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ANÁLISE

EUROPA UNIVERSALIS IV

A Paradox criou o seu melhor jogo de estratégia até à data.

  • Texto: Mike Holmes

Por trás de um aspeto limpo e suave, Europa Universalis IV é um jogo furioso e brutal. Enquanto mover as peças através do mapa é uma operação simples, todas as ações do jogador neste jogo de estratégia da Paradox Interactive carregam peso e consequência. Uma peça neste tabuleiro virtual pode representar 50.000 homens, e uma decisão de um segundo pode significar a sua morte. Outra escolha, calculada ou não, pode resultar na subjugação brutal de um povo, a destruição das suas crenças religiosas e até a aniquilação da sua cultura. Call of Duty pode permitir matar indivíduos, mas Europa Universalis IV destrói nações inteiras. É violência pura e autêntica. E também é fantástico.

Fica porém o aviso de que a barreira que se levanta aos estreantes é significativa. O jogo está estruturado com uma complexidade e uma profundidade sem paralelo. Se são novatos e desejam descobrir o encanto de Europa Universalis IV, terão de fazer o trabalho de casa. Há tutoriais para ultrapassar e manuais para ler. Até mesmo os primeiros jogos vão servir de aprendizagem, onde vão cometer erros de certeza e aprender lições preciosas.

O objetivo é dominar o mundo, ou pelo menos, uma fatia considerável. Os lutadores podem pintar o mapa com a sua cor, expandindo pelo mundo como se fossem um vírus, enquanto que os amantes podem fazer comércio, crescer e até casar. Um retrato elegante do mundo cumprimenta os jogadores no início de cada jogo. Ao explorarem e conquistarem novas terras, o mapa aumenta em conformidade. O ecrã está recheado de menus e ícones, cada um com uma função específica; seja exibindo informações vitais ou facilitando as decisões que devem tomar. Mas ao início pode ser esmagador.

As primeiras partidas acabaram com derrotas humilhantes. Habituados a Crusader Kings II, saltámos para o jogo depois de uma breve espreitadela no manual. A nossa sessão acabou muito mais rápido do que prevíamos, depois de uma guerra civil trucidar o nosso reino e os inimigos aproveitarem para tomar o que não podíamos defender. Decidimos repetir o tutorial, agora com mais atenção.

A segunda tentativa foi muito mais metódica. O império cresceu lentamente. Forjámos inimigos e aliados, quebrámos alianças e explorámos novas terras. Começamos a conquistar as Américas, inundando o terreno com conquistadores e colonizando os povos indígenas. Lutámos por Córsega e varremos o norte de África. Devagar, mas confiantes. Demorou algumas horas, mas assim que os menus, os mapas, os factos e as figuras começaram a fazer sentido, começamos a tomar decisões acertadas e mais importante que isso, estávamos a divertirmo-nos.

À terceira tentativa experimentámos o modo Ironman, onde os Saves são feitos na Cloud e não localmente - as decisões são definitivas e irreversíveis. Estava tudo a correr de feição, até que provocámos uma guerra com quem não devíamos. Pouco tempo depois fomos invadidos e esmagados por uma força que simplesmente não podíamos combater. Utilizando uma combinação de poder terrestre e marítimo, esperávamos tirar o oponente da sua base, mas não foi isso que aconteceu. No fim fomos obrigados a aceitar a rendição, com termos pouco vantajosos.

Europa Universalis IV
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Existem tantas direções a explorar, que apesar de todas as horas que levamos no jogo, sentimos que ainda mal começamos. A longevidade é tremenda. Os jogadores podem escolher entre vários países, mas a estrutura muda de tal forma com o tempo, que se avançarem 100 anos desde a data inicial, vão ver muitas mudanças.

Cada uma das tentativas acima descritas representam várias horas de jogo. Antes de iniciarem uma sessão terão de tomar algumas decisões: nomeadamente devem escolher uma nação e uma data. O jogo oferece algumas sugestões; países que foram importantes em momentos específicos da história, incluindo Portugal. Podem controlar os maiores impérios ou as nações mais pequenas. Depois das escolhas, começa o jogo, e de imediato devem tentar perceber a situação. Quem são os vizinhos? São amigáveis? A população está feliz? Como está a situação comercial? Todas estas informações estão disponíveis e podem ser extraídas dos mapas ou dos menus com apenas alguns cliques.

Podem acelerar o tempo ou abrandá-lo. Durante momentos de maior tensão o jogo pode ser pausado de forma a controlarem todos os aspetos do vosso império sem grande pressão. Se forem demasiado rápido arriscam-se a perder detalhes preciosos. Ou se pelo contrário forem demasiado lentos, podem perder horas em tarefas medianas. Com a melhor compreensão do jogo, aceleramos gradualmente o tempo, mas isso levou-nos a cometer mais erros, alguns que provavelmente não teríamos cometido se tivéssemos tido tempo para analisar a situação.

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Alguns acontecimentos reais, como a inquisição espanhola, surgem no jogo em momentos apropriados. Certas variáveis devem ser cumpridas para que estes eventos aconteçam, o que resulta numa experiência que nunca é forçada e que consegue apresentar um pouco de história real no jogo.

O destino da vossa nação está dependente das habilidades do seu governante. E com isso não queremos dizer necessariamente o jogador. Cada rei ou rainha tem várias habilidades; uns serão excelentes diplomatas, outros vão dominar o campo de batalha. Podem contratar conselheiros para completarem as área em falta dos governantes, mas mesmo isso não será suficiente para determinar a forma como as diferentes características dos líderes vão guiar os jogadores. Numa década podem estar a expandir em termos de território, enquanto que os próximos 10 anos podem ser gastos a formar rotas de comércio ou a formar alianças diplomáticas.

Europa Universalis IVEuropa Universalis IV

Ao avançarem no jogo vão desbloquear ideias diferentes, que podem ser adquiridas com pontos ganhos através da áreas diplomatas, administrativas ou militares do jogo. É aqui que o jogador pode realmente moldar a sua nação. Cada ideia tem uma vantagem diferente. Uma pode ser perfeita para explorarem e conquistarem terras distantes, enquanto outra pode ser mais adequada para conspirarem com os rivais próximos de casa. Alguns jogadores até podem tentar evitar a guerra, concentrando-se antes na religião e no comércio.

E depois também existe o multijogador, que como é de esperar, substitui a IA por adversários humanos. Uma função muito apreciada é o convertor de Saves, que permite aos jogadores com Crusaders Kings II continuarem a sua dinastia no início da era de EUIV (1444).

O jogo pode ser esmagador no início, mas os persistentes vão encontrar uma experiência maravilhosa e imersiva. É um daqueles jogos que pode engolir uma noite inteira sem que se apercebam. É profundo e complexo, mas ainda assim intuitivo. Falta-lhe talvez alguma da personalidade de Crusader Kings II, mas existe muito e bom conteúdo. Obrigatório para veteranos e mesmo que não o sejam, experimentem. Valem bem a pena.

Europa Universalis IV
Europa Universalis IVEuropa Universalis IVEuropa Universalis IV
09 Gamereactor Portugal
9 / 10
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Complexo, mas intuitivo. Vasto leque de opções. Eventos dinâmicos. Conversor de Saves do Crusader Kings II.
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Pode ser aterrador para quem está a começar.
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