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What Remains of Edith Finch

What Remains of Edith Finch

Uma aventura memorável onde vão explorar o passado negro da família Finch.

  • Texto: Bengt Lemne

O género "Walking Simulator" não é visto com bons olhos por todos os jogadores, acusado por alguns de ser um tipo de jogo que limita demasiado a interação em detrimento da narrativa. Na maioria fazem pouco mais do que carregar no analógico para caminharem e pressionarem um botão para interagirem. Estas acusações são verdadeiras, e é por isso que o género Walking Simulator não é para todos os gostos, mas existem experiências narrativas que não beneficiariam de quebras de ritmo impostas por puzzles ou batalhas. What Remains of Edith Finch é um desses jogos, uma experiência onde o jogador não se deve concentrar nas ações, mas antes no ambiente que o rodeia e na estória que está a descobrir. Ainda assim, What Remains of Edith Finch sabe utilizar com inteligência as mecânicas de jogo que tem.

Trata-se da estória da amaldiçoada família Finch, uma família que enfrentou muitas dificuldades, mas que nunca resolveu o seu passado conturbado. A família viveu vários anos na mesma casa, mas em vez de reocupar os quartos dos membros falecidos, decidiu continuar a acrescentar divisões à casa, deixando esses quartos fechados. Como podem adivinhar, é precisamente esta a casa que vão explorar no jogo. Edith é o último membro vivo da família, uma rapariga curiosa sobre a sua própria descendência, já que a sua mãe nunca partilhou muitos detalhes sobre o seu passado. É por isso que decide explorar a casa e descobrir o legado do nome Finch.

É uma experiência totalmente virada para a estória, para o foco narrativo, e não vemos qualquer problema nisso. Compreendemos que também não é para todos os gostos, e também não há nada de errado com isso. Não existe aqui qualquer tipo de desafio, ou de resultado negativo. Só existem estórias, e isso foi suficiente para nos agarrar de princípio ao fim. A força de What Remains of Edith Finch não reside nas ações que o jogador pode executar durante a aventura, mas nas perspetivas que podem ganhar. É uma narrativa poderosa, que lida com família, medo, e morte, mas sem nunca ser demasiado deprimente. Por vezes é macabro, noutras ocasiões é emocional, e cada capítulo transmite um grande cuidado e paixão por parte da produtora para o jogo.

What Remains of Edith Finch não perde o tempo do jogador, e mesmo o que vão "caminhar" acaba por ser mínimo. Por causa disso é uma aventura com excelente ritmo, que vai direta ao que importa, embora não nos pareça o tipo de jogo que vão querer repetir, pelo menos nos próximos tempos. Ainda assim fica a nota de que é possível revisitar os capítulos individualmente depois de terminarem a aventura. Demorámos perto de duas horas para chegarmos ao fim de What Remains of Edith Finch, mas nunca sentimos que o jogo tinha sido apressado, ou que faltasse algo. Pelo contrário, tudo nos pareceu bastante natural e com a longevidade adequada para o tipo de experiência que pretende contar. Aliás, isso foi o mais importante para a produtora - apresentar uma aventura com bom ritmo, que fizesse sentido, e sem preocupação pela duração.

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O jogo decorre no exterior e no interior da mansão Finch, construída depois da casa original da família Finch ter sido destruída durante uma tempestade. A própria Edith nunca esteve dentro da maioria dos quartos fechados da mansão, selados quando o seu habitante faleceu. A mansão tem excelente pormenor e atenção ao detalhe, com grande personalidade, e os quartos conseguem pintar com sucesso o retrato de que os habitou. Existem muitas estórias para descobrirem, nem todas particularmente realistas. Não vamos revelar nada concreto, mas durante a aventura vão encarnar várias memórias e formas, e tudo encaixa perfeitamente na experiência e na narrativa.

Numa perspetiva mais técnica, What Remains of Edith Finch cumpre um trabalho razoável, mesmo que não se destaque neste campo. Já o departamento sonoro é mais impressionante, não só em termos de efeitos e música, mas também ao nível das interpretações dos atores. A estória é contada através da forma como Edith escreve no seu diário, mas o que também surge no cenário, e é uma excelente técnica para manter a atenção do jogador. Existem várias pequenas decisões de design muito inteligentes, o que mostra bem o quanto foi considerando em torno de um conceito tão simples.

Por algum motivo, sempre pensámos em What Remains of Edith Finch com um ponto de interrogação no fim do título. Pois bem, agora que jogámos percebemos que faz todo o sentido a sua exclusão. Não existe aqui qualquer mistério para resolver, é antes um jogo sobre o que ficou, o que sobrou. É uma experiência linda, emocionante, e desenhada ao pormenor. Um jogo memorável que é absolutamente obrigatório, se tiverem qualquer tipo de interesse em aventuras narrativas.

What Remains of Edith FinchWhat Remains of Edith Finch
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09 Gamereactor Portugal
9 / 10
+
Narrativa exemplarmente construída. Explora temas pesados de forma cuidada. Bom ritmo. Imaginativo. Excelente banda sonora.
-
Alguns podem considerar a experiência algo limitada. Tecnicamente não é muito impressionante.
overall score
Esta é a média do GR para este jogo. Qual é a tua nota? A média é obtida através de todas as pontuações diferentes (repetidas não contam) da rede Gamereactor
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