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Planescape Torment: Enhanced Edition

Planescape Torment: Enhanced Edition

Recordámos porque este é um dos grandes clássicos do género RPG.

  • Texto: Jorge García

Todos os meios - música, cinema, jogos -, têm os seus clássicos, e entre esses, existem sempre alguns que envelhecem melhor que outros. Contudo, a situação é um pouco mais preocupante nos videojogos, onde o grafismo, o design, e as mecânicas de jogo podem tornar-se datadas e obsoletas em pouco tempo. A tecnologia dos videojogos e as suas possibilidades desenvolvem-se a um ritmo muito mais acelerado, o que significa que se um jogo quiser manter-se relevante ao longo dos tempos, tem de apresentar algo mais do que boas capacidades técnicas e mecânicas.

Quando Planescape Torment foi lançado há 18 anos, não causou grande alarido. A Black Isle era um estúdio poderosíssimo ao nível dos RPG, dominado o mercado ocidental com títulos como Fallout, Icewind Dale, e Baldur's Gate. Já Planescape Torment foi uma aposta mais experimental, um enorme mecanismo afinado ao mais pequeno pormenor, e onde as peças individuais contribuíam para o todo. Não teve o sucesso esmagador dos outros jogos da Black Isle, mas tornou-se num verdadeiro clássico de culto, admirado por muitos fãs do género.

É um jogo que merece ser apreciado por uma nova geração, mas para isso era necessária uma atualização, algo que o melhorasse e atualizasse para padrões modernos, e foi isso que aconteceu nesta Enhanced Edition. Não é um remake completo, mas também não é uma simples remasterização. Visualmente foi naturalmente melhorado, em termos de texturas, modelos, e animações, mas foi um trabalho equilibrado. Se tentassem introduzir demasiadas afinações, ou a tentar arranjar o que não estava estragado, podiam acabar por desvirtuar a experiência original. Felizmente a Beamdog Interactive mostrou conhecer bem o material de base, e soube respeitá-lo. É assim que um jogo como Planescape Torment deve ser atualizado para o público moderno.

É uma versão moderna de um jogo antigo, não um jogo novo baseado num jogo antigo, o que significa que existem mudanças, mas são menores. Existiu a atualização visual, alguns problemas técnicos foram resolvidos, e elementos que pudessem ter atrapalhado a experiência original foram afinados ou alterados. De resto, é basicamente o mesmo jogo que saiu há 18 anos.

Para alguns, isso não será suficiente, e entendemos a sua situação. Existem jogadores que provavelmente preferiram algo semelhante ao que foi feito a Baldur's Gate 1 e 2, mas parece-nos que Planescape não iria beneficiar tanto desse tratamento. Estamos a falar de um jogo medido e alinhado de forma quase obsessiva, que era mais uma estória gráfica que qualquer outro jogo produzido no motor Infinity. Em Planescape Torment o jogador desfrutar de liberdade para explorar e desenvolver a sua personagem, para aprofundar o seu conhecimento do mundo e da estória na medida que entender. Não é um jogo com muitas escolhas narrativa, ou com dezenas de finais, mas antes opções contextuais e de interação, não tanto de desenrolar da estória. Vão sempre visitar os mesmos locais, conhecer as mesmas personagens, e assistir aos mesmos eventos, independentemente de como jogam.

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Apesar disso, Planescape Torment consegue transmitir a sensação de que o jogo está no controlo de uma estória credível. Cada personagem, situação, e missão, parece algo feito à medida para o jogador, e cada marco da experiência parece impactante. É um jogo onde vários elementos são combinados para entregarem uma aventura grandiosa, onde inúmeras possibilidades da mesma estória parecem ter sido calculadas de antemão.

A versão Enhanced respeita tudo isto. Podem jogar com uma resolução muito superior, que alarga o campo de visão, mas também podem jogar com a perspetiva isométrica antiga, mais próxima. Estamos a falar de um jogo lançado originalmente com uma resolução de 640 por 480, logo podem ver bem o impacto visual destas mudanças.

O que não mudou foi a dependência de Planescape Torment em texto. É um jogo que vos irá obrigar a ler imenso, em inglês. É um compromisso que têm de estar prontos para fazer antes de começarem, o de aceitarem que é um jogo sobre exploração, sobre conhecimento do mundo e das personagens, sobre ler o que se passa à volta do jogador. É um mundo onde vão conhecer indivíduos com estórias fascinantes, e se decidirem mergulhar no mundo de Planescape Torment (e esta é a única forma de desfrutarem do jogo), vão viver uma experiência marcante.

Estamos a falar de uma obra prima do género RPG, um jogo baseado numa das variantes mais incríveis de Dungeons & Dragons, um ambiente de terror, fantasia, e inspiração gótica, mergulhando num mundo com situações, eventos, e personagens, que irão provocar a vossa lógica e filosofia. É um jogo com fortes implicações religiosas, que não se perde em clichés ou o politicamente correto, um jogo verdadeiramente desconhecido, e isso é uma característica cada vez mais rara na indústria. É por isso mesmo passados 18 anos, Planescape Torment ainda é relevante, e com os melhoramentos da edição definitiva, merece toda a vossa atenção se são fãs do género.

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09 Gamereactor Portugal
9 / 10
+
Respeito total pelo jogo original. Estória, personagens, e experiência idênticas, mas com melhoramentos e correção de problemas.
-
É um jogo muito pesado em termos de texto, o que pode ser algo cansativo a espaços.
overall score
Esta é a média do GR para este jogo. Qual é a tua nota? A média é obtida através de todas as pontuações diferentes (repetidas não contam) da rede Gamereactor
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