e personalidade.

Um tema constante de Tacoma é o do "big brother", e da proteção da integridade pessoal. A tripulação está sempre debaixo de um escrutínio intendo, sempre a serem gravados, mas isso é algo com que tem de lidar. Faz parte do trabalho para o qual foram contratados, mas ainda assim, investigar os seus pertences pessoais, os seus emails, e todas as conversas privadas, acabou por nos causar algum incómodo, o que diz bem da eficácia do trabalho da The Fullbright Company. Desconhecer o motivo que levou ao abandono da estação apenas acrescentar a esse desconforto e tensão.

Tacoma é um jogo com temas capazes de motivarem o pensamento, que oferece mais questões morais do que respostas, e embora não esteja bem ao nível de Gone Home em termos de impacto, ou de What Remains of Edith Finch ao nível de design, é ainda assim uma experiência digna para quem aprecia o género narrativo e temas complexos.

TacomaTacoma
TacomaTacoma
08 Gamereactor Portugal
8 / 10
+
Narrativa poderosa. Personagens interessantes. Excelente atenção ao pormenor. O jogo explora alguns temas provocadores.
-
É algo curto.
overall score
Esta é a média do GR para este jogo. Qual é a tua nota? A média é obtida através de todas as pontuações diferentes (repetidas não contam) da rede Gamereactor
Publicidade: