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análise

Thimbleweed Park

Um jogo de aventura inteligente, que serve de sucessor espiritual para Maniac Mansion.

  • Texto: Ford James
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Os jogos de aventura existem desde os primórdios do meio, desde conceitos à base de textos como Zork, ao formato mais comum de "aponta e clica". Em 1987 a LucasArts publicou Maniac Mansion, um título muito bem recebido na altura. Thimbleweed Park, produzido pelos lendários Ron Gilbert e Gary Winnick, é o sucessor espiritual desse jogo, mantendo o charme e o valor cómico que destacaram o original, mas introduzindo mecânicas e conceitos modernos. O resultado é um jogo que não se limita a ser um jogo de aventura tradicional, é muito mais que isso.

Em Thimbleweed Park vão jogar com dois protagonistas, os agentes Ray e Reyes. Ambos são detetives encarregues de investigarem o homicídio de um empresário na aldeia de Thimbleweed Park, e se o caso em si já é grave, depressa vão perceber que o mistério é ainda mais profundo. Durante a aventura vão jogar com mais três personagens, três suspeitos do crime que vão controlar durante recordações dos eventos: O palhaço Ransome, Dolores, e Franklin. A estória parece a interpretação de Ron Gilbert e Gary Winnick de uma série televisiva sobre crimes, onde têm de eliminar suspeitos de uma lista conforme tentam obter respostas por parte dos cidadãos. Durante o processo torna-se claro que estão a esconder algo sobre Thimbleweed Park.

Não seria um jogo da dupla Gilbert e Winnick se não tivesse uma abundância de puzzles, mas existem várias formas de abordarem a mesma questão. Thimbleweed Park é relativamente não linear em termos da ordem em que os puzzles são resolvidos, e embora sejam atípicos, não são ilógicos. Sim, existem alguns puzzles com soluções obscuras, que obrigam a pensar de forma menos previsível, mas nunca sentimos que o jogo nos estava a empatar ou a enganar. Todas as ações da jogabilidade giram em torno de verbos como "usar", "falar, "apanhar", e "combinar", por exemplo. É um jogo de processos simples.

Tivemos momentos em que pensámos que estávamos presos, ou que tínhamos tomado alguma decisão que impossibilitava o progresso, mas esse é um aspeto em que Thimbleweed Park se destaca, porque é sempre possível chegar à solução, desde que procurem bem e experimentem várias combinações. Não existe nenhum tipo de dicas, mas tudo o que precisámos nas situações mais complicadas foi sair um pouco do jogo, clarear a cabeça, e abordar o puzzle com uma mente fresca. Também existem dois modos de dificuldade - casual e difícil. Difícil será a experiência habitual para fãs de jogos de aventura, enquanto que casual oferece mais pistas, cadernos com listas de "a fazer", e menos puzzles.

Thimbleweed Park está cheio de referências a outros jogos, pessoas reais, e cultura pop. Será particularmente delicioso para quem foi fã dos jogos clássicos de aventura, e não conseguimos evitar um sorriso quando alguém afirmou que "se isto fosse uma aventura gráfica da Sierra Online já estava morto." O jogo também não tem problemas em quebrar a quarta barreira, referindo-se a si próprio como um jogo em algumas ocasiões.

Com tantas referências ao passado, piadas privadas, e puzzles obscuros, podem pensar que Thimbleweed Park não é um bom jogo para novatos, mas estão enganados. Tudo o que referimos em cima forma apenas uma pequena parte da experiência, e não precisam disso para apreciarem o charme do jogo e das suas personagens - incluindo o grosseiro palhaço Ransome. O mini-mistério que envolve o xerife será provavelmente suficiente para atrair o jogador, e até mesmo os agentes que parecem simples, eventualmente deixam a ideia de que algo de errado se passa. É um jogo que podem facilmente apreciar em modo casual, e as únicas coisas que vão perder são alguns puzzles, algumas linhas de diálogo, e potencialmente algumas dores de cabeça. O mapa que vão receber também se torna num item essencial para ganharem tempo, já que poupa imenso caminho desnecessário.

Embora o design artístico tenha mudado drasticamente desde a revelação inicial na campanha de Kickstarter, as animações e a interface são claramente inspiradas pela era dourada do género, embora com muito mais detalhe e cuidado. As interpretações dos atores também são excelentes, o que é um significativo melhoramento desde os jogos da LucasArts, que não tinham vozes. Em última análise, Thimbleweed Park parece um jogo tradicional da LucasArts, mas adaptado a 2017.

Thimbleweed Park tem a marca de Ron Gilbert e Gary Winnick por todo o lado, e é um dos melhores jogos de aventura da última década. Um jogo obrigatório para qualquer fã do género, em particular se jogaram os clássicos do século passado. Não é um jogo perfeito, e o final - embora bom - pareceu ter sido algo apressado. Também é triste pensar que provavelmente não vai haver uma sequela, pelo menos desta dupla. Saboreiem Thimbleweed Park, explorem-no com cuidado, e tentem encontrar todos os segredos, porque é uma experiência deliciosa.

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09 Gamereactor Portugal
9 / 10
+
Requer que pensem além do óbvio, mas nunca sem lógica. Inúmeras referências e piadas. Estória maluca, mas fantástica.
-
O final é inteligente, mas parece apressado.
overall score
Esta é a média do GR para este jogo. Qual é a tua nota? A média é obtida através de todas as pontuações diferentes (repetidas não contam) da rede Gamereactor
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