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ANÁLISE

OUTLAST

Sem armas, sem poderes, sem hipótese. Uma viagem ao inferno num jogo genuinamente assustador.


O género Survival Horror assistiu a uma transformação durante a geração atual de consolas, passando do conceito de terror e sobrevivência, para algo muito mais próximo da ação. Os poucos jogos que ainda tentam segurar esse conceito original contam-se com os dedos de uma mão e nasceram quase todos como projetos independentes.

Outlast é um desses jogos, oriundo das mentes doentias que habitam a Red Barrels. Aqui não vão encontrar monstros enormes, espetaculares sequências de ação ou valores de produção de um Blockbuster de verão. Não, em vez disso vão encontrar uma experiência extremamente íntima, com um conceito corajoso e momentos genuinamente assustadores.

O protagonista de Outlast é Miles Upshur, um jornalista que decide investigar o que correu mal num asilo norte-americano. O jogo decorre todo na perspetiva de primeira pessoa, mas não é um Shooter. Miles não tem acesso a qualquer arma durante o jogo. O único acessório a que poderão recorrer é a sua câmara de filmar, que inclui visão noturna e que é essencial para tentarem sobreviver a este pesadelo.

Podem passar o tempo todo com a câmara equipada: a única coisa que muda em relação à visão normal é a presença de mais elementos no ecrã, como a duração da bateria e outras informações do género. Ter a câmara ativa não carrega qualquer tipo de penalidade, nem afeta os movimentos de Miles. A única situação em que devem ter atenção é quando ativam a visão noturna.

Outlast é um jogo escuro. Muito escuro, por isso a visão noturna da câmara alberga uma importância vital. O efeito desse modo é fantástico e cria situações aterradoras. O filme espanhol REC (se não viram, façam favor de o ver) parece ter sido uma inspiração óbvia, não só pelo efeito visual, mas até pelo comportamento dos inimigos.

Mas a utilização da câmara no modo noturno consume a bateria. Felizmente podem carregar até um máximo de 10 baterias adicionais, que vão encontrando durante o jogo. Nunca ficámos sem bateria enquanto jogávamos, o que significa que, desde que tenham algum cuidado e não desperdicem visão noturna onde não é necessária, não devem ter problemas.

Outlast
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Outlast é um Survival Horror no verdadeiro sentido do conceito. É um jogo de terror, onde o objetivo passa por sobreviver. Quando encontram um inimigo, têm duas opções possíveis: ou agem furtivamente e tentam evitar o contacto, ou, se forem vistos, correm pela vossa vida enquanto tentam despistar o perseguidor.

A primeira parte funciona bem. É um autêntico jogo das Escondidas, onde podem utilizar camas, cacifos e cobertura geral para permanecerem escondidos dos inimigos. A segunda parte, quando são vistos, já não funciona tão bem. Aqui Outlast transforma-se num jogo da Apanhada. Basicamente devem correr do agressor, para se tentarem esconder novamente, mas existem alguns problemas com isto.

Percebemos que a Red Barrels tentou criar uma experiência assustadora ao tornar Miles extremamente vulnerável, mas torna-se frustrante não conseguir lutar de volta. A maior parte dos inimigos são humanos - terrivelmente desfigurados e mutilados - mas humanos. Miles poderia perfeitamente tentar defender-se com um cano ou um ferro e o facto de não existir qualquer opção de resposta é um pouco frustrante.

Outro problema residente com a inteligência artificial (IA). Para começar, é lenta. Como a única resposta do jogador a estas situações passa por fugir, os inimigos são incrivelmente lentos. Depois, desistem com muita facilidade. Imaginemos que correm para dentro de uma sala sem saída, fecham a porta por onde entraram e se escondem. O inimigo vai entrar, olhar em volta, talvez abrir um cacifo (que pode ser o vosso) e desistir, presumindo que o jogador não está ali, quando é perfeitamente evidente que têm de estar na sala.

Outlast

Outlast tem alguns momentos predefinidos que são verdadeiramente assustadores, não tanto ao nível do terror psicológico, mas antes de choque. O velho truque do "Boo!" pode ter barbas, mas se for bem feito - como é o caso - continua a ser extremamente eficaz. Depois existe outro tipo de terror, gerado pelas situações de confronto com os inimigos, mas aqui a tensão vai começar a dissipar quando perceberem como a IA é fraca e qual é a sua rotina.

O jogo não é particularmente grande - talvez cinco horas - mas é a duração certa considerando as mecânicas em causa e o próprio conceito. Existem documentos que podem encontrar no cenário e também algumas notas que são desbloqueadas quando presenciam determinados eventos com a câmara ligada. Dois tipos de colecionáveis, se assim os quiserem chamar, que também servem para contar a história do asilo e do jogo.

Outlast não tem os valores de produção de outros Survival Horror, apesar de ter um grafismo bastante positivo. A jogabilidade é alto limitada, sem qualquer sistema de evolução ou de ação e a IA prejudica parte do conceito. Ainda assim, é um dos poucos jogos atuais genuinamente assustadores e compensa bem os € 19,99 que exige a partir do Steam. Seja com a versão de PC, já disponível, ou eventualmente na PlayStation 4, devem seriamente considerar Outlast se são fãs do género Survival Horror.

07 Gamereactor Portugal
7 / 10
+
Excelente ambiente e grafismo. É genuinamente assustador. Pode ser encarado como um bom jogo furtivo.
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Inteligência artificial deixa a desejar. Transforma-se numa espécie de jogo da apanhada quando são vistos.
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